sexta-feira, 27 de setembro de 2013

UM REINO DE CABEÇA PRA BAIXO


“E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior”. Lucas 9.46

A igreja cristã desde os seus primórdios sempre compreendeu muito mal as palavras “serviço” e “poder”. Essa má interpretação gerou muitos desvios e atitudes que não somente trouxeram perdas para a igreja como também foi uma tragédia para a humanidade. Devido a esta questão, a igreja em nome de Deus matou e ainda mata. Essa discussão é tão antiga quanto é o relacionamento entre o ser humano e o próprio Deus. Mas é na relação entre Cristo e os seus discípulos que ficou muito bem claro o que Deus pensa deste binômio e o seu ensino sobre o Reino de Deus. Este é o que chamamos de o “reino de cabeça para baixo”, pois todos os princípios são valores invertidos e incoerentes para a visão do mundo e da sociedade. Portanto a igreja que é uma agência do reino de Deus na terra deve lutar por espelhar e manter estes princípios paradoxais entre os discípulos de Cristo. 

1) No reino de Cristo, somente aquele que serve ao seu semelhante é o que recebe “poder”. O ‘poder’ que chamamos de ‘capacitação’, não é concedido para aquele que apenas tem o nome de cristão, mas sobretudo para o que está disposto a servir. ‘Servir’ então é o maior sinal do ‘poder’ de Deus. Não há poder de Deus senão em prol do serviço. O poder somente existe para capacitar os que são servos a servirem as pessoas em suas necessidades. Se alguém serve seu semelhante aí o poder de Cristo reside.

2) No reino de Cristo, somente é considerado “grande” quem dá a vida pelos outros. Em suma, aquele que está em serviço contínuo ao semelhante é que será considerado o maior. Porque Cristo foi considerado o “Senhor”? Por que se entregou pela humanidade, deu sua vida pelos outros, porque aprendeu o serviço. Na escala de valores ninguém que está presidindo pode presidir se nele não são encontradas as obras de serviço. 

3) No reino de Cristo, não há espaço para os “sanguessugas”, para a exploração do outro, para usar o semelhante como “massa de manobra”. Se isso acontece, mesmo dentro da igreja, há muito esta se tornou uma “sinagoga de Satanás”. O reino de Cristo somente está presente no mundo porque os que pertencem a ele se dedicam em prol dos outros, da reconciliação, da reconstrução do ser humano, do bem e da verdadeira paz. 


Portanto, precisamos extirpar qualquer ensino e conduta que enfoque o ser humano como o centro de tudo. Quando manifestamos outro sentimento ou comportamento que não seja o serviço ao semelhante, podemos parecer com o reino de Cristo, mas na verdade somos parecidos com o time de Satã. Precisamos renunciar a uma liderança que oprima, que seja mesquinha, interesseira, exploradora, que venda o sacramento aos fiéis, que tome para si um “poder” que não é o verdadeiro serviço de Cristo. Se quisermos uma liderança eclesial verdadeira, ela será a primeira a servir e não a ser servida. Precisamos nos identificar com Cristo e não usarmos Seu nome e Seu reino para tirarmos proveito das coisas e das pessoas. Precisamos aprender a nos doar mais pelos outros. Temos que banir de nosso coração o egocentrismo, pois estar no centro das atenções é próprio de um coração que não conhece de verdade a Cristo. 

Nas palavras de Francisco de Assis necessitamos em todo momento, pedir que o Senhor faça de nós um instrumento de Sua paz. Onde houver Ódio, que levemos o Amor, onde a Ofensa, que levemos o Perdão. Onde a Discórdia, que levemos a União. Onde a Dúvida, que levemos a . Onde o Erro, que levemos a Verdade. Onde o Desespero, que levemos a Esperança. Onde houver Tristeza, que levemos a Alegria. Onde as Trevas, que levemos a Luz. Que busquemos mais consolar, que sermos consolados; mais compreender, que sermos compreendidos; mais amar, que sermos amados. E que possamos aprender que é dando, que recebemos. Que é perdoando, que somos perdoados e que é morrendo, que vivemos para a vida eterna

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

RASGUE SEU CORAÇÃO


“E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes”. Joel 2.12

Lemos frequentemente na Bíblia que Javé pedia por meio de seus profetas que seu povo Israel mantivesse um relacionamento profundo com Ele e isso não poderia ocorrer sem começar do coração. Essa necessidade é fortemente enfatizada por Jesus Nosso Senhor nos Evangelhos. De fato, o que retemos neste ensino é que não há qualquer possibilidade de entrarmos em um relacionamento verdadeiro com Deus se não através do íntimo, que pode significar “recôndito”, “oculto” ou “coração”. Contudo, apesar de Seu povo Israel reconhecer que Deus pedia antes de tudo o coração, poucos foram aqueles que conseguiram se relacionar com Javé.

Um dos momentos mais fortes na história de Israel é a profecia de Joel. Embora a nação israelita praticasse suas formas de adoração, sacrifícios e holocaustos ao Senhor, liturgicamente, o relacionamento com Deus era superficial. Por isso Joel, drasticamente pedia ao povo: “rasguem o coração e não apenas as suas vestes”. Isto é, ademais de toda forma litúrgica pois isso era necessário, os israelitas o faziam sem nenhum eco interior. “Rasgar as vestes” que era uma das práticas litúrgicas que significa humilhação e conversão a Deus tornara-se apenas um teatro, um rito frio e programado. 

Jamais devemos aniquilar as Liturgias e nossos cultos, sejam eles coletivos ou pessoais, por que tudo que fazemos possui um rito. O ritual é necessário para nos dar direcionamento com o que fazemos e como fazemos para Deus. O Ritualismo é o desvio do ritual. Porém é necessário “rasgar o coração”. Vejamos por que:

1. Rasgar o coração é dispor o coração a um quebrantamento permanente e não apenas um sentimento de tristeza emocional. O que significa então que rasgar o coração é se despir de preconceitos, da amargura e do orgulho pessoal que envolve nosso íntimo e não nos permite viver a experiência da fé verdadeira. 

2. Rasgar o coração também significa dispor o coração a um culto sincero e não apenas estético, teatral, de aparência. Rasgar vestes sem sinceridade é manter o coração impuro e enganoso, na busca de sensações que não são verdadeiras e sim imaginárias e fantasiosas. O demônio lança-nos a uma espiritualidade mentirosa e de sensacionalismo.

3. Rasgar o coração é dispor o coração a uma mudança interior e não exterior. Os sacerdotes rasgavam seus vestidos dentro do culto, mas era apenas teatro. Não havia mudança interior. Não havia realização em prol do necessitado, não havia melhoramento de seus relacionamentos pessoais, não se praticava mais a caridade, as pessoas continuavam interesseiras pensando em si e não no próximo. Mantinham os mesmos procedimentos nos negócios e no trato com a comunidade. 

Hoje a igreja precisa “rasgar o coração”. Adoração não pode ser confundida com “show”. Os que dirigem os cultos não podem querer aparecer mais do que Cristo. Muitas pessoas estão em busca de “espaço para cantar”, para “pregar” e dizer o que se pensa sobre isso e aquilo. Os cultos de oração estão abarrotados de pessoas que querem mostrar muita eloquência, palavras bonitas e no fundo não passam da figura do Fariseu que orava de si para si. Cristo os desconhecia. 

Rasgar o coração é uma luta diária. O coração é enganoso e corrupto. (Jeremias 17.9). Você e eu precisamos colocar nosso coração diariamente no lugar certo e para isso precisamos de uma espiritualidade que nos discipline. Precisamos de exercícios espirituais que nos levem a enxergar o real estado de nosso íntimo e tratar o pecado como pecado e não vermos a graça de Deus como uma “graça barata” e Deus como um “bonachão”. 

Kyrie Eleison (Senhor, Misericórdia).

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

NÃO SOU MAIS EVANGÉLICO

Depois de 25 anos de ministério como pastor, devo manifestar minha opinião pessoal quanto ao que se ouve, se fala e se vê dentro do movimento evangélico brasileiro. Devo admitir em prol de minha sanidade física e espiritual bem como para a comunidade a qual pastoreio que não posso mais fazer parte do movimento evangélico atual por algumas razões: 

1. O movimento evangélico brasileiro se transformou em um “negócio em nome de Deus”. Não posso vender o sacramento. Nunca fui autorizado a fazer negócio com o Reino de Deus. Não posso suportar mais esse estilo de vida. O movimento evangélico só ambiciona “lucro” seja de que tipo for: financeiro, social ou mesmo de cunho propagandista. O movimento evangélico tornou-se a Babilônia do Apocalipse.

2. O movimento evangélico é uma “massa de manobra” para muitos líderes que usam de sua liderança para explorar as carências humanas. Os púlpitos tem sido usados para isso, seja nas chamadas denominações tradicionais seja nas chamadas pentecostais ou neo-pentecostais. Não posso fazer parte de um movimento que usa o nome de Deus para violar a sanidade mental das pessoas que foram criadas à imagem e semelhança de Cristo, seja nas reuniões de orações, seja em qualquer evento realizado.

3. O movimento evangélico é pragmático e desonesto. É inadmissível que pastores e fiéis de determinada denominação vivam “pescando no aquário de outros” com o propósito de “encher o rol de membros da sua igreja”. O Movimento é pragmático e proselitista porque usa de uma evangelização desonesta como base de toda e qualquer “ação pastoral”. Estão mais preocupados com números de pessoas do que com o pastoreio e o cuidado das mesmas.

4. O movimento evangélico é idolátrico. Essa idolatria se manifesta pela música e por meio dos “cantores gospel” aos quais cobram cachês altíssimos para produzirem seus shows que nada mais são do que a manifestação da luxúria em nome de Deus. Enquanto for pastor de uma igreja, nenhum destes indivíduos cantará em um culto por mim dirigido. Deus quer ser adorado por corações humilhados. Não há adoração quando o homem é exaltado e idolatrado. Onde há vaidade, Deus não está presente.

5. O movimento evangélico é pobre na sua mensagem. Recuso-me a usar chavões evangélicos como: “Amém? Está fraco: AMÉM?”. “Quem quer receber uma bênção de Deus hoje, levante a mão”. “Existe a lei da semeadura, e o número da conta é…”. “você nasceu pra ser cabeça, não cauda!”. ”Esse acidente aconteceu porque você deve ter dado brecha”. “O Diabo quer lhe destruir”. “Estou vendo uma obra de bruxaria em sua vida”. “Vamos quebrar as setas inimigas”. “Nada vai impedir que você seja um conquistador”. “Não há nada de errado com o dinheiro; o único problema é o amor ao dinheiro”. “Nossa denominação ainda vai conquistar o mundo”. “Nós somos um povo que não conhece derrota”. “Venha para Jesus e pare de sofrer”. “Você é filho do Rei e não merece estar nessa situação”.”Temos a visão de conquistar a Europa para Cristo”. “Essa doença não existe, ela é apenas uma ameaça do Diabo”. “Deus está nos dirigindo para abrirmos uma igreja em...”. “Vamos amarrar os demônios territoriais que estão sobre o Brasil”. “Todos os que fizerem a campanha das sete semanas alcançarão seus sonhos”. “Compre esta Bíblia fantástica com os comentários de…”. “Estamos num mover apostólico e o avivamento brasileiro é semelhante ao do livro de Atos”. “Teremos uma explosão de milagres na maior concentração religiosa da história”. “Coloquemo-nos em pé para receber o Grande Homem de Deus, fulano de tal, com uma salva de palmas”. “Quando vejo essa multidão de quinze mil pessoas, só tenho vontade de dizer que amo cada um de vocês”. “O Reino de Deus precisa de um candidato na Câmara; vamos eleger nosso irmão que vai fazer a diferença”. “Deus abrirá uma porta de emprego para você, meu irmão”. “Os Estados Unidos são uma bênção porque o presidente deles é crente”. “Tudo é miçanga, só Deus é joia”. “Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono”. “Olhe para o seu irmão do lado e diga: Eu amo você”!

6. O movimento evangélico tornou-se um movimento legalista e de patrulhamento. Não estarei me submetendo a padrões de pensamento, de comportamento e de espiritualidade policiada. Não serei patrulhado pelo que penso ou deixe de pensar. Não farei parte dos que se submetem aos cabrestos teológicos.

7. O movimento evangélico é pagão. A cada dia se torna mais e mais mundano. É mundano e se seculariza, diluindo a fé e seu conteúdo em nome da propaganda, na busca de ser bem aceito pela sociedade. Não promoverei nos cultos e liturgias por mim dirigidas nenhum atrativo coreográfico de danças, shows, pessoas ou títulos. Não me comprometo em pregar posicionamentos teológicos, fazer propaganda denominacional do púlpito e sim unicamente a Cristo e seu evangelho. Não suportarei o uso de elementos tecnológicos para chamar atenção das pessoas, ou levá-las a um transe coletivo sensacionalista. 

Por essas razões e por outras mais não estarei mais me denominando evangélico. Buscarei continuamente a glória de Cristo e de seu evangelho onde quer que eu esteja. Que o Senhor me ajude.

Recife, 13 de setembro de 2013
Para esclarecimento do que estou escrevendo, em primeiro lugar não escrevi esta reflexão por que desejo "consertar" o movimento evangélico atual, pois entendo que este abandonou a fé  dos primeiros pais, por isso é apóstata e consequentemente herético. Com respeito a heresia trato o movimento como os  apóstolos e pais  apostólicos trataram como ferramenta de Satanás.  A ele e seu movimento custará o fogo do inferno.

Também quero manifestar meu repúdio contra os teólogos ou pensadores covardes que embora desejem me intimidar com comentários críticos,  não tem a coragem de Cristo para assinarem o que escrevem e por isso seus comentarios não serão publicados.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

ORAÇÃO UNÂNIME - O que é um culto de oração verdadeiro?



“Tendo entrado na cidade, subiram a sala de cima, onde costumavam ficar,[...] unânimes, perseveravam na oração, os discípulos com algumas mulheres, entre as quais, Maria, a mãe de Jesus e com seus irmãos”. Atos 1.13, 14. 

O primeiro grande desafio para nós, cristãos, é aprendermos a orar. A oração não é meramente uma simples conversa com Deus. É um encontro profundo, marcante, poderoso e contemplativo. Mas o segundo grande desafio tão importante quanto esse é orarmos juntos. Para isso entendemos a oração não apenas como um encontro de uns com os outros, mas de todos com a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto, algumas lições nós temos que aprender e continuamente nos lembrar:

1) A oração em conjunto, necessita ser uma oração unânime, isto é, devemos desenvolver um mesmo espírito, uma só fé, um só pensamento. Para que Deus nos ouça unanimemente, é essencial que tenhamos uma mesma visão de Deus, abrindo-nos para um encontro espontâneo e voluntário.

2) As orações podem ser espontâneas, mas também podem ser orações escritas. Devemos usar as orações escritas, uma vez que nossa mente sempre tende ao imaginário e a ao sensacionalismo. As palavras são o carro chefe de nossos pensamentos. As palavras e orações podem ser repetidas. O problema é a vã repetição, a palavra dita mecanicamente. Jesus nos proíbe disso, uma vez que nossas leituras bíblicas e nossas orações podem ser também mecânicas se não forem absorvidas pela mente e pelo coração. Então o problema não são as orações escritas, o pecado está na leitura e na palavra dita de modo inócuo e sem valor. As palavras não podem ser usadas como amuletos. Esse perigo corre aqueles que usam “chavões espirituais”.

3) O grande entrave para a oração em conjunto é a “vaidade”. Quando oramos, também estamos ensinando outras a orar. A oração em conjunto deve eliminar as barreiras intelectuais e culturais que talvez existam entre nós. As orações escritas e espontâneas devem ser palavras comuns, pois as pessoas que nunca oraram estarão desejosas para orarem da mesma forma, assim não haverá barreiras culturais ou intelectuais. Há também as barreiras “pseudo-espirituais”. Algumas pessoas não oram com outras por pensarem que as que oram são “mais espirituais e as mais consagradas”. Isso é um verdadeiro desastre na igreja. Isso deve ser dissipado pelo espírito daqueles que estão juntos para orar. Há também as que chamamos de barreiras antipáticas. O acolhimento e a empatia é um fator preponderante para o crescimento na maturidade e a aceitação de cada um. Ser solidário com as intenções de um irmão que pede oração é importante. Sentir o que o outro sente é fundamental no encontro de oração.

Enfim, nossas orações devem ser reunidas todas na Oração Dominical, pois ela deve conter de fato todos os nossos desejos maiores e nossas intenções. Portanto haverá uma igreja verdadeira, quando houver irmãos que orem juntos. Quando estamos juntos em UM Corpo, em UM Espírito, em UMA só esperança, em UMA só fé, em UM só batismo, tudo em nossa volta será mais forte, pois entramos juntos num ambiente onde a ÚNICA igreja dos céus e da terra está em oração e adoração unânime e seremos aqueles fiéis que o Senhor deseja encontrar quando voltar. Não desprezemos a prática da oração, seja individual, seja em conjunto.