segunda-feira, 29 de abril de 2013

O MUNDO NÃO ERA DIGNO DE LUCAS!



"Pois tu te esquecerás dos teus sofrimentos; apenas te lembrarás deles como de águas que já passaram". (Jó 11.16)

Hoje é um dia difícil. Há exatamente 20 anos meu primogênito Lucas estava indo embora. Menino treloso. Acho que era hiperativo. Subia em tudo e mexia em tudo. Lucas nascera no dia 31 de maio de 1991. Foi o primeiro de outros dois filhos lindos: Beatriz e Pedro Augusto, que vieram depois. Mas ainda hoje vivo meu luto pela ausência de meu primogênito. Lucas foi vítima de choque elétrico dentro de casa, quando servia como Deão dos Estudantes do Seminário Presbiteriano do Norte e residia num dos apartamentos do Edífício Natanael Cortez, no bairro da Madalena, no Recife. 

Aquele dia se tornou cinza, como que se o céu não iluminasse e a vida perdesse a cor. Muitos estiveram ao nosso lado. Ao lado de seu corpo numa das macas da Clinica "Andrade Lessa" nós estávamos chorando e louvando. O momento foi um misto de dor como se um punhal atravessasse meu coração e uma devolução "sem-vontade" de um grande presente, uma jóia preciosa. Muitos se levantaram em oração e intercessão por nós. O Reverendo Élben César e família nos abrigaram, a Primeira Igreja Presbiteriana do Recife fez o velório, mas jamais esquecerei de um homem que como anjo de Deus nos consolou: Rev. Benedito Matos. Naqueles dias, ele nos visitou e passou quase o dia todo ao nosso lado, mas não proferiu um só palavra. Apenas esteve ao nosso lado. Foi o maior consolo que recebi de Deus. Palavras não podiam jamais preencher uma lacuna de dor quase inconsolável. Jamais esquecerei também as palavras de ânino e consolo que brotaram de muitos. Um deles, meu pastor Reverendo Dirceu Mendonça, me mandara dois livros de São Paulo e em uma de suas cartas, ele afirmava: "Tomou Deus para si o Lucas, porque o mundo não era digno do Lucas". 

Ainda hoje um dos versículos que eu recebera de minha cunhada na época ressoa em meu coração. Jó depois de perder tudo que possuia e seus 7 filhos, recebera a promessa de Deus pela boca de um de seus amigos: "Pois tu te esquecerás dos teus sofrimentos; apenas te lembrarás deles como de águas que já passaram". É verdade, depois de 20 anos embora chore pela ausência de meu querido filho, o choro já está mais saudoso que dolorido. As águas passaram por debaixo de mim e hoje apenas me lembro daquilo que se foi como de um sonho. Na linguagem metafórica "perdemos o Lucas mas Cristo o ganhou". 

Porém a promessa maior ainda se cumprirá. O Rei David quando depois de chorar amargamente a perda de seu filho com Bate-Seba, nos deixa uma palavra de consolo: "Eu irei para ele, porém ele não voltará para mim" (2 Samuel 12.23). Lucas não vai mais voltar, mas eu irei a ele.  Se Cristo não voltar antes de minha morte, eu irei a ele. Voltaremos a ficar juntos, e juntos vamos viver, para nunca mais nos separar. Nos reencontraremos, ressurretos e vivos fisicamente para habitarmos a Nova Terra, ali não haverá mais dor, nem pranto, nem luto e a morte não mais existirá. (Apocalipse 21.4). 

A morte não é o fim!

Lucas... até breve!


2 comentários:

Marcos André Marques disse...

Compartilhei seu post no Facebook. Sem mais palavras. Deus continue a te abençoar e consolar.
Em Cristo,
Rev. Marcos André Marques

Rossana Reis disse...

O Senhor o deu, o Senhor o tomou. Bendito seja o nome do senhor!Sou feliz porque tive Lucas por algum tempo na minha vida, e sei que o Senhor me deu o consolo completo de sua ausencia, muito mais pela presença que tenho de Beatriz e Pedro, meus filhos amados. Nunca esquecerei meu primogenito, ele era muito especial, me tirava o fôlego..rsrsrs. Por ser especial, sei que o céu ficou mais alegre há 20 anos. Hoje não choro sua falta, fico apenas imaginando o lindo homem que ele seria no auge dos seus 22 anos. Amo o Senhor que me fará vê-lo novamente. Beijo, querido Lucas e até breve. Mamãe.