sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

“NATAL DESNATADO”

“Guarda o depósito que te foi confiado, por meio do Espírito Santo que habita em nós” (Paulo a Timóteo, II – 1,14)
Nosso tempo se caracteriza pelo esvaziamento dos conteúdos. Nossa sociedade enaltece e honra os que têm aparência, mas não tem essência. Somos a cultura da música que balança muito, mas não encanta nada. Somos um mundo de modismos que vai do sapato que usamos até o penteado que fazemos. Enfim, nossa cultura é a cultura do vazio. 

No que se diz respeito a manutenção dos costumes e da história o mundo ocidental tem perdido as tradições, os ritos de passagem e as cerimônias que fazem parte da natureza do ser humano. Logo, estamos nos desumanizando com tanta rapidez que não damos mais o devido valor a nada, por que não há mais nada de valor em que fazemos. Não há mais conteúdo.

Assim são as festas, assim é a religião. A religião que se vive não é religião. É uma confusão de ideias e a cada instante os que dominam a religiosidade do povo tem que inventar algo diferente porque a sociedade é impaciente e logo perde o “afã” pelas coisas e pelos acontecimentos. Os pregadores agora devem ser animadores de auditório a fim de atrair outros pela novidade. 

As festas religiosas como o Natal também passa pela mesma necrose. Há muito que ele já morreu, dando lugar meramente às motivações comerciais. As igrejas evangélicas já não falam dele e nem mais o querem celebrar. Não possuem lastro histórico e o consideram como uma festa mundana qualquer.

A igreja cristã primitiva e dos pais apostólicos ensinava a preservar a celebração da Encarnação de Deus. O apóstolo Paulo ensinava ao seu discípulo Timóteo a preservar o depósito da fé, as tradições que alimentavam a alma e que geravam a esperança no coração da igreja. 

Hoje somos desafiados a guardar a celebração da Encarnação de Deus como o grande acontecimento da vida para toda a humanidade. Deus se fez gente. Encarnou-se, veio para viver o que ele nunca havia experimentado antes: ser humano, plenamente humano a fim de humanizar o que homem desumanizou. 

Nestes dias, preparemos nossos corações para exaltarmos e glorificarmos ao Filho de David que é ao mesmo tempo o Filho de Deus. Aquele que abriu mão de sua glória e se esvaziou, tornando-se semelhança de homem e tendo assumido a forma de escravo foi obediente até a morte e morte de cruz. Exaltemos aquele que embora possuindo a imortalidade se fez mortal a fim de que recebêssemos a imortalidade pela fé. Alegremo-nos pelo Natal condensado, rico e verdadeiro e abandonemos o Natal que embora tão pomposo e cheio de glamour não passa de um "natal desnatado".

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