quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

MOISÉS, JESUS E YASMIN


“Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem”. (Mat 2:18)

Em nossa Sociedade o Natal não é apenas tempo de muita comida e bebida sem sentido, mas também de expressões sem sentido, palavras sem sentido e manifestações inócuas. Vivemos a Era dos eventos insanos e também histéricos. Há muita gente que celebra o Natal sem razão de ser, sem sentido algum. Alguns usam o período natalino até para cometer os atos mais desumanos e monstruosos que revelam o quanto, sem o Natal verdadeiro o “ser humano” é um “humanóide hedonista”.

Os primórdios destes atos monstruosos toma lugar no Egito Antigo quando do nascimento do grande libertador do povo de Israel. Devido ao crescimento numérico dos filhos de Israel no Egito, o Faraó decide exterminar todo menino que nascesse dos hebreus, por receio de que o povo que vivia escravo se tornasse mais forte que os egípcios. Por medo, Faraó mata milhares de crianças, mas por intervenção divina Moisés, um menino recém-nascido jogado às águas do Rio Nilo é resgatado pela filha do Imperador. É salvo, e torna-se conhecedor de toda a ciência egípcia e o grande libertador de Israel.

Belém tornou-se também um lugar controverso. A noite de Natal trouxe fé, paz e esperança, Jesus, filho de José e Maria, o filho de Deus acaba de nascer. A festa envolve a terra e o céu. Todavia, a alegria é trocada pelo pranto e desespero. Assim como Moisés, o grande libertador de Israel foi salvo de um infanticídio, Jesus Cristo foi poupado da insanidade de Herodes, o Tetrarca. Cheio de ira e tomado de medo, o incapaz rei extermina todas as crianças daquela pequena vila. Jesus é salvo, quando em sonhos José é avisado previamente e tomando Maria fogem para o Egito a fim do Menino-Deus ser guardado do Maligno. O evangelista Mateus, faz questão de registrar este fato em analogia a Moisés. 

Mas Yasmin, não teve a mesma sorte. Yasmin foi encontrada morta na segunda-feira dia 09/12, em uma obra, um dia após ter saído da casa da avó para ir até a feira onde a mãe estava trabalhando. No entanto, a menina não chegou ao destino. Após o sumiço, familiares e policiais chegaram a procurá-la, mas não a encontraram. Isso se deu em Catalão, uma cidade de porte médio no estado de Goiás. Não houve um "anjo", não houve uma "princesa" que a resgatasse das mãos do terrível estuprador. Juntamente com ela o Natal também se reveste de tristeza e dor, de indignação e crueldade. Yasmin é mais um caso perdido em uma Sociedade que banaliza vida e os que dizem acreditar no Menino-Deus se calam diante das atrocidades.

Para nossos dias, portanto, o Natal somente tem sentido se continuarmos crendo que por causa do amor a humanidade, Cristo se deu por todos, e num misto de esperança e senso de justiça, foi o menino Jesus poupado quando criança, porém cruelmente morto pela insanidade dos líderes políticos e religiosos que preferiram dar cabo de sua vida do que se submeterem a lei do amor que Ele plantara. 

O Natal somente faz sentido se como cristãos, continuarmos a lutar por justiça social e política, elementos que estarão presentes no Novo Reino do Messias, o Cristo. Enquanto a igreja cristã continuar subserviente ao Estado, aos líderes manipuladores das grandes massas religiosas, ainda muitas Yasmins continuarão morrendo tragicamente porque não tem havido fome e sede de justiça por parte de muitos que se dizem crentes em Cristo.

Natal não é somente festa, é tempo de rededicação e de compromisso com o Reino factível e verdadeiro, que rompe com as amarras da injustiça e da escravidão moral e da insensibilidade massificante. Natal só será Natal se fizermos mais do que apenas visitarmos os templos religiosos para nos desincumbir de nossos sentimentos de culpa, por não termos “tempo” para estendermos as mãos às Yasmins de hoje que morrem pela banalização da vida, seja no Brasil, seja em qualquer parte deste mundo.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

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