sexta-feira, 26 de julho de 2013

O QUE VALE SER EVANGÉLICO E NÃO FAZER NADA?



“A igreja existe por causa da missão, assim como o fogo existe enquanto queima”. Emil Brunner

A primeira conferência missionária vem nos trazer algumas questões que devemos refletir e repensar a prática de cada um de nós. A estagnação que vivem os crentes e a letargia que sustenta a fé atual é uma amostra de quanto estamos precisando encarar a necessidade de uma ação missionária inteligente e despreconceituosa. Encontramos crentes e uma igreja “ensimesmada”, isto é voltada apenas para a manutenção de seus departamentos internos e crentes despreocupados com os outros. Cada um correndo em prol de sua aldeiazinha evangélica que vive uma sociabilidade para manutenção de seu “status quo”. 

Sou da época em que a oração motivava as pessoas a fazer algo de bom em prol dos outros, do bairro e da comunidade. Sou da época que a oração era o elo que ligava a vida de contemplação a Deus à vida ética, a moral e a santidade. Hoje encontramos igrejas locais com seus crentes que fazem da fé um fim em si mesma. Encontramos crentes que não oram, não contribuem, não fazem absolutamente nada na vida política e na vida social. São meros frequentadores de cultos e os pastores e pregadores são “excelentes executivos” da fé. A missão não passa de mais um departamento nas igrejas e a evangelização virou sinônimo de proselitismo denominacional. Há tempos que não se fala de céu e salvação nas igrejas. Perde-se tempo ouvindo o chavão: “venha para Jesus que ele vai resolver os seus problemas”. 

Os cultos precisam ferver de pessoas que visem a glória de Deus somente. E não ferver de coreografias litúrgicas. Dr. Carlos van Engen afirma: “A igreja só pode achar a sua mais plena expressão para com o mundo se viver a sua natureza como povo missionário”. Só há uma igreja e só há verdadeiros cristãos: São aqueles que adoram a Deus e vivem como salda terra e luz do mundo. O Dr. Stephen Neill define a missão como “a transposição intencional de barreiras, partindo-se da Igreja em direção à não-igreja, em gestos e palavras, por amor à proclamação do evangelho”. A intenção de transpor família, geografia, cultura e idioma deve ser uma consequência natural daqueles que vivem uma experiência cotidiana com Jesus Nosso Senhor. 

Que esta primeira conferencia nos leve a repensar nossa vida, nossos valores, nossa atuação nesta sociedade, a fim de que possamos nos encontrar no final de tudo ouvindo as palavras do Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei” e “sede bem vindos benditos de meu Pai”. Que nossa vida seja vivida em prol dos outros e não em prol de nós mesmos. Que nossa maior alegria seja de ver os outros caminhando na verdade e dando frutos, não somente em nossa “Jerusalém” mas também sendo luz “até os confins da terra”.



Aproveitem a conferencia, estejam abertos a coisas novas!

terça-feira, 23 de julho de 2013

ALIMENTANDO O REBANHO OU ENTRETENDO OS CABRITOS?


Um mal terrível está no acampamento do Senhor, tão grande em infecciosidade que até os mais míopes não conseguem fazer vistas grossas a ele.

Durante os anos passados ele tem se desenvolvido numa dimensão anormal. Tem agido como um fermento insistente para que toda a massa seja levedada. O maligno jamais causou tanto mal à Igreja do que fazendo-a pensar que sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com a boa intenção de conquistá-las. De fato, a Igreja tem diminuído gradualmente a cor do seu testemunho, se moldado e adaptado as frivolidades que constituem o modismo de cada época, Depois passa a tolerá-las em seu território. No próximo passo irá adotá-las sob o argumento de alcançar as massas.

Meu primeiro argumento é que providenciar diversão para as pessoas jamais é mencionado nas Escrituras como sendo função da Igreja. Se esta é uma tarefa cristã, por que Cristo nunca falou sobre ela? "Ide portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo;" (Mt 28:19). Isto é suficientemente claro, se não, Ele teria acrescentado "e providenciem entretenimento para todos aqueles que não se renderem ao evangelho". Palavras como estas jamais serão encontradas na Bíblia! Parece que o Senhor da Igreja não pensou nisso! De novo, "Ele concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para pastores e mestres... para a edificação do corpo de Cristo" (Ef. 4:11). Onde aparecem os entretenedores? O Espirito Santo se cala a respeito deles! Os profetas foram perseguidos por divertirem o público ou porque se recusaram a fazê-lo? Os concertos de entretenimento não têm rol de mártires!

De novo, oferecer entretenimento está em completo antagonismo com a vida e ensino de Cristo e de todos os seus apóstolos. Qual era a atitude da Igreja para com o mundo? "Vos sois o sal da terra", não a bala de açúcar! Algo que o mundo vai cuspir fora e não engolir facilmente. Curta e afiada foi a exortação: "deixe que os mortos enterrem os seus mortos". Ele falava movido por uma honestidade terrível!

Se Cristo tivesse introduzido alguns elementos mais chamativos e agradáveis em sua missão, Ele teria sido mais popular e procurado de novo por aqueles que O abandonaram irritados. No entanto, Ele nunca disse: "corram atrás dessas pessoas, Pedro, e diga-lhes que teremos um outro tipo de culto amanhã, algo breve e atrativo com uma pregação bem curta. Nos teremos uma noite agradável e descontraída voltada para a vontade do povo. Diga-lhes que sem duvida o programa será muito bom. Seja rápido, Pedro, precisamos segurar essas pessoas de alguma maneira!"

Jesus tinha piedade dos pecadores, cuidava e chorava por eles, mas nunca procurou diverti-los. As Escrituras serão estudadas em vão se quisermos encontrar qualquer sinal do evangelho do entretenimento ou base para o ministério da diversão. Para Jesus não havia outra arma camuflada para conquistar os rebeldes espirituais. Ele tinha confiança na eficácia do evangelho puro e simples!

Quando Pedro e João foram separados para pregação do evangelho, a Igreja teve uma reunião de oração, mas eles não pediram "Senhor, conceda aos teus servos uma boa dose de criatividade santa, para que possam trazer um entrenenimento piedoso a fim de que as pessoas vejam quão alegres nos somos!" O fato é que, como eles não cessaram de pregar a Cristo, não tiveram tempo de promover entretenimentos! Espalhados pela perseguição, foram por todas as partes pregando o evangelho, Eles "viraram o mundo de cabeça para baixo". Esta é a única diferença! Senhor, tenha misericórdia e nos conduza aos métodos apostólicos!

Finalmente, a missão do entretenedor falha por não alcançar o fim esperado. Seu ministério operará inversamente na vida do recém convertido que participa de todos os atos do grande show sem ter tempo de ser levado a maturidade. Permite aos zombadores e descuidados na fé, gratos a Deus porque a Igreja os alimenta pela metade, um envolvimento ministerial incompetente e comprometedor. Assim não haverá ninguém a quem dirigir uma resposta porque a missão do entretenedor não produz convertidos! A necessidade da nossa hora para o ministério é a junção de capacidade preparada e espiritualidade honesta, uma surgindo da outra como o fruto brota a partir da raiz. A necessidade é doutrina bíblica, tão compreendida e sentida, que venha a por o ser humano em chamas.

C. H. Spurgeon (1834-1892) - Londres.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

PELA CREDIBILIDADE DA VOCAÇÃO PASTORAL


Pastores, evangelistas e líderes estão hoje na alça de mira da sociedade em geral e na comunidade da fé, seja em igrejas históricas reformadas, pentecostais ou neopentecostais. Há muita crítica, muito escândalo, muito desgaste e muita falta de credibilidade – e tudo prejudica aqueles que estão à frente de comunidades cristãs ou instituições eclesiásticas. Temos visto algo triste, contundente e recorrente: a figura equivocada do pastor ou líder que exerce uma representatividade espiritual esvaziada e uma ação pastoral desvirtuada e desfocada, que machucaram e decepcionaram muitos. Esta é uma das razões do crescimento dos chamados desigrejados e do esvaziamento de suas comunidades.
São pastores que, provavelmente, se perderam do caminho que deveriam trilhar em relação à vocação e ação pastoral. Deixaram de lado a nobre tarefa de cuidar e servir ao Senhor e seu rebanho com amor, paixão, dedicação e perseverança. São líderes que perderam o senso de sua vocação, da missão da Igreja e do discipulado; ou então, dirigentes eclesiásticos que foram impostos na comunidade da fé sem uma avaliação criteriosa de suas qualificações bíblicas para o exercício responsável da vocação. Por isso, é cada vez mais raro encontrar os que têm inegável vocação e dons reconhecidos para o trabalho pastoral.
Muitos começam suas igrejas ou estruturas religiosas e logo se tornam proprietários do que fundaram, delegando funções de acordo com seus interesses e indicando seus auxiliares e futuros líderes na condução dos ajuntamentos. Para esses, a comunidade da fé e a igreja local são simplesmente público consumidor dos produtos oferecidos em nome da fé. Essa tragédia ganha contornos maiores quando se vê aqueles que vivem das benesses e recursos oriundos do ministério, explorando pessoas simples – os mesmos que aspiram obter vantagens político-partidárias em nome da chamada “representatividade evangélica”. A maioria dos que estão nas casas legislativas em nome dos evangélicos não têm noção de cidadania, não fazem política para o bem comum, não buscam a justiça, não pautam suas ações com responsabilidade civil pessoal e comunitária. Eles confundem o poder de Deus com o poder humano, corrompem-se em meio à degeneração geral e buscam o enriquecimento, negando-se a um testemunho corajoso pela verdade e transparência.
São pastores e líderes que não vivem ou anunciam o Evangelho da graça de Deus em toda a sua extensão, o Evangelho que repercute em todas as áreas da vida, trazendo salvação pessoal e transformação comunitária. Um Evangelho que, através da pregação, da educação na fé e do cuidado pastoral, inevitavelmente teria repercussões práticas e proféticas perante o mundo. Infelizmente muitos destes líderes não entenderam a encarnação de Jesus, não perceberam o significado de seus sofrimentos e das dores que ele viveu por amor aos homens. Eles não parecem levar a sério a própria humanidade, ignorando a inclinação que têm de fazer aquilo que não agrada a Deus. Parecem desprovidos de amor ou temor ao Senhor, esquecendo-se de que certamente prestarão contas a ele um dia. Muitos parecem nem mesmo conhecê-lo através de uma experiência pessoal de arrependimento e consciência de pecado, justiça e juízo.
Sem dúvida, é necessária a busca da recuperação da credibilidade da função pastoral e da recuperação das possibilidades da vocação. Uma ação que encoraje e estimule os discípulos do Senhor a manter sua integridade e compromisso responsável, trazendo esperança e ânimo a outros que os têm como referenciais a perseverarem na fé, na experiência comunitária e numa vida de serviço abnegado a Deus e ao próximo.
Essa credibilidade será igualmente recuperada através de um testemunho coerente, verdadeiro, radical e perseverante em meio às limitações da humanidade de cada um; credibilidade que é consequência de quem não despreza o conhecimento e intimidade com o Pai no cultivo das disciplinas espirituais. Credibilidade que é conseguida numa vida de simplicidade e prática das bem-aventuranças recomendadas e ensinadas por Jesus. Credibilidade que é fruto de dependência da graça de Deus e da multidão de conselhos e amigos sinceros, que amam também ao Senhor.
Felizmente, temos ainda bons referenciais de fé e ação pastoral espalhados pelo nosso amado Brasil. Portanto, que nossas orações sejam no sentido de que mais pastores e líderes sejam coerentes com o Evangelho e que, nas mais diversas realidades, seu bom testemunho traga muitos frutos para o Rei e para o Reino.
Fonte: Cristianismo Hoje

PARTICIPE DA 1A. CONFERENCIA MISSIONÁRIA DA IPJSP