sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

DÍZIMOS, OFERTAS E PARTILHA



A história nos conta que os dízimos e ofertas somente foram regulamentados após a libertação do povo de Israel das mãos de Faraó sendo conduzidos por Moisés no deserto. Esta regulamentação foi necessária para gerir a condição social e comunitária daquela nação. Esta norma fazia parte da Aliança entre o povo e o Senhor. A aliança seria respondida pelos israelitas em fidelidade, gratidão e reconhecimento.
Sem dúvida, devemos estar conscientes que toda a espiritualidade passa também pela maneira como administramos nossa vida, nossos planos, nossos bens e valores. Como vemos tanta gente dividida, passeando de igreja em igreja, revelando que elas estão interiormente divididas e sem um propósito objetivo em suas vidas. Estão a transitar entre a carne e o espírito, entre denominações e religiosidades, entre igrejas e comunidades. Isso revela a doença de seus corações e de suas almas. 
Quantos não vivem em condições de cativeiro: escravos do dinheiro, do consumo, do modismo. São prisioneiros da infelicidade. Outros não conseguem se submeter aos seus pastores, causando divisões e conflitos nas suas igrejas. Outros que já são pastores não conseguem pastorear suas igrejas porque somente pensam em dinheiro. Vivemos um cenário de vaidade e a espiritualidade é apenas uma realidade distante porque não é vivida por todos de maneira encarnada na vida, nos bens, nos valores que possuímos. Vivemos uma “ilha da fantasia espiritual”!
Devido a carnalidade e ao pecado temos a regulamentação da chamada “mordomia cristã” no Antigo e no Novo Testamentos. Estes princípios devem ser levados em consideração por cada um para que tenhamos balizamentos para a nossa relação com Deus. Foi assim com Israel e foi assim com os primeiros cristãos. Então os dízimos e ofertas bem como a partilha são métodos que Deus nos providencia a fim ajustarmos nossa espiritualidade que passa pelo que temos e pelo que somos. Estes meios materiais não são um fim em si mesmos, mas instrumentos para nos disciplinar quanto nossa vida cristã. O dízimo é ligado ao oferecimento e ao altar. É uma forma de gratidão que deve ser entregue como oferta ao Senhor. As ofertas, da mesma maneira, e a partilha são respostas que damos as necessidades daqueles que vivem em condição de precariedade e são alçadas por necessidades maiores. Por isso a Cesta da Partilha deve existir entre nós, para que saibamos dividir o que temos para a sobrevivência de todos. A fé é, sobretudo comunitária.
Então o dízimo, a oferta e os mantimentos da partilha quando doamos, o fazemos pela fé. Isso é uma questão de fé daquele que entrega, pois Deus não precisa de nosso dinheiro e de nossos bens, ele deseja ver em nós o quanto podemos disciplinar nossa espiritualidade por causa de nossa relação íntima espiritual com Ele.
O que estamos fazendo de nossa espiritualidade? Ela tem a ver com o que recebemos de nosso salário, ou o que você possui Deus não tem nada a ver com isso? Como estamos contribuindo? Como estamos consumindo os produtos? Por necessidade ou por modismo? Como estamos administrando os bens e o dinheiro que Cristo nos confiou? Estamos vivendo de maneira abastada e não sabemos mais distinguir se compramos por necessidade ou superfluamente? Não esqueça jamais que a vida espiritual passa pelo nosso “bolso” e pelo amor ao próximo. Há um ditado grego que diz: “Algumas pessoas são tão pobres que a única coisa que possuem é dinheiro”!                                                

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Transformando Olhos em Ouvidos

"Uma imensa ironia que nosso próprio trabalho resulte no abandono dele. No decorrer de nossas tarefas para executá-lo, acabamos por abandoná-lo. Mas lendo, ensinando e pregando as Escrituras, isto acontece: deixamos de ouvi-la e, conseqüentemente, minamos a intenção de colocá-la em primeiro lugar.

Ler a Bíblia não é o mesmo que ouvir Deus. Um não está necessariamente ligado ao outro, mas, muitas vezes, presume-se que sejam a mesma coisa. Os pastores, que passam mais tempo lendo as Escrituras do que a maioria dos cristãos (não em face da devoção, mas do seu trabalho), adotam essa opinião sem justificativa com freqüência alarmante.

Isso acontece tão comumente e de forma tão insidiosa que temos que estar alertas para analisar as maneiras pelas quais o ouvir a palavra de Deus vai-se tornando ler sobre a palavra de Deus e, então, com energia, recuperar nossos ouvidos, para que voltem a se abrir.

O interesse dos cristãos nas Escrituras tem sido sempre o de ouvir Deus falar, e não o de analisar notas morais. A prática comum é desenvolver uma disposição para ouvir - o ouvido absorto em vez do olho distante - ansiando por tornar-se ouvinte apaixonado da palavra em lugar de leitor frio da página. Mas é exatamente esse ouvir cheio de alegria e paixão que diminui, chegando, mesmo, a desaparecer, no decorrer do exercício do pastorado. Quando isso acontece, um dos ângulos essenciais que definem e dão precisão ao nosso trabalho se foi. 

Isso não ocorre porque os pastores repudiaram ou negligenciaram a Bíblia: o fato aparece no próprio ato de leitura das Escrituras. A leitura, por si só, é responsável pelo trabalho fatal.

Ouvir e ler não são a mesma coisa. Envolvem sentidos diferentes. Ao ouvir, usamos nossos ouvidos; na leitura, os olhos. Ouvimos o som de uma voz, lemos marcas em um papel. Essas diferenças são significativas e têm conseqüências profundas. Ouvir é um ato interpessoal, que envolve duas ou mais pessoas em razoável proximidade. 

A leitura envolve uma pessoa com um livro escrito por alguém que pode estar a muitos quilômetros de distância, ou morto há séculos, ou ambas as coisas. O ouvinte precisa de estar atento ao falante, e estar mais ou menos à mercê dele. Com o leitor, a situação é bem diferente, já que é o livro que está à mercê dele e pode ser levado de um lugar para outro, aberto ou fechado, de acordo com sua vontade, lido ou não. 

No momento em que leio, o livro não sabe se estou prestando atenção ou não. Quando ouço, a outra pessoa sabe muito bem se estou ou não atento a ela. Ao ouvir, outros iniciam o processo; na leitura, eu começo. Ao ler, eu abro o livro e presto atenção às palavras. Posso fazê-lo sozinho, mas não ouvir sozinho. Ouvindo, o falante está no controle; na leitura, quem controla é o leitor. 

Muitas pessoas preferem ler a ouvir, porque exige menos, emocionalmente falando, e pode-se adaptar a leitura de forma a atender às conveniências pessoais. O estereótipo é o marido enterrado no jornal, durante o café da manhã. Ele prefere ler as notícias do último escândalo em um governo europeu, os resultados das competições esportivas da véspera e as opiniões de alguns colunistas, que ele nunca vai conhecer, a ouvir a voz da pessoa que acabou de dormir na mesma cama que ele e preparou seu café da manhã, embora ouvir essa voz viva prometa amor, esperança, profundidade emocional e exploração intelectual, muito além do que ele consegue juntar nas informações de todos os jornais que lê juntos. Na voz dessa pessoa viva, ele tem acesso a uma história colorida, um sistema emocional incrivelmente complexo, e combinações de palavras nunca antes escutadas que podem surpreende-lo, comovê-lo, agradá-lo ou irritá-lo: sendo qualquer dessas opções mais atraente para um ser humano vivo do que reunir algumas informações, das quais nenhuma, ou poucas, terão qualquer impacto sobre a vida daquele dia. 

Dessa forma, a leitura não aumenta nossa capacidade de ouvir. Em alguns casos, diminui". (Eugene Peterson)

sábado, 16 de fevereiro de 2013

PROCURO UM HOMEM




Em sua época Diógenes, um filósofo grego, andava durante o dia em meio às pessoas com uma lanterna acessa pronunciando ironicamente a frase: “Procuro um homem”. 

Hoje estou procurando um homem, mas não acho. Não estou encontrando. Estou na busca de alguém que verdadeiramente esteja vivendo sua natureza e sua essência do modo mais humano..., mas está difícil.

O homem que encontro está escravizado pela agenda, pelos planos, pelos projetos, pelo sistema da vida, pelos compromissos, pelos problemas que ele mesmo criou para si e para os outros. Encontro um ser “religioso”, mas não espiritual, encontro um ser “sociável”, porém não fraterno, encontro um ser “sabido”, porém não sábio, encontro um ser “manipulador”, porém não reverente, encontro um ser “egocentrista”, porém não altruísta, encontro um ser “cheio de deus”, mas vazio do homem.

O homem que aí está, vive rodeado de coisas e pessoas, mas não consegue viver como Homem, porque não possui mais tempo para conhecer aquele que é o “Homem e Deus Verdadeiro”, sua matriz, sua origem, seu modelo e sua imagem. O homem que encontro não tem tempo para pensar nEle, de conviver com outros homens que também possam estar pensando nEle para transformarem a sua essência.

Procuro um homem que em sua natureza esteja comprometido com Jesus Cristo, não pela igreja, pela denominação, pela associação, pelo ministério, pelas hierarquias de poder. Procuro um homem que seu compromisso não seja apenas de agenda, de protocolo, de filantropia, de auto-endeusamento. Estou à procura de alguém que esteja identificado com o conteúdo de um relacionamento profundo. Estou em busca de alguém que ao se envolver com o Deus-Homem, por querer viver a vida deste, viva intensamente sua humanidade por que convive, conversa, sente, e contempla visceralmente aquele que o criou. Que viva Deus tão de perto, que possa viver perto dos homens.

Não há como achar este homem até que eu encontre alguém que viva de coração aberto para o Homem-Deus, contemple Aquele que nasceu como um homem, viveu como um homem, morreu como um homem, mas aprendeu a ser gente da forma mais humana que se confundia como Deus. Hoje sou desafiado a viver assim e continuar a procura de pessoas que saibam ser “gente plenamente” por estarem vivendo tão perto de Deus.  

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

AVIVAMENTO URGENTE


Por que os crentes da igreja embora saibam que os cultos na igreja são periódicos, não aparecem para os estudos bíblicos e nem para as orações?


Quando perdemos a vontade de estar juntos e estudarmos a Palavra de Deus com paciência, necessitamos de um avivamento. 

Não o avivamento que gera o sensacionalismo e emocionalismo, a gritaria e a histeria, mas o lado interior da mudança. 

Não o avivamento irresponsável que somente se caracteriza pelos cultos neo-pentecostais. 

Isso não é avivamento, é "circo". O verdadeiro avivamento não faz do púlpito um picadeiro.

Decididamente, precisamos de um avivamento do Espírito Santo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

CARTA DO MISSIONÁRIO ZÉ DILSON - PRISIONEIRO DO SENHOR


Queridos e mui preciosos irmãos,

Como sabem hoje dia 06, estão fazendo 90 dias que estamos presos por causa da Palavra da Verdade, por causa do Caminho que seguimos e daquele em quem cremos. Temos certeza, porem que a nossa aflição neste tempo esta muito longe se comparadas as aflições que Jesus passou por nos. Bendizemos e louvamos ao Senhor porque estas singelas aflições tem servido para a salvação de vários prisioneiros, bem como temos testificado a muitos do Seu Senhorio sobre tudo e todos. Temos tido oportunidade de distribuir centenas de Bíblias folhetos e Novos Testamentos. Ha muitas historias e experiencias a contar. Sei que terei muito para compartilhar com cada um.

Ja por 31 anos tenho compartilhado das boas novas do Evangelho, nao so no Brasil, mas ha 22 anos aqui em Africa. Agora este Procurador e Juiz me deram um novo publico. Fui acorrentado (não literalmente mas preso juntamente com) a pessoas que eu jamais teria acesso a compartilhar-lhes em uma outra situacao. E com certeza eu jamais escolheria estar aqui por minha livre e espontanea vontade. Porem, durante estes tres meses aqui, tenho visto muitos experimentarem a nova vida e outros o estar duplamente livres(que alegria!!!). Oremos para que a Palavra pregada encontre guarida nestes coracoes sedentos, e que nem os "passaros", nem os "espinhos", nem as "pedras", facam esta semente ser destruida, mas sim que a seu tempo o Senhor possa dar o crescimento.

Nos dias mais angustiantes, o Senhor nos da forcas(falo por mim, mas tambem pela irma Zeneide) para continuar encorajando, continuamos a orar, alimentar e vestir varios outros que passam por aflicoes ainda maiores que as nossas, com o agravante que nao sabem a quem recorrer. O nosso consolo e que temos um Cristo algemado juntamente conosco (Ele e soberano e livre, no entanto me refiro ao fato dele estar presente conosco todos os dias e em todos os momentos) e me mostra isso de muitas maneiras, mesmo atraves do amor dos irmaos que vem de tao longe para nos visitar as segundas e sextas feiras, mesmo que seja apenas por 5-10 minutinhos.

Sinto Jesus me falando que esta comigo atraves de cada frase enviada, cada e-mail, cada palavra de encorajamento no facebook, cada oracao, cada prato de comida ou guloseima enviado, cada contribuicao manifestacao de nos ajudar nas despesas gerais que estamos tendo, e mesmo a ajuda na construcao da nova cela para ajudar outros presos para serem tranferidos e aliviar seu sofrimento de nao poder dormir(tenho 45 pessoas em minha cela e so tenho 30 cm de espaco para dormir imaginem a cela do mesmo tamanho com 200 presos, e quase impossivel imaginar o sofrimento destes homens).
Esse amor tem impactado toda a prisao e ate o tribunal, pois o juiz mencionou o fato de recebermos tantas visitas. Tem estado impressionado.

Tenho pedido ao Senhor que essas algemas sirvam de consolacao para cada um que tem participado e orado por esta causa que isto os ajude tambem a valorizar mais Jesus e sua presenca em vossas vidas e que voces possam usufruir muito mais do seu amor, presenca e sua paz, que nao depende das circunstancias. Facam conhecidos a cada um que se aproximem de voces esse grande amor de Jesus, e sintam-se privilegiados por sofrerem por este Nome.

Posso afirmar que minhas prisoes tem sido conhecidas desde o presidente da Republica ate ao varredor de rua. Os jornais publicaram que eu e Zeneide somos uma dupla diabolica, e por estar estampado nas paginas de dois grandes jornais do pais, e nas radios locais, passamos a ser odiados por toda a nacao. Porem todos que tem tido contato conosco, sempre nos falam: Voces sao pessoas de Deus, outros dizem: Essa prisao nunca mais sera a mesma depois da passagem de voces por aqui.

Um apos outro dentro de minha cela, aos poucos foi me conhecendo, ao compartilhar comida, frutas, medicamentos, todos ficaram impressionados e comecavam a dizer: Mas porque voce faz isso? Voce compartilha comigo? Voce lembrou de mim?

No Natal pedi a Marli que comprasse uns pequenos presentinhos para poder dar a esses homens para dar aos seus filhinhos. Nem esposas, nem filhos podem esperar nada de seus pais presos. Nao posso expressar a alegria que sentiram ao receber aqueles presentinhos. Que bom, que felicidade em poder compartilhar com aqueles que nao tem.

Eu divido meu colchao de 30 cm de largura com um outro senhor. Nos tinhamos dois colchoes, um por cima do outro, pois nao ha espaco. Nosso colega da frente tambem tinha dois, no entanto ele estava sofrendo dores terriveis nas costas e nao conseguia dormir, assim sendo me pediu um dos meus colchoes. No mesmo momento me pus de pe e lhe dei o meu. Agora durmo com meu colega num colchao de 2,5 cm de altura, o outro esta servindo ao meu outro colega, permitindo-lhe que durma melhor. Deus seja louvado!Tenho sentido o Senhor afofando meu colchao.

Houve dias que compartilhei da minha comida com 12 outros presos, e sabe do melhor: nao perdi nenhum quilo. Dois prisioneiros italianos que foram libertos, ficaram tao agradecidos por toda a ajuda que lhes dei, todo encorajamento, as oracoes, que ao partirem me enviaram queijo, salame e outras guloseimas. Daqui a pouco 43 presos vao experimentar um pouco desta bencao.

Estou compartilhando estes detalhes para te encorajar a nao desanimar com coisa alguma. Nao importa o tamanho da luta que voce esteja enfrentando, saiba que Jesus esta com voce, passando pela dificuldade, ate a hora da libertacao. Busque-o, ame-o, gaste tempo com ele, seja intimo dele, e o sofrimento nao sera nada, Ele sera tua ancora segura, a tua salvacao, aquele que atua e trabalha pelos seus. Seu santo nome sera glorificado!

O juiz quando estava me questionando finalmente disse: Voces nao sao associacao de malfeitores. Estamos juntos. Pois disse: voces estao ajudando criancas em situacao de risco. Quando ele ouviu as criancas ficou ainda mais impressionado com a mudanca de vida que estamos proporcionando a cada uma delas. Um advogado falou: Essas criancas vivem melhor do que a maioria de nos e apos me disse: Voce pastor, merecia ser condecorado pelo que faz em nosso meio e por estas criancas, nao estar na prisao! Esperamos que realmente a justica e a verdade prevalecam!

Essa prisão não pode me deter, nem pode deter meu Cristo e o seu Evangelho, ao contrario, desperta em mim mais amor e paixão por esta obra e pelo meu Mestre. Tenho meu coração agradecido a todos vocês que de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente estão aprisionados conosco. Obrigado mais uma vez por todo o carinho, orações e mesmo contribuições. Que o Senhor os bendiga e lembre também de suas aflições e os alivie de todo o sofrimento pelos quais possam estar passando ainda que por minimo que seja, bem sei que Ele tem prazer em ajuda-lo.

Recebam nosso abraco bem apertado. Que o nosso bom e maravilhoso Senhor os console e faca-os sentir Sua presença convosco.
Orem pela sexta-feira(dia 09/02) quando um pai que pediu que seu filho pudesse ser beneficiado pelo projeto sera ouvido. Também na segunda, dia 11 finalmente sera depositado o pedido de habeas corpus.

Pelas marcas de Cristo.
Vosso prisioneiro,
Rev. Jose Dilson ou "Ze"

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

REDESCOBRINDO A MISSÃO EM TEMPOS DE CONFUSÃO


TEXTO: 2ª Timóteo 3.8-4.4

Vivemos tempos de crise sem limites, seja na política, na sociedade e também nas igrejas. Há uma confusão teológica e na espiritualidade das pessoas. Na igreja com toda a tecnologia a favor, muitos se tornaram “experts” em fazer as igrejas crescerem. Nunca fomos tão pragmáticos como agora. O neopentecostalismo assusta as igrejas históricas e todos chamam para si a “unção divina” como razão para justificar seus planos missionáriosque se parecem mais com planos de mercado corporativo.


Não temos dúvidas que o Cristianismo é uma das três grandes religiões missionárias do mundo, seguida pelo Islamismo e pelo Budismo. Porém a obra missionária ocidental vive também uma crise, por que perdeu suas motivações mais relevantes para fazer missão. Por exemplo, no final do século 20 havia uma enxurrada de agências missionárias que davam por certo que a volta de Cristo era iminente por que o século estava se findando. A partir de meados dos anos 80 até o raiar do ano 2000 não se falava em outra coisa senão em “Batalha Espiritual”, “Demônios territoriais” e “Avivamento”. Hoje não ouvimos mais estes temas. Alguma coisa aconteceu.

Estamos vivendo o século do Consumismo sem limites. Até mesmo na religião. Assim como nós vamos ao mercado para consumir os produtos que ali estão assim fazemos com a fé e com nossa vida religiosa. Nunca apareceram tantas obras escritas sobre fé, auto-ajuda espiritual, vida vitoriosa e prosperidade, como agora. Vivemos sim meus irmãos um tempo de pluralidade religiosa misturada com o ensino de prosperidade. “Por que a vida tem que dar certo”.

Para somar a esta confusão, somos não somos mais do que produtos nas igrejas-evento. Me lembro muito bem quando cursava o Mestrado em Teologia, que no meio de sua aula, trabalhando sobre a disciplina de Métodos e Estratégias Missionárias, o Dr. Antonio José do Nascimento Filho usou de uma frase magistral para definir o momento que a igreja brasileira estava passando. Ele afirmava: “A igreja nasceu como um fato na Palestina, foi para a Grécia e tornou-se uma idéia, veio para a Europa e Estados Unidos e tornou-se  um empreendimento e depois aportou no Brasil e tornou-se em um evento”. Nada na igreja brasileira se consegue senão por meio de eventos. São eventos para adorar a Deus, são eventos para evangelizar, são eventos para orar. Perdemos a noção do comum, da vida comum, da comunidade, do cotidiano e não mais vivemos como cristãos normais em nossa vida comum e simples. Hoje para o Espírito Santo agir temos que nos envolver em algum programa-evento.

Precisamos voltar os olhos para a Palavra de Deus, não apenas para a Escritura. Precisamos redescobrir a Palavra de Deus a partir da Escritura, pois os movimentos que aí estão, usam a Bíblia, interpretam a Bíblia, contudo não conseguem extrair dela e fazer dela a verdadeira palavra de Deus e assim abafam a mensagem do evangelho, da graça, do perdão, da restauração e da verdadeira vida em Cristo.

O que nos ajuda no meio de toda esta confusão é olhar para a história. A história nos ensina e nos ajuda a não repetir os mesmos erros que foram cometidos no passado, e retirarmos princípios para vivermos nosso presente. Não devemos e nem vamos repetir a história passada, mas vamos aprender com o Deus que se revela na história.

Precisamos de novo redescobrir a Escritura como Palavra de Deus na vida das pessoas e no meio deste caos urbano.
        
O século 18 foi o grande século da obra missionária europeia. Não vamos aqui comentar todas as razões que motivaram as missões naquela época. Mas houve entre o século 17 e século 18 alguns movimentos religiosos que chamamos de “propulsores” para o grande século das missões. Quem trabalha muito bem este assunto é o Dr. Paulo Pierson, ex-diretor de nosso seminário que vive hoje nos Estados Unidos.

Para que William Carey aparecesse como o Pai das Missões Modernas, pelo menos 4 movimentos anteriores prepararam o grande século missionário. O Puritanismo na Inglaterra e Estados Unidos, O Pietismo na Alemanha, o Moravianismo na Boêmia e o Metodismo também na Inglaterra. Todos eles lançaram as bases para a ação das Missões Modernas a partir de William Carey.

E aí está o ponto onde queremos chegar: O que estamos fazendo hoje irá reverberar nos anos posteriores.

Gostaria de correlacionar algumas ênfases do apóstolo Paulo ao seu discípulo e pastor Timóteo com os princípios destes movimentos para que pudéssemos sorver o que Deus, em minha concepção, está desejoso que sua igreja hoje possa fazer para continuar a preparar pessoas para o Reino que há de vir.

Olhando para os versículos que lemos, precisamos redescobrir 4 áreas da vida que estão marcadas pelas ênfases de Paulo a Timóteo.

1.   Precisamos urgentemente redescobrir a Vida Piedosa (3.10-12).

“Tu, porém, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança, as minhas perseguições e aflições, quais as que sofri em Antioquia, em Icônio, em Listra; quantas perseguições suportei! e de todas o Senhor me livrou.  E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições”.

A piedade sempre foi o ponto marcante dos cristãos dos primeiros séculos. O evangelho de nosso Senhor vivido por ele e ensinado pelos apóstolos e pais apostólicos nos mostra que não podemos nem ensinar e nem viver sem esta essência da vida espiritual.

Piedade envolve a oração e oração incessante, a prática das boas obras de modo despretensioso e uma vida que busca ser parecida com Nosso Senhor.

A Vida de oração e a prática desta piedade era a vida do Pietismo. Esse movimento que enfatizava a oração e a prática das boas obras surgiu com o pastor Phillip Jabob Spener e o  professor August Franck e se desenvolveu de fato entre estudantes da universidade de Halle.

Mas o que Spener e Franck fizeram? Foram buscar nos anais da história entre os “pais do deserto” dos primeiros séculos a essência da espiritualidade, por que depois de quase 200 anos a igreja luterana estava morta e fria. O centro da Reforma Protestante do século 16 estava vivendo sua maior aridez. 

 

Paulo afirmava a Timóteo que ele estava seguindo o seu ensino, a sua conduta, o seu propósito, a sua fé, a sua paciência, o seu amor, a sua perseverança, e as suas perseguições e sofrimentos e mais, dizia a Timóteo que todos os que desejassem viver piedosamente em Cristo Jesus seriam perseguidos.


O exemplo do Pietismo deve ser levado em conta se pensamos em uma igreja que deve continuar a fazer sua missão. A exegese da palavra “Piedade” é “viver a vida de Deus em Cristo”. É viver como Cristo, é agir como Cristo, é orar como Cristo. Cristo é nosso modelo para tudo. Paulo revela-nos que Piedade tem a ver com estas virtudes. E consequentemente viver a vida de Deus como Cristo viveu trará por certo as duras consequências de uma vida assim. Precisamos voltar a viver assim e ensinar isso em nossas igrejas e comunidades. Não vamos viver do jeito dos pietistas, por que eles souberam viver naquela época. Precisamos aprender viver esta piedade dentro de nossa história e de nossa vida hoje.

Aqui também nos lembramos do Moravianismo, quando os que moravam na Morávia, pela intensidade da oração e da vida piedosa tornaram-se o modelo para as missões do século 18. Era a oração e sua intimidade com Deus que determinava os encontros de oração que duraram pelo menos 100 anos, e enquanto duravam estes 100 anos de oração, os morávios enviaram seus missionários para todo o mundo. Não dependia de eventos e programações, mas de uma vida piedosa marcada pelos encontros íntimos com Cristo, com o Espírito Santo e com a vida comum de todos ali.

2.   Precisamos urgentemente redescobrir a Vida Disciplinada = 3.14-17

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a infância sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em Cristo Jesus. Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra”.

A pergunta que faço aqui é: “A nossa agenda determina nossa credenda”? De jeito nenhum. Mas é isso que está acontecendo. Vivemos nossa espiritualidade dependendo das demandas que temos para fazer.

Parece que quando os seguidores de John Wesley, os metodistas começaram a viver sua fé dentro da igreja anglicana, eles pensavam em uma fé disciplinada, pela oração e pela leitura das Escrituras. A vida de oração determinava a vida cotidiana.

Nosso Senhor em João 4.34 afirmava aos seus discípulos: “minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra”. Seu relacionamento com o Pai determinava o que ele deveria fazer. Sua intimidade com o Pai era o que determinava sua vida, sua oração e seu tempo. A oração como elemento da comunhão incessante revelava-lhe a vontade do Pai.

E de fato precisamos urgentemente re-ensinar e re-viver a vida disciplinada. Os exercícios espirituais, a hora de oração, a volta a intimidade.

Os metodistas souberam viver isso num ambiente onde naquela época a igreja institucional era apenas o “Bôbo da Corte” do reino inglês. Onde tudo era aceito e homologado sob as vistas do anglicanismo. Apesar de alguns homens sérios daquela época, o povo começou a ser influenciado pela necessidade de um retorno aos exercícios espirituais que faziam bem a alma e colocavam a alma torta do povo em posição reta diante de Deus.

Precisamos aprender a viver uma vida espiritual mais disciplinada. Não vamos viver o que os metodistas viveram naquela época. O contexto histórico deles nada tem a ver com nosso contexto. Precisamos sim aprender com os seus princípios. Precisamos ensinar nossos crentes a resgatarem a vida mais disciplinada, mais metódica, mais reorientada. Nossa agenda deve correr atrás de nossa credenda.

3.   Precisamos redescobrir urgentemente o Ensino Fiel  = 4.1-4

“Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino; prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas”.

A palavra de Deus sempre foi o centro e o manual para os primeiros Cristãos. Sem ela não podemos conhecer os atos de Deus na história, sem ela não podemos nos conduzir, ela é a razão de estarmos aqui hoje.

Porém não basta andarmos com a Bíblia na mão. Os heréticos também andam com a Bíblia na mão. Devemos ter o cuidado de tornar a Bíblia como a Palavra de Deus, interpretando-a e ensinando-a como Paulo conjurava a Timóteo.

O puritanismo observava a Bíblia como o centro da vida e não devemos fazer diferente. Ademais os seus pecados e algumas de suas interpretações equivocadas, nós devemos aprender a retirar os princípios do movimento e fazer que a Bíblia seja de fato a Palavra de Deus, a mensagem de Deus para nós hoje.

Não vamos voltar aos Puritanos, eles tiveram sua relevância e sua história. O que devemos fazer é buscar ensinar a Palavra de Deus a começar de Jesus, que é a ‘Viva Palavra’ de Deus. Nele corporalmente reside toda a mensagem da Palavra divina.

Por isso Paulo dizia que Timóteo deveria proclamar, admoestar, repreender, exortar, consolar e aconselhar. Por que haveria tempo que as pessoas não suportariam o ensino sadio da palavra de Deus e ajuntariam mestres para si mesmos dando ouvidos aos mitos e as fábulas.


A igreja precisa ser purificada pelo ensino correto da Palavra de Deus. Devemos pregar o evangelho da Graça de Jesus Nosso Senhor e não meramente regras e normas de boa conduta.

Concluindo,

O que estamos deixando para as gerações posteriores? O que estamos plantando no meio desta pluralidade de sementes que estão sendo semeadas nas vidas de nossas igrejas e famílias?

O grande desafio da igreja para nossos tempos confusos é voltarmos a fazer o que deve ser feito, dentro de nossos contextos, resgatando a Piedade na vida, a Palavra de Deus de modo fiel e a busca por uma vida mais disciplinada e reorientada.

Não podemos abrir mão destes fundamentos pois se o fizermos negaremos o próprio Cristo. Estes fundamentos foram os responsáveis para as Missões Modernas a partir do século 18. O grande século das Missões Protestantes se valeu de acontecimentos e movimentos na Europa e Estados Unidos para que o mundo recebesse o evangelho por meio das atividades missionárias naquela época.

E nós? Que estamos fazendo para promover a missão para os próximos anos? A partir de quais fundamentos ela será promovida? O que será que o Espírito Santo fará através de sua igreja? Será a partir de nosso racionalismo teológico? Será a partir de nossas condições econômicas? Será a partir do uso das tecnologias que estão ao nosso dispor? Será a partir da vida marcada pelos eventos e programas?

Sem duvida, tudo será e deverá ser usado por nós. Mas somente a vida piedosa, a oração, a vida disciplinada e a interpretação e ensino sadio da palavra de Deus poderão causar impactos na vida de tantos jovens e pessoas que no passado não ousaram entregar suas vidas para que o evangelho e a igreja fossem relevantes e impactantes nos séculos em que viveram nossos ancestrais.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

OS LAÇOS DOS PASSARINHEIROS



Em nossa vida vamos encontrar muitas situações de alegria e paz, contudo não podemos nos esquecer de que ela possui também seus engodos e seus enganos, suas tentações e seus laços. Um deles é o que a Bíblia chama de “laço do passarinheiro”.

Uma figura que nos traz a mente as armadilhas e os alçapões usados pelos caçadores atrás de suas caças. O laço do passarinheiro é um termo usado no Antigo Testamento para exemplificar o modo como o Salmista via seus inimigos e adversários, prontos para matá-lo. Trazendo para nosso tempo, o “laço do passarinheiro” - na verdade - pode ser considerado toda à situação ardilosa como as armadilhas, tentações, chamadas e provocações que pessoas e mesmo o inimigo de Deus nos propõe com o intento de conseguir arruinar, prender, escravizar e matar, destruindo-nos. 

Há muitos que se deixam prender pelos “laços dos passarinheiros”. Há muitos que em troca de suas “iscas” acabam por perecer dentro de um alçapão. E nestes últimos dias, vimos um laço de passarinheiro que “deu certo”.

A tragédia de Santa Maria foi uma armadilha muito bem montada para arrastar 235 vidas para a morte. Em troca do prazer sem limites, 235 jovens foram presos e arrastados para o fim. Eram jovens, tinham todo um futuro pela frente, mas que encontraram a morte num alçapão chamada “boate”. Para que isso ocorresse, outros laços de passarinheiros foram montados e ainda permanecessem. A juventude levada pela música, pelos desejos e paixões, pela fama, pelo prazer sem limites, não se dá conta dos perigos e riscos que estes laços oferecem. O sistema político vigente e o consumismo revelado pela Mídia, as casas de shows sem qualquer fiscalização, seus os proprietários vorazes pelo dinheiro e as bandas, pouco estão se importando com a tragédia. Estão preocupados com o dinheiro e com muito dinheiro, seja na oferta dos shows para entreter os jovens “passarinhos” seja para corromper o poder público que se deixa levar pelo vil metal.

Nestes dias, os laços estão armados. Os meios de comunicação estão oferecendo-os e cabe cuidar para que nem você, nem os seus, fiquem presos em nenhum alçapão da morte. As drogas, o sexo fácil, as possibilidades hedonistas são irrestritas. Como nossos filhos estão reagindo a isso? Quantos adolescentes e jovens se deixam levar pela bebida que leva a droga, que leva a uma vida escravizada eternamente?

Cuidado com os passarinheiros e seus laços. Na verdade, não são eles os responsáveis por tragédias. Somos nós mesmos, como já avisava São Tiago: “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ter se consumado, gera a morte. Meus amados irmãos, não se deixem enganar. Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes. Por sua decisão ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou”. (1:14,16).

Choremos os jovens mortos, oremos por suas famílias, mas, cuidemos espiritualmente uns dos outros para que não caiamos nas redes e nem nos alçapões armados, mostrados pela Mídia e pelos seus inventores de fantasias. Nestes tempos apocalípticos lembremo-nos das palavras do livro profético: “Continue o injusto a praticar injustiça; continue o imundo na imundícia; continue o justo a praticar justiça; e continue o santo a santificar-se”. “Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”. (Apocalipse 22.11-13).