sexta-feira, 29 de novembro de 2013

“EU CREIO NA IGREJA, DE CRISTO”







“A igreja só é igreja quando vive para os outros” (Dietrich Bonhoeffer, pastor enforcado por Hitler)

Estou na busca de um Deus que se preocupa com gente. Que é gente como a gente. Também estou na busca de uma igreja que viva como este Deus vive, pensando em gente e se relacionando com gente. Que não faz barganhas com a gente. Por isso esta busca às vezes me parece muito difícil, pois achar uma igreja que se parece com gente está difícil nos nossos dias. 

Igreja que troca a fé pelo dinheiro, que vende o sacramento, que patrulha a vida uns dos outros, que populariza os seus líderes, sim, este tipo de igreja existe por demais e das maneiras as mais diversificadas no nosso tempo. Igrejas locais que se parecem mais com empresas por que são dominadas e lideradas por pastores e líderes-executivos, há muito. Igrejas que dependem única e exclusivamente de eventos, shows de final de semana, de “alvoroços espirituais”, há muito. 

Estou na busca incansável de uma igreja onde a gente é atraído a Cristo e não ao programa da igreja. Não, com certeza, Cristo não está nos negócios de marketing delas, Cristo não está nas politicagens de seus líderes, Cristo não está nas “fofocas” da semana que seus membros tratam uns com os outros pelos celulares e whatsapps. Estou buscando uma igreja em que todos se sentem valorizados pelo que são e não pelo que possuem. Estou na busca de uma igreja onde seus fiéis não vivem de melindres, pois estão certos que se são discípulos de Cristo, precisam sempre aprender a viver sob a necessidade de disciplina e orientação.

Estou buscando uma comunidade onde todos anelam encontrar sua posição dentro do Corpo que é de Cristo e não de um corpo que depende de conchavos e sanguessugas que parasitam e paralisam as ações do verdadeiro Espírito Santo, que o espremem dentro de um corporativismo engessado e padronizado. Busco uma igreja onde compartilhamos a mesma fé, mas de experiências as mais variadas. Busco uma igreja onde viver a vida de modo simples e comum é o maior prazer de todos. Busco uma igreja onde todos estão na caminhada de aprenderem a responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há neles. 

Estou na busca de uma igreja que está conhecendo a Cristo pela oração como meio de graça. Que faz da oração o instrumento de conhecimento do Espírito Santo e não um amuleto para que muitos se deem bem na vida. Estou na busca de uma igreja que pela sua maturidade espiritual, não está vivendo para si, para seus projetos, para sua denominação, mas para o Reino de Cristo, pois é isso que realmente importa. Por causa dele que Cristo se fez gente e se entregou por gente. É por causa dele que estou na igreja, buscando fazer da igreja um pouco do que seja o Reino de Cristo.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

LONGE DO OLHOS, LONGE DO CORAÇÃO



Conta-nos uma das parábolas de Nosso Senhor que havia um “homem rico” e todos os dias vivia na luxúria e das coisas boas da vida. Mas fora de seu portão vivia deitado um mendigo, chamado “Lázaro”, todo coberto de úlceras, o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico, e os cães vinham lamber-lhe as feridas. O mendigo morreu e foi para o Paraíso e o “homem rico” foi para o Hades. Alguns acham que nesta história o fim do “homem rico” foi cruel porque ele possuía muito dinheiro e o mendigo foi para o céu porque era pobre. Ledo Engano. O “homem rico” não tinha olhos para ninguém a não ser para ele mesmo, sua fé era egocêntrica e seus pensamentos orbitavam em torno dele mesmo. 

Nesta semana os meios de comunicação anunciaram que um dos maiores tufões da história varreu as Filipinas. Milhares morreram e milhares ficaram sem casas. A mídia televisiva que geralmente é norteada pelos países ricos, pouco fala sobre isso, pois não estão interessados nos problemas dos países pobres. Quando estes mesmos problemas abatem os países ricos que estão além da “linha do Equador” a comunidade mundial lamenta-se incansavelmente e assim as orações e a assistência dos crentes parece incansável. No fim, somos mais dirigidos pela Mídia Elitizada do que pelo amor desinteressado. Nosso interesse pelos problemas dos outros só é importante quando temos algo a ganhar com a solução destes mesmos problemas. O que pensar sobre os problemas que abatem a Síria, o Sudão e a Etiópia, a seca que aflige o Sertão Nordestino e os drogados ao lado de minha casa? Eles parecem não serem tão interessantes quanto os problemas estéticos da residência de nosso vizinho mais rico. 

O que quero apontar é de que nós sofremos e oramos apenas por aqueles que nos interessamos. Portanto necessitamos aprender a ver em todos e em tudo motivos para nossa oração despretensiosa. Orar e agir despretensiosamente são parte da vida do verdadeiro cristão, daquele que como Jesus Nosso Senhor via a todos como “ovelhas que não tem pastor”. Que também estejamos atentos para que não sejamos levados pelas vozes da mídia elitizada que nos engoda.

Nossa fé deve ser a fé que considera a todos: pobres e ricos, que ora por todos, mas que também presta assistência a todos. Que o espírito do “homem rico” seja extirpado de nosso coração e que nossos olhos sejam iluminados não pela fantasia do demônio, mas pelo amor de Cristo que nos leve a sairmos de dentro de nós e nos torne instrumentos da graça que não escolhe a quem ajudar, por quem orar e a quem amar.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A INSUFICIÊNCIA DAS FORÇAS HUMANAS


Dizem os antigos homens de oração, todos a uma só voz: "A primeira coisa que deves inculcar no espírito é que nunca, de modo algum, te deves apoiar em ti mesmo. O combate que vais enfrentar é extraordinariamente árduo, e as forças humanas, sozinhas, são de todo insuficientes para conduzi-lo. Se confias em ti mesmo, serás derrubado de imediato, e perderás toda a vontade de continuar a luta. Só Deus te pode dar a vitória, segundo o teu desejo”. 

Para muita gente, a decisão de não colocar em si mesmo a confiança é um sério obstáculo, que os impede de começar uma vez por todas. É necessário perseverar, sob pena de abandonar qualquer esperança de ir mais longe. Com efeito, como poderá um homem receber conselhos, formação e ajuda se pensa que conhece tudo, pode tudo, e não tem necessidade alguma de conselhos? Através de semelhante muro de suficiência, nenhum raio de luz consegue passar.

"Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e inteligentes na sua própria opinião!"(Is 5:21); e Paulo nos dá este conselho: "... não vos deis ares de sábios"(Rm 12:16). O reino dos céus foi revelado aos pequeninos, mas continua oculto aos sábios e aos doutores (Mt 11:25). Devemos, portanto, nos despojar dessa confiança imoderada que temos em nós mesmos. 

Muitas vezes, ela está arraigada em nós tão profundamente, que já nem percebemos o domínio que exerce sobre nosso coração. O nosso egoísmo, a preocupação com a nossa pessoa, o amor próprio são precisamente as causas de todas nossas dificuldades, de nossa falta de liberdade interior na provação, de nossas contrariedades, de nossos tormentos da alma e do corpo. Olha um pouco para ti mesmo, e verás a que ponto estás aprisionado pelo desejo de dar prazer ao teu "eu," e somente a ele. Tua liberdade está presa pelos laços estreitos do amor por ti mesmo; assim, és balançado ao acaso. "Agora, estou com vontade de beber", "agora, estou com vontade de sair", "agora estou com vontade de ler o jornal". A cada instante, teus próprios desejos te conduzem como por meio de uma rédea; e, se algum obstáculo se coloca no caminho, imediatamente perdes a calma, sob o efeito da contrariedade, da impaciência ou da cólera. 

Se sondares as profundezas de tua consciência, descobrirás as mesmas coisas. O sentimento de desagrado que experimentas, quando alguém te contradiz, possibilita facilmente essa verificação. Vivemos, assim, como escravos. Mas "... onde se acha o Espírito do Senhor, aí está a liberdade" (2ªCor 3:17). Que proveito poderás encontrar em gravitar assim, constantemente, em torno do teu "eu"? 

Não nos ordenou o Senhor que amássemos ao próximo como a nós mesmos e que amássemos a Deus acima de todas as coisas? Mas, nós o fazemos? Não estamos, ao contrário, sempre ocupados em pensar no nosso bem-estar? Convence-te pois, de que nada de bom pode vir de ti próprio. E se algum pensamento desinteressado despertar em ti podes estar certo de que não vem de ti, mas que deriva da Fonte da Bondade, e que foi depositado em ti; é um dom daquele que dá a vida. Do mesmo modo, o poder de fazer passar ao ato esse bom pensamento, não vem de ti, mas te é concedido pela Santíssima Trindade.
(Extraído: Pais do deserto)

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O PONTO DE PARTIDA NA VIDA CRISTÃ



Atitude e Perseverança

Se quiseres salvar tua vida e conseguir a vida eterna, sacode o teu torpor e busca a Deus. Não se obtém a fé pela reflexão, mas pela ação. Não são as palavras e a especulação que nos ensinam quem é Deus, mas a experiência. Para deixar entrar o ar fresco, é preciso abrir a janela; para bronzear a pele, é preciso expor-se ao sol. Para adquirir a fé, é a mesma coisa; como dizem os antigos: “não se chega ao objetivo, permanecendo confortavelmente sentado, esperando”. Imitemos o filho pródigo: "Partiu, então, e foi ter com o pai" (Lc 15:20).

Qualquer que seja o peso e o número de cadeias que te acorrentam à terra, nunca é tarde demais. Não é sem motivo que está escrito que Abraão tinha setenta e cinco anos quando partiu; e os operários da “undécima hora” receberam o mesmo salário que os que trabalharam desde a manhã. E também, nunca é excessivamente cedo. Nunca é cedo demais para apagar um incêndio na floresta. Gostarias de ver tua vida devastada e queimada? No batismo, recebes a ordem de te lançares num combate invisível contra os inimigos da tua vida. Põe mãos à obra. Há bastante tempo, usas de subterfúgios. Mergulhado na negligência e na preguiça, desperdiçastes um tempo precioso. Só te resta recomeçar do princípio, porque lamentavelmente deixastes que se empanasse a pureza que recebestes no batismo.

Começa, pois, a trabalhar desde já, sem demora. Não adies a tua decisão para hoje à noite, para amanhã, para mais tarde, quando eu tiver terminado o que é preciso fazer agora. Um atraso pode ser fatal. Não; é agora, no mesmo instante de tomar a decisão, que deves mostrar pelos teus atos, que te despedistes do teu velho "eu" e que acabas de começar uma vida nova, à procura de um novo objetivo, seguindo novos caminhos.

Levanta-te, pois, corajosamente, e diz: "Senhor, concede-me que eu comece agora. Ajuda-me!" Porque, acima de tudo, tens necessidade da ajuda de Deus. Persevera em tua decisão, e não olhes para trás. Que o exemplo da mulher de Ló te sirva de lição: ela se transformou em coluna de sal, por ter olhado para trás (Gn 19:26). Abandones o homem velho: não retomes o que é desprezível. Como Abraão, ouça a voz do Senhor que te diz: "Deixa teu país, tua parentela e a casa de teu pai, e vá para o país que te mostrarei" (Gn 12:1). De agora em diante, é nesse país que se deve concentrar toda a tua atenção.

(Extraído: Pais do deserto)