domingo, 2 de junho de 2013

O QUE É UM SIMBOLO?

Um símbolo não é uma coisa, pronta, acabada.
Trata-se de uma relação a ser criada,
um ponte a ser lançada,
para possibilitar um encontro, um casamento.

O essencial no símbolo
é que se trata de dois elementos
-         o sinal sensível e a realidade significada –

relacionados, entrelaçados,
complementando-se mutuamente,
maravilhosamente, inesperadamente, surpreendentemente,

como estão relacionados e entrelaçados no ser humano,
e se complementam mutuamente
o corpo e a alma;

como estão relacionados e entrelaçados no Verbo Encarnado
e se complementam mutuamente
a humanidade e a divindade;

como quando alguém encontra sua ‘outra metade’.

Um está presente no outro;

A realidade significada nos é revelada, nos atinge
pelo sinal sensível é uma porta aberta,
uma casa aguardando o morador,
um vaso vazio esperando pela flor.

O importante é levar a sério o sinal sensível;
Deixar que penetre nossos cinco sentidos;
Aproximarmos dele de tal forma
que possamos perceber, expressar, comungar, através dele,
a realidade invisível, não perceptível pelos sentidos:
nosso mundo inconsciente,
o ideal comum de nossa comunidade,
o transcendente, o Outro,
o mistério de Deus, a páscoa do Cristo, a comunhão no Espírito,
o Reino, o mundo que há-de-vir.
E deixar que faça jorrar em nós a força, a energia, a vida,
e nos mova ao compromisso, a solidariedade.

Ao mesmo tempo, devemos ter presente
que o sinal, transparente à realidade transcendente,
é apenas um sinal – “representativo”,
simbólico-sacramental, jamais a própria realidade significada.
Não podemos nos apoderar do transcendente:
há uma distância a ser respeitada, a ser deixada em aberto,
para que continue a possibilidade
da busca, do desejo, do diálogo.

Ione Buyst, set/1999

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