quinta-feira, 11 de outubro de 2012

AH! QUE SAUDADE DE LUTERO!



Tenho ensinado em várias Escolas Teológicas e Seminários de várias denominações ao longo de meus 19 anos de Magistério Teológico e em várias igrejas nestes 24 anos de Ministério Pastoral. Cada ano que passa, percebo que os participantes das igrejas locais e alunos de seminários estão cada vez mais pobres de conhecimento bíblico e teológico. Para isso contribuem uma série de fatores.

O primeiro deles é a fraca formação do Ensino Básico de nossas Escolas, sejam elas públicas ou particulares. Nunca se viu tanta gente concluindo o Ensino Fundamental que sequer sabe fazer uma interpretação de texto. Concorre com isso a má formação de Professores nas Universidades para o Ensino Fundamental, Médio e Superior. Conquanto percebemos um crescimento econômico em todas as Classes Sociais não podemos falar com respeito a Alfabetização e a Formação Cultural e Educacional. Nosso país está “emburrecendo”.

O segundo deles está entre a maioria dos cristãos nas igrejas que tem dificuldade para ler, pensar e entender o que se leu. Na maioria dos Seminários, jovens pastores e alunos de Escolas Teológicas não sabem sequer construir um texto inteligível. Nas igrejas vemos a dificuldade que passa as Escolas Dominicais. Sempre pouco frequentadas, pois se já é difícil escrever e pensar imagine pensar e estudar um texto histórico e antigo, como é a Bíblia. Os cultos estão cheios por que não há necessidade de se pensar tanto, apenas “receber” o que se vê e o que se ouve.

Vivemos dias de grande confusão hilariante. Isso por que os que possuem um espírito mais expansivo nas igrejas e um tanto ousado se arvoram na conquista de seus espaços litúrgicos acreditando que estão sendo ungidos por Deus para pregarem e ensinarem, quando não possuem sequer condições básicas para escrever um texto com apenas vinte palavras. Mas como a confusão é geral, todo mundo diz tudo, sem entender nada apenas completando com um: “glória a Deus” ou “Aleluia”. Não são poucos as gravações e os vídeos que são postados na Internet, revelando a oratória e pregação destes insanos.

Sem contar a irreverência, a falta de silencio e a “salada de espiritualidade” que observamos nos arraiais evangélicos. Práticas esquisitas, estranhas e incompreensíveis. O Brasil e a América Latina são ricos e criativos para viver o sincretismo religioso animista. São muitos “sapatinhos de fogo”, “rosas ungidas”, “mantos sagrados”, e mais um milhão de idéias sobre prosperidade que exalam dos púlpitos sejam eles neopentecostais ou até  tradicionais para engodar os crentes.

Quem são os culpados? Os responsáveis somos nós mesmos, a igreja de Cristo. A começar dos nossos Seminários que estão gerando pastores e líderes sem formação teológica e bíblica. Escolas que ainda vivem os tempos do Medievalismo. Não fazem seus alunos pensarem. Ainda acham que devemos viver na época de João Calvino e Tomás de Aquino. Não ensinam seus alunos a construírem pontes que possam ligar os diversos tempos. Os responsáveis somos nós que misturamos “fé com ideologia” e “doutrina com tradicionalismo ignorante”.

Ah, como penso em Lutero! Em seu espírito voluntarioso e ousado. Sim, ele soube unir pontes e provocar uma revolução nos seus dias. Ele foi um “cabra macho”, pois teve coragem de dizer “não” aos que levavam o povo ao “fundo poço” da ignorância espiritual. Precisamos de outra reforma, mas não a de Lutero. A dele foi para seu tempo. Precisamos de outros que sejam como ele afim de que vidas sejam de fato libertadas e não oprimidas pela superficialidade educacional, cultural e religiosa vigentes e encontrem a Verdade que traz a Vida.       

Rev. Luiz Augusto Bueno 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

DECÁLOGO DO VOTO ÉTICO



1. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município;

2. O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade noutra direção;

3. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, a bem de sua credibilidade, o pastor evitará transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário;

4. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou alternadamente, representantes das correntes partidárias possam ser ouvidos sem preconceitos;

5. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil impõe que não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos ou partidos dentro da igreja, sob pena de constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a comunidade;

6. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. É óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão político-institucional. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político de fé evangélica tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um "despachante" de igrejas. Ao defender os direitos universais do homem, a democracia, o estado leigo, entre outras conquistas, o cristão estará defendendo a Igreja.

7. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que, em assim fazendo, conseguiria alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades, tratamento especial perante a lei ou outros "trocos", ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais "acertos" impliquem na prostituição da consciência cristã, mesmo que a "recompensa" seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Jesus Cristo não aceitou ganhar os "reinos deste mundo" por quaisquer meios, Ele preferiu o caminho da cruz.

8. Os votos para Presidente da República e para cargos majoritários devem, sobretudo, basear-se em programas de governo, e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais candidaturas que, no Brasil, são, em extremo, determinantes; não em função de "boatos" do tipo: "O candidato tal é ateu"; ou: "O fulano vai fechar as igrejas"; ou: "O sicrano não vai dar nada para os evangélicos"; ou ainda: "O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos". É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos.

9. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: "o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto", é compreensível que dê um "voto de confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. Entretanto, é de bom alvitre considerar que ninguém atua sozinho, por melhor que seja o irmão, em questão, ele dificilmente transcenderá a agremiação política de que é membro, ou as forças políticas que o apoiem.

10. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina.                                          Fonte: AEvB