sábado, 26 de outubro de 2013

ALÉM DO CAMINHO VIVIDO PELO MONGE


Nestes dias de outubro, apesar da juventude evangélica ou não evangélica, estarem a viver o frisson do Halloween, poucos estão refletindo sobre os acontecimentos de 496 anos atrás que promoveram um dos movimentos mais contundentes da história da civilização ocidental que foi a Reforma Religiosa do século 16. Sem dúvida a angústia dentro dos arraiais católicos romanos era insuportável devido às heresias e práticas que viviam. O assim chamado “Sacro Império Romano” era o agente como também a vítima das insanidades teológicas, políticas e econômicas. 

Hoje da mesma forma, a angústia é o sentimento dominante entre aqueles que sincera e verdadeiramente vivem a igreja cristã. O movimento evangélico que se autodenomina “detentor” da verdade está em decadência assim como estava a igreja medieval da época de Lutero. Este se transformou num “negócio rentável em nome de Deus”, além de explorar a carência humana, é um movimento pragmático, desonesto e idólatra. Vive uma mensagem pobre, usa a prática do patrulhamento de pessoas que ingenuamente se submetem a ele. O que foi a Igreja Romana daquela época este movimento evangélico manifesta todo seu paganismo e secularismo. 

Necessitamos de uma nova Reforma Religiosa, não mais para um retorno a Bíblia, mas para uma verdadeira interpretação das Escrituras como Palavra de Deus, pois é possível existirem “bibliólatras”. Se disserem que a Bíblia é a única regra de fé e prática então precisam cumprir o que dizem e serem coerentes com o seu discurso. Urgentemente necessitamos hoje ir além de Lutero. Não basta mais repetir os seus ideais, temos que fazer um caminho de volta.

Precisamos fazer o caminho de volta ao Oriente. Esta região foi o berço da fé cristã. Mas fé em nossa época é entender a Deus pelo raciocínio. O Oriente nunca viveu uma fé racional e sim experiencial. O encontro com Deus sempre foi o mistério. Devido ao movimento racionalista, o movimento evangélico sofre porque busca compreender a Deus, dissecá-lo e julgá-lo. A fé cristã precisa ser vivida e não apenas mostrar discurso e confessionalidade. Ela não se encerra num livro, mas se projeta num encontro. O oriente viveu muito bem este caminho apesar de todas as suas complexidades.

Precisamos voltar a viver a simplicidade de Cristo. Simplicidade não é um modelo, uma forma, simplicidade tem a ver com a essência da vida. É o coração da fé cristã. Não importa a forma, o estilo, o jeito. A simplicidade nos revela a Santíssima Trindade e seu ambiente de glória. É o caráter divino de Cristo. É na simplicidade que percebemos como Deus é transcendente e profundo. O movimento evangélico tornou cheio de rebuscamento e de pompa. Assim como tal era a vida da cúpula da Igreja Romana na época do Monge Lutero. A espiritualidade positivista e de prosperidade não tem poupado nenhum púlpito seja ele de linha histórica tradicionalista seja ele neo-pentecostal.

Precisamos voltar ao Sacramento e ao Sacerdócio da vida. Ao Sacramento porque o evangelicalismo não somente deturpou e matou a Graça nos sinais e símbolos da vida, mas também usa o Sacramento como fonte de lucro. Ao sacerdócio da vida por que vivemos uma era “egocêntrica” onde todos somente se põem a assistir o seu semelhante se obtiverem um retorno. É o deus Mamon. 

Portanto, não basta ter a Bíblia e falar da Bíblia, não basta viver com a Bíblia na mão “pra baixo e pra cima”. Ela não faz nenhum sentido se não for acompanhada da vida de fé, da oração, do sacramento, e do serviço e amor pelo semelhante. Urgentemente precisamos de uma reforma, banindo este cristianismo sectário, mesquinho e hediondo conhecido como “evangélico”. Precisamos fazer o caminho de volta ao princípio, ao Oriente, onde tudo começou, para que possamos viver a esperança que alimentou os mártires do Reino que virá.

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