sábado, 6 de abril de 2013

POR QUE TEMOS DIFICULDADE DE ENTENDER A MISSÃO?


“Então o lobo morará com o cordeiro” (Isaias 11.6) 

Há uma crença equivocada na Doutrina da Ressurreição. Entre os cristãos atuais transita uma idéia de ressurreição que não há base na Teologia Bíblica da Igreja Antiga. Na verdade a Ressurreição foi a motivação para a proclamação do evangelho durante os primeiros séculos. Paulo e os outros apóstolos pregavam “Cristo e a Ressurreição”. 

A mensagem evangélica era que o “Cristo morrera, mas ressuscitara”. Esta mensagem dava outro “tom” e outra “cor” ao anúncio da igreja. Com o passar dos séculos, Jesus não voltando (pois todos criam que sua volta era iminente), a pregação da igreja deixou de acentuar “Novos Céus e Nova Terra” para falar de uma salvação apenas celestial, paradisíaca somente para as almas crentes. 

A partir da diluição do conteúdo da mensagem, a missão foi sendo enfraquecida também, pois aquilo que antes era a grande notícia de nova vida e nova criação, que seria reconstituída, agora apenas se pregava uma mensagem que dava aos habitantes do mundo uma pobre salvação, isto é, apenas “alma se salvaria”. A idéia era de algo imaterial apenas, muitas vezes abstrata e etérea. 

Porém a salvação que Cristo vem nos trazer tem a ver com o resgate da vida em todo o seu sentido. É a transformação final de um sistema decadente para uma nova perspectiva física, material, gloriosa e eterna. Isso não envolve apenas o ser humano, mas sim tudo que o envolve: as vidas animal, mineral e vegetal. 

Aí então a missão faria sentido. Nosso problema com a evangelização é de que o que se prega, prega-se algo parcial e muitas vezes nebuloso e confuso. A mensagem da Fé Cristã é de que a Ressurreição de Nosso Senhor promove a esperança de que tudo será restaurado fisicamente, miraculosamente e eternamente. Por isso carecemos urgentemente de retornarmos a prática dos primeiros séculos. 

Precisamos de uma missão ecológica: Ora, se o Universo (cosmo) será refeito em Cristo, retornaremos a condição de um novo Universo. Isso tem a ver como nós tratamos o meio ambiente, como entendemos a ecologia, como domesticamos os nossos animais, como nos alimentamos, e como vivemos dentro deste sistema falido. Os cristãos deveriam ser os primeiros a possuírem políticas de vida a partir de uma forte teologia ecológica. 

Precisamos de uma missão política: Ora, se este sistema que aí está, é falido, a proposta dos cristãos é de um novo governo, sob a política teocrática: “Cristo é o Senhor”. Haveria de fato uma proposta de um novo Reino, sob as premissas de um novo Senhor. Isso com certeza produziria uma reação em cadeia do sistema satânico estabelecido. Foi também por isso que muitos cristãos eram martirizados. A igreja jamais será perseguida se não dizer “não” ao sistema político estabelecido. Precisamos de uma teologia política. 

Precisamos de uma missão social: Ora, se o ser humano em sua plenitude (corpo, alma, espírito) habitarão o novo estado de coisas, a missão deve ser a reconstrução de sua dignidade, personalidade e sociedade. Os cristãos deveriam ser os primeiros a estabelecerem escolas, hospitais, creches, orfanatos, casas-de-passagem e tudo que fosse necessário para a reconstrução do ser humano. O dinheiro e os bens deles deveriam primar por isso. 

Contudo ainda os cristãos precisam entender a ressurreição de Cristo e suas conseqüências. Enquanto isto não se der, estaremos a passos largos caminhando para a secularização da igreja e conseqüentemente para a “mundanização da mente” dos discípulos que se arvoram em afirmar que são de Cristo. Que Ele seja nossa luz a fim de aceitarmos as demandas de seu discipulado rumo a nova realidade eterna. 

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