quarta-feira, 5 de junho de 2013

ACASO É TEMPO DE DAR "AS SOBRAS" PARA DEUS?



Acaso é tempo de habitardes nas vossas casas forradas, enquanto esta casa fica desolada? Ageu 1,4

O templo sempre foi muito importante para a nação de Israel durante toda a sua história. Era o lugar da presença de Deus, onde Deus se fazia presente e manifestava a sua glória. Era o lugar de adoração e das oferendas, dos cultos e dos sacrifícios. Era o símbolo nacional da verdadeira espiritualidade. O templo representava o próprio Reino de Deus na terra. Era o Senhor Javé que descia e protegia aquele povo. O livro do profeta Ageu data da primeira volta de judeus depois do Cativeiro Babilônico, com Zorobabel e o Sumo Sacerdote Josué. As outras duas foram com Esdras e Neemias. Mas a profecia proclamada por Ageu revelava a proposta de Deus: Reconstruir Jerusalém! Essa reconstrução envolvia a construção  física do Templo e a espiritual daquela nação que durante 70 anos viveu sob a influência do domínio pagão Assírio, Babilônico e Persa. 

Mas havia um porém. O povo que voltara do Cativeiro agora estava achando esta questão irrelevante. Reconstruir o templo era menos importante para os habitantes de Jerusalém do que as suas casas. Os moradores da cidade estavam diametralmente opostos a  Deus. Na verdade as pessoas não tinham mais tempo de pensar nas coisas da vida religiosa de Israel. estavam voltando para casa e buscavam dar conta de seus bens, de suas finanças, de seu trabalho, de suas casas, de sus família e de seus próprios interesses. Estavam envolvidos na reconstrução de suas casas. E Deus, segundo a visão de Ageu, estava com  sua "casa" destruída. 

A nova geração de israelitas ao retornarem para sua terra, esqueceram que o Templo era a vida espiritual do povo. Tudo dependia de Deus. Ele estava em Jerusalém, em Seu Templo. Sem o Templo, Deus não poderia abençoar a Israel. A verdade que o Templo não possuía apenas uma conotação simbólica mas também mística. E a consequência deste relacionamento produzia vida, alegria, abundância de víveres, alimento e água. Sem o Templo, os efeitos eram terríveis. Sem um relacionamento profundo com Deus, as consequências seriam drásticas.

Por isso Ageu afirmava: Vocês estão trabalhando muito e colhendo pouco, a comida de vocês não chega a satisfazer, o salário era insuficiente para viver, e as esperanças eram frustrantes. Até a agricultura sofria as conseqüências: “... por isso os céus sobre vós retém seu orvalho...” e ainda “...Fiz vir seca sobre a terra...”. Por que isso acontecia? Por que os israelitas davam a Deus o que restava e por isso Ele não jamais aceitava sobras e restos. Ageu afirma: “... cada um de vós corre por causa de sua própria casa.” A vida de adoração estava impregnada de impureza (2.14). Ele diz: “e o que ali oferecem, tudo é imundo”.

Quando olhamos para esta situação, pensamos em nós e ouvimos a profecia de Ageu. Ageu propõe um remédio para os cidadãos de Jerusalém: 

Primeiramente Ageu conclama: "Considerem seu passado" (1.5,7;2.15). O que Israel tinha passado era por que havia  abandonado a Javé. O povo de Israel havia esquecido que a fonte de vida era o Senhor e não seus próprios esforços. Seus caminhos do passado foram errados e por isso Deus que não negocia sua glória com ninguém permitira o Cativeiro e a destruição. Quando não consideramos os erros do passado, não podemos aprender a fazer diferente. Somente podemos olhar para o futuro, levando em consideração o que fizemos que desagradou tanto ao Senhor. O quanto abandonamos nossa relação com Ele. Isso é de vital importância. Nunca devemos esquecermos quem nós fomos. E nisso não há muita lembrança boa, pelo contrário, são lembranças amargas. E então voltar os olhos para o passado é positivo quando pesamos o que fomos e onde estamos hoje. Consideremos nosso passado, mas não fiquemos presos nele. Quando nos lembramos disso, toadas as vezes vamos também lembrar que Deus foi quem nos tirou na casa da escravidão, da opressão.

Em segundo lugar Ageu profetiza: "Considerem seus interesses", isto é, dêem prioridade para os interesses de Deus na sua vida (1.8). Olhem, pensem que somente um relacionamento profundo e sincero com Deus, colocando-o como "exclusivo", é que se pode envidar esforços para o futuro. Não há planos de Deus em nossas vidas se não colocamo-lo em nossos planos como o Dirigente de tudo. Nossa família, nossa profissão é meramente uma negação de nossa fé. Nosso Senhor Jesus Cristo reitera a visão de Ageu. Ele afirma: "Busquem, em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça e o restante será acrescentado" (Mateus 6.33), isto é, se não aprendermos a desenvolvermos um relacionamento profundo com Deus tendo-o em exclusividade, faremos de nossa vida um mera "tela de descanso" de curta duração para nós e para os outros. Isso significa estarmos abertos a voz de Deus. Para isso, precisamos corrigir todos os dias o foco de nossos corações. A conversão deve ser todo dia. Nossa oração e leitura, e meditação devem ser todo dias. É necessário renúncia, mudança de planos, alteração de rotas, decisões firmes para desenvolver um relacionamento com Deus que não envolva apenas o indivíduo. Deve envolver o relacionamento com outras pessoas da mesma fé, pois fé não existe sem coletividade, sem comunidade. O templo é a perfeita significação disso. Todos somos como parte deste novo templo do Senhor, do Espírito (1a. Pedro 2). Dar atenção ao Templo e as coisas de Deus em primeiro lugar é a razão de uma vida cheia de paz, com Deus e consigo mesmo.

Em terceiro lugar, Ageu afirma: Dediquem-se ao trabalho (1.14). O povo todo se uniu para reconstruir a casa de Deus. O templo que aqui foi reformado, é o símbolo da reconstrução de nossos templos atuais onde Deus habita. Geralmente as pessoas esquecem-se de Deus quando estão bem, mas quando passam pelo aperto, voltam-se para ele. Quando melhoram o deixam, e quando pioram o buscam. Nossa relação com Cristo jamais pode-se desenvolver por meio destas motivações primitivas. Isso é Paganismo. Se assim fazemos tornamos Deus um mero amuleto, uma ferramenta e não o procuramos por meio de uma profundo relacionamento de fé. Tornamos nossa relação com Deus, uma relação de consumo, projetamos o que vai de nosso sistema de valores mundanos. Priorizar a Deus e tudo que o envolve deve ser nosso desafio. Disponha-se a fazer o que não foi feito para a causa do reino de Deus. Se você perdeu tempo com as suas coisas, gaste agora seu tempo com as de Deus.

Minha pergunta é: Por que temos que dar o resto de nosso tempo, de nosso dinheiro e de tudo que fazemos para Deus se Ele é o doador de tudo que possuímos? Ele promete que nunca vai nos abandonar. Ele promete sua presença constante (1.13). Ele nos encoraja dizendo: "Não temam" (2.5). Ele promete que as "últimas coisas serão maiores que as primeiras" (2.9). Ele se dispõe a fazer mudanças profundas e marcantes em nossa vida (2.19). 

Sem Deus, nada feito! Não há vida verdadeira, apenas uma aparência, uma caricatura, uma imagem translúcida. O que você está fazendo de sua vida? Considere seu passado, considere seus interesses, e dedique-se nesta busca de Deus na pessoa de Cristo Seu Filho. 

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