segunda-feira, 12 de novembro de 2012

TRIBUTO A UM AMIGO - Túlio Vinícius


"Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito". 

Túlio é uma daquelas pessoas que a gente não tem jeito de esquecer. Foi em 2005 quando tive a alegria de conhecê-lo em sala de aula. Ainda me lembro que estava numa das salas do Seminário Teológico Episcopal Carismático e Túlio e sua querida Chica chegavam para assistir as aulas de Introdução e Análise dos Evangelhos e Atos.

Sempre incansável e pronto, me chamou muito a atenção pela paixão com que falava de Jesus Cristo e pela alegria que brotava de seu coração com as suas imensas gargalhadas. A amizade nasceu, cresceu e se desenvolveu. Nos encontrávamos semanalmente, para tomar um café ou um lanche a noite depois das aulas. Túlio, médico ortopedista, tornou-se meu médico para as mais variadas dores que sentia. Aquela época eu passava por uma depressão profunda, cheio de remédios e sob tratamento pisiquiátrico e psicológico.

Às vezes que nos encontrávamos, Túlio me passava a paixão pelos  Cantos Gregorianos. Embora estivesse casado com o amor de sua vida "Chica", não deixava de falar sobre o Silêncio, a Teologia Apofática e sobre tantos outros assuntos que envolviam a espiritualidade ortodoxa advindas de Antão, Pacômio e Bento de Núrsia. Túlio tornou-se por breve período um noviço do Mosteiro dos Cartuxos no Sul, antes de se casar.  Que felicidade foi a minha quando ele começou a ensinar no mesmo Seminário que eu ensinava. Chegamos a ministrar aulas em conjunto. Eu desenvolvia assuntos relacionados a Missão da Igreja e ele ensinava os episódios da História da Igreja uma mesma aula para os alunos do Bacharel em Teologia. Havia ali uma interdisciplinariedade dos assuntos históricos e missiológicos.

Passei pela separação em meu primeiro casamento e esta crise desencadeou uma série de situações inesperadas. Me sentia sozinho voltando a morar num dos quartos do Seminário Presbiteriano do Norte, onde eu havia sido aluno, professor, capelão e diretor. Voltar a morar só ali, sem a presença dos filhos, me deixou dores terríveis que somente a Graça de Deus poderia curar.

Depois de quase 12 meses ali morando, num de nossos encontros Túlio me disse: "Arranje um apartamento para você morar, vou pagar seu aluguel. Não quero ver meu amigo mais ali". E durante quase 6 meses até sua partida, Túlio foi o instrumento de Deus para que eu retornasse a vida, uma vez que quase havia perdido as esperanças do recomeço.

Um dia Túlio me confidenciou: "meu amigo não vou ficar muito tempo por aqui, estou sentindo que vou partir logo". Mas de fato aquilo já era o início de sua jornada para a Grande Passagem. Túlio acometido de Câncer, lutou bravamente contra a doença. Acompanhei-o por meio de visitas a sua casa e no hospital, mas Túlio foi levado para junto do Senhor no dia 15 de novembro de 2009.

Naquela última semana, já falando bem baixinho, ele me disse: "Está acabando, mas está começando tudo de novo". Eu sabia o que ele queria dizer: Ele ia começar tudo de novo. Agora gozando das mais gloriosas e prazerosas presenças do Senhor, dos anjos e dos santos aperfeiçoados.

Já faz 3 anos que ele se foi. Mas está vivo, não somente nos céus, mas em nossas mentes. Por tudo que ele viveu, e como viveu, um dia nós nos reencontraremos para sempre. Nossos corpos serão ressuscitados e viveremos para sempre com todos os que amaram a Cristo, por toda a eternidade.

Jamais poderei agradecer plenamente por tudo que Cristo fez por você e através de você, meu amigo.

"Louvamos-te Óh Senhor, por nos dares o Tulio, agradecemos-Te por levares o Túlio. De fato, o mundo não era digno de ter por muito mais tempo este teu filho, lampejo da Luz verdadeira"

Saudade meu irmão Pacômio ( nome de batismo de Túlio no mosteiro).

Kyrie eleison!


«Perdoa-lhe»






O amor não consiste em sentirmos que amamos, mas em querermos amar. 

Quando queremos amar, amamos; quando queremos amar acima de tudo, amamos acima de tudo. 

Se acontecer sucumbirmos a uma tentação, é porque o amor é demasiado fraco, não é porque ele não exista. 

É preciso chorar, como São Pedro, arrependermo-nos como São Pedro [...] mas, também como ele, dizer três vezes: «Amo-Vos, amo-Vos, amo-Vos, Vós sabeis que, apesar das minhas fragilidades e pecados, eu Vos amo» (Jo 21,15ss).

Quanto ao amor que Jesus tem por nós, Ele provou-o à abundância para que nele acreditemos sem o sentirmos. Sentir que O amamos e que Ele nos ama seria o céu; mas o céu, salvo em raros momentos e excepções, não é aqui em baixo.

Lembremos sempre uns aos outros esta história dupla: a das graças que Deus nos deu pessoalmente desde o nascimento e a das nossas infidelidades ; e aí acharemos [...] motivos infinitos para nos perdermos, com ilimitada confiança, no Seu amor. 

Ele ama-nos porque é bom, não porque somos bons; não amam as mães os filhos desencaminhados? E muitas razões havemos de encontrar para nos enterrarmos na humildade e na falta de confiança em nós próprios. 

Procuremos resgatar um pouco os nossos pecados pelo amor ao próximo, pelo bem feito ao próximo. A caridade para com o próximo, os esforços para fazer bem aos outros são um excelente remédio a opor às tentações: é passar da simples defesa ao contra-ataque.

Extraído de anotações Dr. Carlos Caldas

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Na teoria a prática é outra!

Prática e Teoria sempre deveriam andar juntas. Conhecimento e sabedoria são duas palavras que para mim são semelhantes às primeiras. O conhecimento é importante, porém sem a sabedoria, aquele não tem nenhum valor. A sabedoria é o conhecimento colocado em ação. Se o conhecimento é positivo, haverá pratica de sabedoria, se, porém o conhecimento for negativo, nada sobrará para a sabedoria.

Nosso tempo pós-moderno tem revelado sensivelmente esta questão. A Educação está marcada por estas premissas e muito mais a Educação a Distancia, todos os mestres em Educação enfatizam que um Ensino sem qualidade e educadores sem competência poderão corroborar contra os objetivos verdadeiros da Educação.


A premissa “Na prática, a teoria é outra” é verdadeira quando damos muito mais valor a estética, a imagem, a títulos, e não a capacidade, a competência, a objetividade e a verdadeira filosofia de criar, de desenvolver, de educar, de produzir pensadores que mudem e alterem paradigmas.


Estamos vivendo justamente este tempo. Escolas e Faculdades que nada mais são do que guetos que se propõe ao ensino medíocre muito mais comprometidos com o pragmatismo do que com a libertação por meio de uma verdadeira filosofia educacional. Somos homens e mulheres que estamos mais preocupados com a manutenção de nossos “status quo”, do que em recriar uma geração que viva sua plena liberdade sem ter que formar pragmáticos “dentro das caixinhas”. Aqui me lembro bem do grande educador Paulo Freire.


Necessitamos de educadores que possam diminuir esta distância entre a teoria e a prática. Devemos trocar a frase para: “Na prática existe teoria”. Necessitamos de homens e mulheres que se comprometam com a transformação do ser humano por meio de uma verdadeira filosofia de vida, levando gente a ser gente, e não robôs de uma estrutura sistematizante.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

CATARINA, SANDY E MARTINHO

Parece nome de trio sertanejo, mas não é. Nesta semana três nomes fizeram notícia. Cada um deles tem sua relação com a história do mundo e da sociedade. Há entre eles pontos em comum, pois todos foram consequência de movimentos sociais.

Catarina, a adolescente que leiloou a sua virgindade nos mostra o quanto a sociedade tem criado homens e mulheres distantes de sua humanidade. Catarina é a prova de uma sociedade de consumo, fruto da necessidade estética. Ao leiloar a sua virgindade pelo valor de R$ 1,5 milhão, Catarina deixa-se expor a uma sociedade que vive do sensacional e da bizarrice. Ela abre o precedente para todos os insanos que desejam mais e mais fazer uso do corpo como meio de consumo tornando-se cada vez mais monstros de si mesmos. Mas Catarina é apenas o produto de um movimento social pós-moderno que se caracteriza pelas evoluções da humanidade dentro de contextos mesquinhos que jamais dão valor a vida e a beleza do ser humano como Deus criou. As pessoas se permitem ser usadas e abusadas.

Sandy foi uma das maiores “super-tempestades” que os Estados Unidos da América já presenciaram. Embora com nome de mulher, Sandy não tem nada a ver com a fragilidade feminina, antes seu poder de destruição é tamanho que deixou o país mais soberbo do mundo no descontrole total. Cidades e regiões ficaram a mercê de Sandy e nem mesmo a ilha mais rica do mundo – Manhattan - foi capaz de domar o furacão pela tentativa de suborno. Sandy revela que quem manda no mundo é o Criador, que nenhum império por mais poderoso que possa parecer pode dominar o mundo físico tão ferido pelos poderosos no último século. Todos os estadunidenses se lembrarão de Sandy. Alguns porque perderam casas e pessoas queridas, outros porque nestes dias não conseguiram faturar na bolsa de Nova Yorque. Sandy é a resposta a uma sociedade que não respeita ninguém, que usa tudo e todos para seu bel prazer, violando até a própria natureza.

Martinho também será lembrado como fruto de movimentos sociais e políticos que convergiram na Reforma Protestante. Ele foi o “furacão” que abalou a igreja mais poderosa da época. Martinho Lutero semelhantemente é fruto de movimentos da sociedade que desejavam quebrar paradigmas. Não sejamos ingênuos. Havia forças filosóficas e econômicas na época como o Renascentismo que auxiliaram muitos pensadores ao retorno a tudo aquilo que fosse original. A Alemanha e outros países estavam cansados de se submeterem ao jugo do Antigo Sagrado Império pagando taxas a Roma. Lutero não teria ficado vivo se não fosse o cuidado dos Alemães pela sua integridade física. Enfim, Lutero não agiu sozinho. Também foi consequência de uma sociedade que estava cansada de ser manipulada pela Igreja Medieval.

Senão olharmos os eventos e o contexto sempre nos escandalizaremos pensando que eles acontecem isoladamente. Na verdade somos fruto de um sistema, de um jogo onde os homens fazem sua história. Pessoas acabam por despontar nos cenários os mais variados. Cada um tem seu papel, alguns como protagonistas outros como coadjuvantes, mas determinantemente somos reflexo de um mundo em ebulição. Apesar de tudo Deus continua escrevendo sua história. Nosso Senhor nos diz que haverá um novo começo, as coisas velhas vão passar, este sistema vai desaparecer seja por meio de cataclismas, seja por meio de mudanças na sociedade. O que não podemos é nos isolar do mundo. Influentes, todos temos uma participação a fim de fazermos agora o projeto daquilo que vamos viver na eternidade. Não basta lamentar pelos acontecimentos, necessitamos de unidade para implantar o Reino que não é deste mundo.