quinta-feira, 23 de maio de 2013

VOCAÇÃO PASTORAL: 25 ANOS DE SAGRADO MINISTÉRIO DA PALAVRA


"... e seja achado nele...[...] para conhecê-lo.... para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição dentre os mortos" . Paulo aos Filipenses (3.9,10)

Completar 25 anos de ministério pastoral é uma data celebrativa. Nem tanto pela data, mas pelas experiências deste tempo. Naquele dia (22/05/1988) fui ordenado ao Sagrado Ministério da Palavra pelo Presbitério de Rio Claro, Sínodo de Campinas, na Igreja Presbiteriana do Brasil. Minha vida que começou aos 9 de maio de 1965, teve um forte amparo católico romano. Minha família, em especial minha mãe e meu pai (Marly e Raul) me conduziram nas primeiras letras da alfabetização e da religião, participei dos primeiros sacramentos da igreja, culminando aos 10 anos de idade, 30 dias após o falecimento de minha mãe, com a minha primeira comunhão. Jane minha catequista, ainda me dizia, e assim me lembro que eu haveria de conhecer a Cristo mais profundamente. A primeira comunhão seria apenas o primeiro passo. Sei que Cristo estava comigo sempre, mas naquele 14 de dezembro de 1975, alguma coisa muito forte aconteceu em minha vida, eu estava comungando pela primeira vez. 

Os anos se passaram em muita tribulação pessoal, familiar e em meio a tudo isso, a pessoa de Cristo, o Deus encarnado, o verdadeiro Homem e verdadeiro Deus, me levou a confessá-lo mais forte ainda em 22 de dezembro de 1980, aos 15 anos quando de minha Pública Profissão de Fé na Segunda Igreja Presbiteriana de Rio Claro, sob a tutoria e mentoria de meu pastor Rev.  Dirceu Xavier de Mendonça, um servo de Deus, um conselheiro, um segundo pai, um pregador da Palavra de Deus, um discipulador e disciplinador. Sua esposa Cleomar, foi minha primeira professora na Escola Bíblica Dominical. Ali na igreja ela me ensinou as primeiras letras da Sagrada Escritura. 

Aos 17 anos, começando a me preparar para a UNICAMP e para a AMAN, um jovem pastor (Rev. Potenciano Filho) passou pela igreja, e falou no encontro de jovens a respeito do Sagrado Ministério. Aquilo foi como uma bomba em meu coração. Nos primeiros meses, pelo menos os seis meses que antecederam aos vestibulares, relutei contra qualquer idéia de me dedicar ao Sagrado Ministério da Palavra, porém, no final de 1983, estava eu  sendo examinado pelo Conselho de minha igreja a fim de meu encaminhamento ao Seminário Presbiteriano de Campinas em São Paulo. Fui recomendado ao Presbitério e encaminhado ao Seminário como "candidato ao ministério". Em julho de 1985, pedi transferência ao Seminário Presbiteriano de Norte e cheguei com meu amigo Dirceu Amorim de Mendonça no Recife naquele mês para dar continuidade aos estudos teológicos. 

Distante de minha terra, de minha família, de minha cultura, entendia que Deus estava a frente de minha vida e as portas foram se abrindo. Durante certo tempo tive como conselheiro um pastor holandês, reitor e professor do SPN, Rev. Francisco Leonardo que me ensinou a caminhar entre a necessidade da piedade e do estudo. Durante os quatro anos no Seminário recebi sempre o amparo de minha igreja em Rio Claro. A Segunda Igreja Presbiteriana de Rio Claro pagou todos os meus estudos no Seminário. Nunca esqueceram de mim. Meu avô Nicolau e meu pai Raul sempre estiveram me apoiando financeiramente. O tempo voou e em dezembro de 1987 estava eu com mais 25 colegas de turma, recebendo o diploma de Bacharel em Teologia, pelo Seminário Presbiteriano do Norte. 

Passei 6 meses Licenciado pelo Presbitério de Rio Claro e meus primeiros campos de pastorado foram a Congregação de Itirapina, SP e a Congregação de Vila Indaiá em Rio Claro. Após 2 anos de trabalho em Rio Claro, fui convidado a concorrer a eleição na Igreja Presbiteriana do Pina em Recife, PE, onde cheguei para cumprir um mandato de 5 anos em janeiro de 1990. Em 31 de maio de 1991 nascia, de meu primeiro casamento meu filho Lucas, e depois vieram Beatriz (20 de abril de 1994) e Pedro Augusto (27 de março de 1998). Em Recife, na IP do Pina, juntamente assumi o Deonato de estudantes do Seminário Presbiteriano do Norte em janeiro de 1993. Auxilei a Igreja Presbiteriana de Boa Viagem e em janeiro de 1995 assumi o pastorado auxiliar da Igreja Presbiteriana de Manaíra em João Pessoa ao lado de meu amigo e colega de turma do Curso de Seminário o Rev. Robinson Grangeiro Monteiro, permanecendo ali em João Pessoa até dezembro de 1995. Em janeiro de 1996, convidado pelo Instituto Bíblico do Norte, assumi a Direção Geral daquela Escola Missionária, em Garanhuns. Em Garanhuns servi como pastor efetivo da Igreja Central de Garanhuns por 2 anos e meio e posteriormente pastoreei a Congregação de Filadélfia, Igreja Presbiteriana Ebenézer em Bom Conselho por dois anos e como pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Heliópolis, permanecendo em Garanhuns até 2001 quando fui convidado pela JURET do Seminário Presbiteriano do Norte e assumi a Direção em janeiro de 2002 até dezembro de 2004. 

Enquanto Diretor do SPN, fui eleito na Igreja Presbiteriana de Areias e permaneci ali de janeiro de 2003 até dezembro de 2005 quando sucumbi a uma depressão que me levou ao fundo do poço. Durante 2006 e 2008, mesmo nestas condições encontrei amparo como professor do Seminário Teológico Episcopal Carismático na Igreja Episcopal Carismática, na pessoa de meu amigo e bispo Dom Alexandre Ximenes. Ximenes enquanto eu passava pelos reveses de duas licenças pastorais e a separação no casamento, "segurou as cordas" e acreditou em meu ministério. Deus continuava comigo, me amparando com a sua graça incondicional. 

Em setembro de 2009, ao me casar com Rachel Trancoso, estava recomeçando minha vida pastoral, quando a Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo me convidou para concorrer a eleição e em janeiro de 2010 assumi o pastorado efetivo da igreja, onde estou até hoje.

Olhando para trás, somente posso dizer: "Senhor, eis me aqui, envia-me a mim". Em todas as experiências vividas, em todas as lutas travadas, em batalhas perdidas e outras muitas conquistadas, fica para mim, o sentimento que continuo minha caminhada. Esta caminhada não acabou, há muito por fazer. Mas se há alguma coisa em meu coração, algum sonho a realizar, algum projeto por conquistar, faço minhas as palavras de São Paulo ao escrever aos Filipenses: "... e seja achado nele...[...] para conhecê-lo.... para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição dentre os mortos". Não tenho muitos planos pessoais, apenas quero estar "escondido" em meu Senhor Jesus Cristo, conhecê-lo profundamente, quero aprender a viver nele, com ele e por meio dele, quero "jogar fora" todo racionalismo, toda teologia que seja teologismo, toda devoção que seja devocionalismo para reter a pessoa, o ser e  a presença de meu Cristo. Pois sei que o que me conquistou, o que me segurou e o que me amparou até hoje não foram o conhecimento racional e teológico, não foram os postulados e os livros confessionais ou denominacionais. O que me conquistou foi este Deus verdadeiro que entrou em minha vida e nunca mais me deixará até aquele momento quando puder, "ressuscitado neste meu corpo", abraçá-lo e viver eternamente grato, pelo amor que somente Ele pôde provar na Santa Cruz do Calvário.  

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A espiritualidade da vergonha



Na sociedade moderna, a tolerância transformou-se na maior de todas as virtudes. Aceita-se tudo, não se critica nada. O que mais me preocupa não é a capacidade de compaixão e paciência que a tolerância produz em nós, mas a ausência, cada vez maior, de valores e princípios absolutos que nos ajudam a separar o justo do injusto, o certo do errado. 

O sociólogo francês Gilles Lipovetsky, em seu livro “A Sociedade Pós-Moralista”, descreve assim a tolerância na cultura moderna: “A tolerância adquire uma maior fundamentação social não tanto pelo fortalecimento da compreensão dos deveres de cada um perante o próximo, mas em razão de uma nova dimensão cultural que rejeita os grandes projetos coletivos, exaurindo de sentido o moralismo autoritário, diluindo o conteúdo das discussões ideológicas, políticas e religiosas de toda a conotação de valor absoluto, orientando cada vez mais os indivíduos rumo à sua própria meta de realização pessoal”. Ou seja, a ausência de uma consciência coletiva, a rejeição a qualquer verdade que seja absoluta e a busca pela realização pessoal geram uma forma perigosa de tolerância. 

Entretanto, o perigo da rejeição a uma verdade absoluta está no fato de que ser tolerante hoje implica, necessariamente, não julgar, não ter mais critérios que separem o bem do mal, o justo do injusto; e, uma vez que não julgamos mais, poucas coisas nos chocam ou abalam e, quando o fazem, é por pouco tempo. Vivemos um estado de normalidade caótica, de paz frágil, de tranqüilidade tão relativa quanto os nossos valores. 

Na oração de confissão de Daniel há uma declaração que vem se tornando cada dia mais rara entre nós: “A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha” (Dn 9.7). Isto não acontece mais. Somos demasiadamente tolerantes para “corar de vergonha”. Mesmo diante de fatos trágicos e deploráveis que vemos todos os dias, o máximo que conseguimos é uma indignação passageira. Porém, é a possibilidade de corar de vergonha que não me permite rir da corrupção, achar normal a promiscuidade, conviver naturalmente com a maldade e a mentira, ou, ainda, achar graça da injustiça. 

Vivemos numa cultura que se orgulha do pecado, glamourizando-o através dos meios de comunicação, fazendo das tribunas públicas um palco de mentiras, organizando marchas para celebrá-lo, rindo da corrupção, exaltando a esperteza. E ninguém fica corado de vergonha. 

Daniel contrasta, de um lado, a natureza justa de Deus e, de outro, a corrupção e a injustiça do seu povo. Ele só é capaz de fazer isto porque sua ética e moral estão ancoradas em verdades absolutas sobre as quais não pode haver tolerância. A conclusão a que ele chega é que, diante da justiça divina e do quadro trágico de um povo que se orgulha de sua maldade, o que sobra é o “corar de vergonha”. 

Ele nos apresenta aqui a importância de uma vergonha saudável e essencial na preservação da dignidade humana e espiritualidade cristã. A vergonha aqui é a virtude que nos ajuda a reconhecer nossos erros, limitações, faltas e pecados porque ainda somos capazes de perceber que existe algo melhor, mais belo, mais sublime, mais nobre, mais justo, mais santo e mais humano pelo qual vale a pena lutar. A vergonha nos impõe um limite. É por isto que o caminho para o crescimento e amadurecimento passa pela capacidade de ficar corado de vergonha diante de tudo aquilo que compromete a justiça e a santidade. No caminho da santidade lidamos com o amor, verdade, bondade, justiça, beleza, entrega, doação e cuidado. A falta de vergonha nos leva a negar este caminho e optar pela mentira, manipulação, engano, falsidade, hipocrisia e violência. 

“Corar de vergonha” é uma virtude que falta na experiência espiritual moderna, a virtude de olhar para o pecado que habita em nós, a mentira e o engano que residem nos porões da alma, a injustiça que se alimenta do egoísmo, a malícia que desperta os desejos mais mesquinhos, e se entristecer. Precisamos reconhecer que foram os nossos pecados que levaram o Santo Filho de Deus a sofrer a vergonha da cruz. Quando olhamos para a cruz e contemplamos nela a beleza e a pureza do amor, só nos resta “corar de vergonha”. 

* Ricardo Barbosa de Sousa é pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”. 

domingo, 19 de maio de 2013

ELEIÇÃO E SACERDÓCIO

Desde quando Deus chamou Abraão para que nele todas as nações da terra fossem benditas, temos o chamado para o sacerdócio. Esta palavra se consolida quando na aliança do Sinai, o Senhor por meio de Moisés, chamava a descendência de Abraão, o povo de Israel, para que vivessem como uma nação separada e santa para Ele, sendo intermediários da bênção de Deus para todos os povos pagãos. 

Este sacerdócio real, que melhor é traduzido por reino sacerdotal é a razão de nossa eleição e de nosso chamado como povo de Deus. O fato de sermos eleitos por Deus possui uma causa: viver como sacerdotes entre Deus e os povos, entre Cristo e o mundo. Nossa existência somente tem razão de ser se vivermos em prol dos outros. Foi este o projeto divino para a nação de Israel no Antigo Testamento. Assim como o sacerdote permanecia entre Deus e seu povo intermediando a graça, mediando-a e distribuindo-a, a igreja, por meio de Seu Espírito também deve manter-se entre Deus e o mundo servindo-o e sendo uma bênção para todos, luz do mundo e sal da terra. 

Nossa missão atual é vivermos como sacerdotes. Somos salvos e nos encontramos com Cristo para servirmos como sacerdócio de maneira santa, isto é, nossa relação com Deus deve ser tão profunda que não temos condições de viver senão como ele vive. Portanto, a palavra do Apóstolo Pedro faz sentido: “Vós porém sois sacerdócio real, nação santa, povo eleito de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz”. (I Pedro 2.9). Não existe uma eleição divina num vazio. Somos eleitos para servir, como sacerdotes, estando no meio, recebendo de Deus e repassando para todos, a sua graça indistintamente. Quando o cristão não vive desta maneira, ele nega sua fé e cai em apostasia. Quando ele se gaba de sua eleição divina e se arvora como alguém melhor do que os outros, sem servi-los por meio da ajuda, do amor, dos atos de misericórdia, da evangelização, da solidariedade, ele está pronto a viver sua vida como um fariseu da época de Jesus. 

Quais são as razões de você estar participando de uma igreja? Você já usa seus dons e talentos para o exercício de seu sacerdócio? Quanto tempo você está reservando para ajudar e servir os outros? Não há eleição senão por causa do serviço. Não há maior alegria senão a alegria de ser como Cristo, um servidor. Confirme tua eleição: sirva! Esta é a única maneira de você ter certeza de sua salvação!

sexta-feira, 10 de maio de 2013

AMOR DE MÃE E AMOR DE DEUS




Na Teologia Dogmática, uma das disciplinas do arcabouço teológico, estuda os Atributos Comunicáveis e os Incomunicáveis do Ser Divino. Os Comunicáveis são qualidades divinas que segundo a sua soberania, Deus quis transmitir as suas criaturas. Atributos como graça, delicadeza, amor, força entre outros, foram-nos transmitidos, porém os Incomunicáveis como a Onipotência, a Onisciência e a Onipresença Ele guardou para Si somente, não fazendo isso nem para os anjos.

Deus não é nem macho nem fêmea. Ao transmitir às suas criaturas ele também escolheu soberanamente algumas qualidades para transmiti-las à mulher e ao homem.

À mulher ele a considerou capaz de amar de maneira generosa e liberal. Um amor generoso, delicado e até sacrificial. Portanto à mãe foi reservado misteriosamente viver e gerar, criar e amar de tal maneira que qualquer ser humano jamais em sua vida normal pode negar o seu amor. Assim ele é tão valorizado e poetizado por tantos.

O “amor de mãe” é poderoso, intenso, profundo e impressionante. Por isso não conseguimos entender tantas vezes mães que, se pudessem, dariam a própria vida em favor de seus filhos. E muitas outras que na história já o fizeram.

O amor de mãe mexe tanto conosco por que expressa uma realidade incompreensível ao ego humano. Enquanto queremos seguir nosso coração egoísta, nos preservando, o amor de uma mãe, é tão parecido com o de Deus, que rompe com a natureza das coisas e revela algo que só a elas foi particularizado. Amar é dar a vida, é sacrificar-se pelo outro.

O amor de uma mãe é parecido com o de Deus, mas não é maior do que o de Deus. Ele em sua Soberania nos afirma categoricamente em Isaias 49.15: “pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti”. O amor de uma mãe embora seja tão intenso, não pode se comparar com o do próprio Deus. Deus amou o “cosmos” (o mundo), e por isso entregou-se como sacrifício em prol da vida de toda a sua criação.

Amar segundo o amor de Deus é entregar-se por alguém. A mãe sabe muito bem o que é isso. Entregar seu corpo durante nove meses, comungando com seu filho ainda no ventre todo seu sangue, todas as suas células e seu DNA. Amar, porém não se limita apenas neste tempo de gestação, porém também desemboca na criação, na comunhão, na transmissão do falar, do pensar e do viver a seu filho. É o disciplinar, o chorar, o se alegrar na esperança que ele possa um dia aprender a amar assim como ela o amou.


Portanto, devemos considerar o amor de uma mãe. Devemos privilegiá-la por tão grande dádiva divina. Porém este amor produz uma tão grande demanda, tão grande gravidade, tão enorme responsabilidade. Olhemos para a mãe e com certeza teremos a melhor fotografia da medida do amor que Deus tem por cada um de nós!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

OFERECENDO COM O CORAÇÃO


“a quem dá liberalmente ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo ser-lhe-á em pura perda.” (Provérbios 11.24)

Tudo que fazemos na vida deve ser acompanhado pela fé. Há muita confusão quando ligamos a fé aos bens e ao dinheiro. Muitos dizem que não há qualquer ligação entre ambos, mas de fato, nossa espiritualidade não se projeta num vazio, e sim num ambiente concreto, material e físico. Nossa fé só é fé “viva” se envolve “obras”. A fé dinâmica sempre produz alguma coisa. Assim também nossa vida financeira é conseqüência de nossa relação com Deus. Por isso nosso Dízimo e nossas ofertas estão estreitamente ligadas a nossa fé.

É importante que definamos alguns termos para não confundir: “O amor” é o maior dom, porém ele não é apenas sentimento, é oferta de algo, é sacrifício. As “esmolas” são pequenas ofertas que usamos para ajudar a pessoas necessitadas que nos pedem e batem à nossa porta. Os “donativos” são doações esporádicas que realizamos em caso de campanhas beneficentes. A “contribuição” são ofertas que assumimos em caráter provisório ou permanente, destinadas a instituições ou pessoas como ajuda, por acreditarmos naquele trabalho. O “Dízimo” tem por base nossa produção. De tudo que produzimos uma parte destinamos à comunidade, à igreja, locais onde acreditamos que Deus faz ali residir seu nome. É o principal meio de contribuição para a manutenção do Corpo de Cristo, a igreja, na qual somos membros e nos identificamos. As ofertas e os dízimos são deixados no altar do Senhor dentro de uma liturgia, como sinal de nossa fé e de nossa gratidão a Deus. Muitos não vivem esse momento como de fato são chamados a viver diante de Deus, porque entendem o dízimo separado da vida cristã.

Muitos vivem o momento do ofertório oferecendo com indiferença esmolas, deixando passar este momento importante de fé. Ofertar a Deus é entrar em profunda comunhão com Ele, pois ele mesmo é uma oferenda constante na vida de todos nós. Ofereceu-nos em primeiro lugar o dom da vida, depois nos ofereceu a sua própria criação (ervas, plantas, frutos, animais como nosso alimento) para prover todas as nossas necessidades. Ele nos deu rios, mares, as terras e os minérios, nos ofereceu as leis que conduzem a nossa felicidade e, além disso, tornou-se filho de “Adão”, oferecendo-se como sacrifício para remissão de todos os pecados da humanidade. Ofereceu-nos ainda o Seu Espírito Santo que inspira e instrui para a manutenção da vida.

Muito diferente do que se está acostumado a viver nos cultos, o ofertório não é um momento para “esmolas”, mas é um momento de consagração especial, que revela onde está nosso coração. Este momento é a nossa resposta que damos a Deus. Se o fazemos de coração, então as ofertas e os dízimos revelam proporcionalmente como desejamos desenvolver nosso relacionamento com Ele.

Como vivemos o momento do ofertório em nossos cultos? Muito longe dos cultos apelativos de dinheiro que estamos acostumados a ver, o ofertório num culto centrado em Deus é nossa resposta em gratidão que damos a Cristo. Aquilo que é entregue com fé, deve ser administrado com fé. Muito maior é a responsabilidade daqueles que gerem as economias que são acolhidas com fé. Então as causas locais serão supridas, as missões acontecerão e nossa ação social se desenvolverá. Tudo que é feito com fé e compromisso, sempre terá de Deus a sua aprovação e sua bênção.