quinta-feira, 14 de novembro de 2013

LONGE DO OLHOS, LONGE DO CORAÇÃO



Conta-nos uma das parábolas de Nosso Senhor que havia um “homem rico” e todos os dias vivia na luxúria e das coisas boas da vida. Mas fora de seu portão vivia deitado um mendigo, chamado “Lázaro”, todo coberto de úlceras, o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico, e os cães vinham lamber-lhe as feridas. O mendigo morreu e foi para o Paraíso e o “homem rico” foi para o Hades. Alguns acham que nesta história o fim do “homem rico” foi cruel porque ele possuía muito dinheiro e o mendigo foi para o céu porque era pobre. Ledo Engano. O “homem rico” não tinha olhos para ninguém a não ser para ele mesmo, sua fé era egocêntrica e seus pensamentos orbitavam em torno dele mesmo. 

Nesta semana os meios de comunicação anunciaram que um dos maiores tufões da história varreu as Filipinas. Milhares morreram e milhares ficaram sem casas. A mídia televisiva que geralmente é norteada pelos países ricos, pouco fala sobre isso, pois não estão interessados nos problemas dos países pobres. Quando estes mesmos problemas abatem os países ricos que estão além da “linha do Equador” a comunidade mundial lamenta-se incansavelmente e assim as orações e a assistência dos crentes parece incansável. No fim, somos mais dirigidos pela Mídia Elitizada do que pelo amor desinteressado. Nosso interesse pelos problemas dos outros só é importante quando temos algo a ganhar com a solução destes mesmos problemas. O que pensar sobre os problemas que abatem a Síria, o Sudão e a Etiópia, a seca que aflige o Sertão Nordestino e os drogados ao lado de minha casa? Eles parecem não serem tão interessantes quanto os problemas estéticos da residência de nosso vizinho mais rico. 

O que quero apontar é de que nós sofremos e oramos apenas por aqueles que nos interessamos. Portanto necessitamos aprender a ver em todos e em tudo motivos para nossa oração despretensiosa. Orar e agir despretensiosamente são parte da vida do verdadeiro cristão, daquele que como Jesus Nosso Senhor via a todos como “ovelhas que não tem pastor”. Que também estejamos atentos para que não sejamos levados pelas vozes da mídia elitizada que nos engoda.

Nossa fé deve ser a fé que considera a todos: pobres e ricos, que ora por todos, mas que também presta assistência a todos. Que o espírito do “homem rico” seja extirpado de nosso coração e que nossos olhos sejam iluminados não pela fantasia do demônio, mas pelo amor de Cristo que nos leve a sairmos de dentro de nós e nos torne instrumentos da graça que não escolhe a quem ajudar, por quem orar e a quem amar.

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