sexta-feira, 18 de outubro de 2013

DEUS FALA NO SILENCIO



“... Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som. Mesmo assim por toda terra se faz ouvir a sua voz até aos confins do mundo”. (Salmo 19.4)

Ainda me lembro, em minha adolescência, de quando ia ao sítio com meu pai para comprar leite no fim da tarde, gostava de sair de perto dele e ir “ouvir o silêncio”, por entre as árvores do sítio. Era algo tão bom, por que estava certo que isso me “alimentava”, mas era por pouco tempo. Logo que meu pai acertava a compra tínhamos que voltar para a cidade e isso já era noite. A cidade sempre foi para mim sinônimo de barulho, ruído e desordem. No princípio, o mundo foi criado por Deus no silêncio e o ser humano foi criado sem nenhum barulho. 

Contudo, vivemos no meio de uma Sociedade barulhenta e ruidosa. Somos envolvidos pela ideia de que o silêncio é consequência da ociosidade, da preguiça e da ignorância. Esta ideia também passa pelas igrejas de hoje e está presente na vida dos cristãos. Para que haja um “ambiente divino” nos cultos, muitos pensam e pregam que devemos fazer muito barulho como se isso fosse sinônimo da presença de Deus. 

Precisamos retornar urgentemente ao silêncio. Os pais apostólicos da Igreja Antiga entenderam, praticaram e ensinaram o silêncio. O silêncio é o único ambiente onde Deus se faz presente. Precisamos silenciar a nossa boca. As Escrituras Sagradas nos revelam que guardar silêncio é sinal de sabedoria. Quando aprendemos a silenciar, revelamos sabedoria. O muito falar está em muito pecar. Nossa tagarelice nos condena. O diabo trabalha com uma tempestade de ideias e muito barulho.

Mas além de calar nossas palavras, precisamos aprender também calar a nossa alma. O silêncio da alma revela uma vida estável e moderada. Uma alma agitada que não consegue se aquietar, certamente não terá como pensar e agir com sobriedade e maturidade diante dos problemas que a vida apresenta.

Nossos cultos são barulhentos demais, por que somos de coração inquieto. Somente quando aprendemos a domar o coração inquieto é que poderemos ouvir o Espírito Santo. A oração que primeiro não busca o silêncio de palavras como ouvirá o cicio do Espírito Santo? Pensamos que no muito falar a Deus que ele nos ouvirá. Ledo Engano. Neste caso somos parecidos com os pagãos, que Cristo adverte sobre o muito falar (Mat. 6.5). Não é gritando, nem fazendo muito barulho que Deus nos ouvirá, porque Deus não ouve palavras e sim o coração. Enquanto buscarmos evitar o silêncio, jamais vamos discernir as outras vozes que nos chegam aos ouvidos e querem nos dirigir. 

Deus não está fora de você, nem distante para que você tente fazê-lo ouvir. Ele está dentro de você. A sua necessidade é encontrá-lo no meio de tanta agitação de sua alma. A oração que não cala o coração ainda não produziu a maturidade própria dos que sabem que “Deus somente fala quando o coração se aquieta”.

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