segunda-feira, 27 de agosto de 2012

ONDE NASCE A MISSIO DEI (MISSÃO DE DEUS)?



A grande maioria das pessoas acredita que a ordem para testemunhar do amor de Deus se baseia no encontro de Jesus com seus discípulos após ressuscitado. Neste encontro Jesus os enviou e lhes deu ordens para “fazer discípulos” (Mt 28.19), pregar o evangelho a cada criatura. 

O fundamento para a missão da Igreja não deve ser apenas pautado pelas máximas de Cristo, como expostas nos evangelhos (Mt 28.18-20; Mc 16.15-20; Lc 24.47-49; Jo 20.19,20), muito menos em fatores pragmáticos motivados por um ardor missionário, mesmo levando em consideração as boas intenções, mas sim, se fundamenta primordialmente na doutrina de Deus

É no estudo da natureza de Deus, que se encontram os fundamentos para se entender a missão da Igreja no mundo.
          
O principal agente no drama da criação é Deus. "No princípio criou Deus ..." (Gn 1.1). É Deus quem cria, quem julga, quem age, quem escolhe, e quem se revela. Ele é o sujeito da criação. Ele é o ser soberano, único e verdadeiro e deseja que sua glória seja conhecida nos céus (Salmo 19) e nas extremidades da terra (Is 11.9).

Portanto, "missão" é uma atividade pertencente ao ser de Deus. A missão, antes que fale da tarefa da igreja, é uma ação determinada de Deus. Esta premissa é contra toda atitude de auto suficiência e independência da igreja na tarefa missionária. 

Se a missão é de Deus, então é dele que a igreja deve depender na sua participação como cooperadora na obra. Isto implica numa verdadeira atitude de humildade, uma dependência exclusiva de Deus, ao invés de independência, característica do espírito megalomaníaco.

Para que se compreenda a natureza missionária da igreja há que se entender a respeito de Deus e o relacionamento interpessoal na Trindade. O mistério do relacionamento entre as três pessoas da Trindade, será a semente para a criação da vocação daqueles que formam a igreja, o Corpo de Cristo, chamada para plantar o Reino de Deus. 

George Peters, afirma: “... se as palavras de Jesus nunca fossem pronunciadas por ele, ou se fossem ditas, nunca fossem conservadas, a tarefa missionária da Igreja não seria afetada nem um pouco. Os principais argumentos para missões não são encontrados em palavras específicas. É no próprio ser e caráter de Deus que a base mais profunda do esforço missionário deve ser encontrada. Nós não conseguimos pensar em Deus, exceto em termos que completem a ideia missionária. Embora palavras possam revelar tarefas missionárias eternas, as bases estão no ser e no pensamento de Deus, no caráter do cristianismo, no objetivo e no propósito da Igreja Cristã e na natureza da sua humanidade, sua unidade e necessidade”.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

94 ANOS DE VIDA DE DONA ELIZINHA



Neste dia 25 de agosto, celebramos juntos como família mais um ano de vida de nossa querida Matriarca, Da. Elizinha como por muitos é conhecida.

Eliza é o nome abreviado para Elizabeth que significa “consagrada para Deus” e também “mulher feliz” no original hebraico. E agora quando ela completa 94 anos de vida nós não podemos nos esquecer o quanto ela foi e é uma mulher consagrada a Deus. Sua vida é um exemplo para todos os que amam a vida e também a Deus.

Elizinha sempre foi uma mulher de oração. Nunca abandonou as preces e suas orações por toda a sua família, parentes, amigos e irmãos que a procuravam. Elizinha nunca trocou a missa do domingo por outros afazeres e nem mesmo a prática do bem a todos que entravam em sua casa. O encontro com com Cristo era prioritário em sua vida.

Mas Elizinha também é “mulher feliz”. Apesar de todas as adversidades que atravessou na vida, lutas, perdas e tribulações, Elizinha é sinônimo de alegria e perseverança. Nunca desanimou e nem abandonou a caminhada. Sempre disposta e guerreira. Seu jeito de ser é singular. Suas frases e interjeições parecem sorrir para a própria vida.

Hoje ainda aprendemos com nossa querida mãe e avó. Mais um ano de vida, não com tanta vitalidade e saúde, mas com certeza, Elizinha mantém dentro de si, algo que ninguém pode arrancar dela: o amor pela vida e pelas pessoas.

Nós que fazemos a família de Da. Elizinha, agradecemos a Deus pela sua vida e pelo exemplo que está nos oferecendo. Quando pensamos nela, sem dúvida lembramos as palavras do Salmo 92,14, que é uma promessa de vida para os justos: “O Justo florescerá como a palmeira, na velhice darão ainda frutos”!

Parabéns nossa querida mãe, avó, tia e bisavó, Eliza Ventirolli Marotti. Amamos você!

Uma homenagem de Silvito, Vera, Luiz, Andréa, Renata, Claudia, Silvio Filho, Beatriz, Pedro Augusto, Mariana, Marina e Arthur.

sábado, 11 de agosto de 2012

A FÉ VERDADEIRA NÃO EXPLORA CARÊNCIAS HUMANAS



A religião falsa e manipulativa produz fé falsa, desrespeito pela pessoa, irreverência amorosa e exploração da personalidade. Quando se age sinicamente e se despreza os direitos das pessoas, mesmo alegando os pretextos mais nobres, a religião nos afasta de Deus.
O famoso sumo-sacerdote Caifás disse certa feita ao Sinédrio: "Vós nada sabeis, nem considerais que convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação?" (Evangelho de São João 11.50)
Para ele, a religião abandonou o domínio do respeito pela pessoa. Para Caifás o sagrado tornou-se instituição, estruturas, o sistema que deveria ser mantido inalteravelmente.
Para ele os indivíduos e as gentes eram dispensáveis. Caifás dedicava-se à nação. Mas a nação não sangrou como Jesus. Caifás dedicava-se ao Templo (coisa impessoal de cimento e pedras). Por isso Caifás tornou-se impessoal. Não era um ser humano caloroso, mas um monstro, um robô, tão rígido e inflexível quanto seu pequeno mundo.
Ninguém tem que escolher entre Jesus e Barrabás. Mas se deve escolher entre Jesus e Caifás. Caifás engana, mas é um homem muito religioso. O espírito de Caifás está impregnado durante séculos nos burocratas religiosos, que condenam gente boa pelo legalismo preconceituoso.
Sempre por uma boa razão: pela igreja, pelo templo, pela religião, pelo líder religioso. Quanta gente verdadeira e honesta já foi banida das comunidades cristãs por religiosos ávidos de poder, dinheiro e status. Estão tão entorpecidos quanto Caifás.
Quando o clero (seja de que denominação for) e a classe política se deixa absorver pelo espírito enganador de Caifás, para manter a boa imagem, acabam por interpretar as leis religiosas para benefício próprio, acabam por personificarem o mal e a desumanidade.
Jesus não foi assim, antes era caloroso, simpático, amável, atencioso e respeitoso com o ser humano. Não necessitava negociar nada em prol de sua vida. Não precisava de números para encher seu bolso, nem mesmo seu ego. Não enganava, pois tratava a todos com sinceridade e inteireza da verdade. Não forjava pessoas para dominá-las depois, nem mesmo as bajulava. Jesus não era inflexível, era humano e por ser humano, não desdenhava daqueles que se encontravam em posições menores social e materialmente. Não comprava pessoas explorando a fé delas. Se fosse preciso abria mão do Templo, de regras inflexíveis para acolher os que a religião dominante afastava.
Não era a favor da vida apenas porque evitava a morte. Era a favor da vida porque sabia que qualquer que se encontrasse com ele mesmo morrendo iria viver. Não dicotomizava a vida. Tudo era sagrado e se assim era, as pessoas possuíam um valor imensurável pela pluralidade de sentimentos, pela intelectualidade e singularidade que cada uma revelava.
Longe de nós, o espírito de Caifás. Escolhamos aprender de Jesus. Pois quanto mais perto dEle, mais humanos seremos. 

FÉ DO TAMANHO DE UMA SEMENTE DE MOSTARDA



Jesus sempre procurou valorizar o pequeno. Aquilo que era muitas vezes menosprezado pelos homens, ele atribuía seu verdadeiro valor e importância. Procurava enaltecer o desprezível, o insignificante e o diminuto. Deu-nos muitos exemplos a este respeito para que pudéssemos aprender a rever nossa posição diante daquilo que é julgado mínimo pela maioria. A semente de mostarda, o dracma perdido, a espiga de trigo, a ovelha perdida, o copo d”água oferecido ao sedento, são alguns exemplos que receberam de Deus o valor devido, mostrando-nos que nem tudo o que aparentemente é secundário para o mundo, seja assim para Deus. Ensinou que à criança pura e sensível está destinado o Reino dos Céus; e nos instruiu a imitá-la para que também pudéssemos ser dignos deste Reino.
Jesus não era um homem das massas, procurava orientar seus discípulos que não contassem aos outros a maioria dos milagres. Conhecia o coração das pessoas, sabia de seus sofrimentos e de suas inquietudes, estava ciente do quanto os homens são afligidos pelas doenças e pelos demônios.
Valorizou as viúvas indefesas, os órfãos, os servos, os pobres, os excluídos, os marginalizados, os doentes, os deficientes: todos eles sensibilizavam o Deus da Vida. Contudo, a criança era a predileção de Jesus. Via nela a imagem da pureza, a imagem do imaculado. Na criança a imagem e semelhança de Deus que nos foi dada na Criação permanecem fidedignas, pois Deus se revela pela sua candura. Nada sensibilizava mais seu coração quanto ver o sofrimento de uma criança inocente.
Trouxeram uma criança que estava possuída por um espírito maligno e que por causa disso, sofria ataques de epilepsia que a levavam a cair no fogo ou na água para o desespero de seus familiares. Jesus ouve da boca do próprio pai que seus discípulos não foram capazes de curar seu filho que padecia de uma grave enfermidade e que por isso estava trazendo diante dele, como ultima esperança.
O Senhor expôs para todos a fraqueza e a pequenez da fé que seus seguidores mais próximos tinham; e denunciou que esta fé vulnerável era o motivo pelo qual a cura não tinha sido alcançada. A falta de uma fé consistente em Deus da parte dos discípulos fez o Senhor falar de um jeito mais enérgico beirando o desabafo. Jesus estava se referindo a pouca fé dos apóstolos que, apesar de sempre estarem em sua companhia, pareciam não aprender muito com ele.
Imediatamente Jesus curou o menino. Sem espetáculo, sem alardes, sem ostentação, como lhe era peculiar. Os discípulos ficaram atônitos diante da simplicidade do gesto de cura realizada pelo Senhor.
O Senhor revelou que a fé inquebrantável em Deus é resultante do contínuo diálogo com Deus. A comunicação diária com o Senhor estreita os laços de nossa filiação e nos faz sensíveis a esta realidade. Sem um mínimo de fé não há como persistir na oração sincera. A fé nos é dada aos poucos, para que da mesma maneira possamos contemplar a abundante graça divina que nos é ofertada.
Jesus diz a seus discípulos que se tivéssemos fé do tamanho de uma semente de mostarda transportaríamos uma montanha de um lado ao outro; e que faríamos obras maiores do que as dele. Esta constatação estampa a fragilidade da nossa fé em Deus, revela nossa falta de perseverança na oração. Talvez a montanha primeira que teremos que transpor seja nossa própria resistência na freqüência da oração.               
Paulo Tamanine