sábado, 16 de março de 2013

O SUCATEAMENTO DE DEUS




Nosso século é marcado pela Filosofia de Mercado conjugado com uma grande dose de Racionalismo e Pragmatismo. Vivemos a cultura do Sucesso e a busca frenética pela fama e pela celebridade.

Há muito tempo que não sabemos o que é teologia. Nosso Ocidente desde que começou a viver as consequências culturais, políticas e filosóficas do Iluminismo, perdeu para sempre os pensadores e junto com eles a teologia.

No passado, no Tempo Antigo, quando as pessoas oravam de fato, a Teologia possuía uma estreita relação com a espiritualidade mística. O encontro com Deus era místico e a espiritualidade uma experiência fundamental para todo teólogo, pois “fazer teologia” era sinônimo de “orar”.

A teologia e a formação espiritual era o eixo que dominava a vida humana. O teólogo era respeitado e venerado, tal era a concepção de oração e intimidade com Deus  que se possuía.

Mas o mundo mudou. No que diz respeito a espiritualidade e a teologia, o mundo atrasou. Com a ascendência do Iluminismo tomamo-nos como o centro da vida. A teologia que era encontrada nos templos, nos palácios, nos desertos e nas cavernas por causa dos que viviam a vida mística, hoje está sucateada e tratada como uma ciência.

O ser humano ainda fala de teologia, pensa em teologia, discute teologia como ciência. Foi o que sobrou, foi o que restou. Os místicos da oração e da formação espiritual são tratados como “alienígenas” da sociedade. Desaprendemos e perdemos o “elo” com o passado, pois tornamo-nos  o centro de um estudo sobre o “homem-criador-de-seu-próprio-deus” e demos então o nome a isso de Teologia.

A teologia espiritual e suas disciplinas que envolvem este tema foram sucateadas. Se quisermos encontrar este tipo de “coisa” vamos ter que ir a um “ferro-velho” religioso cristão.

De fato não sabemos o que significa “Teologia”. Teologia de fato que brota da experiência e do empirismo. Não sabemos o que é Fé para nos encontrar com o Transcendente. Nosso “elo perdido” teológico se diluiu com tantos livros, tantas ciências, tantas opiniões racionalistas sobre Ele, o “deus-que-o-homem-criou”.

Por isso os teólogos de hoje são meras figuras ilustrativas nas igrejas e nos seminários. Por isso pagamos mal os professores-teólogos, porque cremos de fato que eles estão apenas representando um papel necessário para a Sociedade, mas irrelevante para responder aos anseios de uma coletividade com tantos afazeres, negócios e tarefas que envolvem muito dinheiro.

Por isso temos qualquer pessoa a frente de comunidades religiosas, por isso aceitamos os líderes de sucesso ministerial, os que são bem-sucedidos devido a “estética” e ao “consumismo religioso” que nos dirige. Não queremos nos relacionar misticamente com Deus, queremos um Deus que dê certo para nossos empreendimentos pessoais e profissionais. Nós sucateamos Deus, a teologia, a espiritualidade e o que estiver ligado a eles.

Precisamos de novo dos Elias, dos Eliseus, dos Oséias, dos Natãs, dos Samuéis. Precisamos de novo das Miriãs, das Huldas e das Déboras. Precisamos de arqueólogos espirituais que nos tragam as primeiras fontes da teologia espiritual.

Precisamos urgentemente retornar ao encontro místico com o Deus verdadeiro.

Um comentário:

Ivson Rodrigues disse...

Meu irmão, muito profundo e pura verdade. A Igreja para seguir à frente precisa voltar; pois isso aí que vemos não é Igreja e sim um ajuntamento de pessoas, cada uma, à sua maneira, procurando se satisfazer. Deus continue dando-lhe graça e sabedoria.

Forte amplexo.