sexta-feira, 20 de setembro de 2013

RASGUE SEU CORAÇÃO


“E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes”. Joel 2.12

Lemos frequentemente na Bíblia que Javé pedia por meio de seus profetas que seu povo Israel mantivesse um relacionamento profundo com Ele e isso não poderia ocorrer sem começar do coração. Essa necessidade é fortemente enfatizada por Jesus Nosso Senhor nos Evangelhos. De fato, o que retemos neste ensino é que não há qualquer possibilidade de entrarmos em um relacionamento verdadeiro com Deus se não através do íntimo, que pode significar “recôndito”, “oculto” ou “coração”. Contudo, apesar de Seu povo Israel reconhecer que Deus pedia antes de tudo o coração, poucos foram aqueles que conseguiram se relacionar com Javé.

Um dos momentos mais fortes na história de Israel é a profecia de Joel. Embora a nação israelita praticasse suas formas de adoração, sacrifícios e holocaustos ao Senhor, liturgicamente, o relacionamento com Deus era superficial. Por isso Joel, drasticamente pedia ao povo: “rasguem o coração e não apenas as suas vestes”. Isto é, ademais de toda forma litúrgica pois isso era necessário, os israelitas o faziam sem nenhum eco interior. “Rasgar as vestes” que era uma das práticas litúrgicas que significa humilhação e conversão a Deus tornara-se apenas um teatro, um rito frio e programado. 

Jamais devemos aniquilar as Liturgias e nossos cultos, sejam eles coletivos ou pessoais, por que tudo que fazemos possui um rito. O ritual é necessário para nos dar direcionamento com o que fazemos e como fazemos para Deus. O Ritualismo é o desvio do ritual. Porém é necessário “rasgar o coração”. Vejamos por que:

1. Rasgar o coração é dispor o coração a um quebrantamento permanente e não apenas um sentimento de tristeza emocional. O que significa então que rasgar o coração é se despir de preconceitos, da amargura e do orgulho pessoal que envolve nosso íntimo e não nos permite viver a experiência da fé verdadeira. 

2. Rasgar o coração também significa dispor o coração a um culto sincero e não apenas estético, teatral, de aparência. Rasgar vestes sem sinceridade é manter o coração impuro e enganoso, na busca de sensações que não são verdadeiras e sim imaginárias e fantasiosas. O demônio lança-nos a uma espiritualidade mentirosa e de sensacionalismo.

3. Rasgar o coração é dispor o coração a uma mudança interior e não exterior. Os sacerdotes rasgavam seus vestidos dentro do culto, mas era apenas teatro. Não havia mudança interior. Não havia realização em prol do necessitado, não havia melhoramento de seus relacionamentos pessoais, não se praticava mais a caridade, as pessoas continuavam interesseiras pensando em si e não no próximo. Mantinham os mesmos procedimentos nos negócios e no trato com a comunidade. 

Hoje a igreja precisa “rasgar o coração”. Adoração não pode ser confundida com “show”. Os que dirigem os cultos não podem querer aparecer mais do que Cristo. Muitas pessoas estão em busca de “espaço para cantar”, para “pregar” e dizer o que se pensa sobre isso e aquilo. Os cultos de oração estão abarrotados de pessoas que querem mostrar muita eloquência, palavras bonitas e no fundo não passam da figura do Fariseu que orava de si para si. Cristo os desconhecia. 

Rasgar o coração é uma luta diária. O coração é enganoso e corrupto. (Jeremias 17.9). Você e eu precisamos colocar nosso coração diariamente no lugar certo e para isso precisamos de uma espiritualidade que nos discipline. Precisamos de exercícios espirituais que nos levem a enxergar o real estado de nosso íntimo e tratar o pecado como pecado e não vermos a graça de Deus como uma “graça barata” e Deus como um “bonachão”. 

Kyrie Eleison (Senhor, Misericórdia).

Um comentário:

Rev. Moura Gonçalves disse...

Rev.,
Obrigado por seu artigo. PRECIOSO.

Enviei para os membros do Ministério de Louvor de nossa Igreja, irmãos e irmãs que muito têm (estou certo) alegrado o coração de Deus - e o meu também !- com sua humildade e busca do melhor para o Senhor e para o Reino