segunda-feira, 30 de abril de 2012

Notícias de Ivanir:



Meus amigos, estou escrevendo por que acabei de conversar com Ivanir. Ela está motivada apesar da sua luta contra a Leucemia. Até quinta-feira ela nos dará maiores detalhes, mas o que temos até agora é: Ela deverá viajar até o Rio de Janeiro onde fará todo o tratamento no Hospital Samaritano. O custo total de seu tratamento, já descontado a assistência médica e ajuda do Ministério da Defesa,  será de R$ 10.000,00. Ela precisa deste valor até dia 17 de maio quando já deverá estar no Rio para iniciar os procedimentos. Será acompanhada por 3 médicos de referência e suas equipes médicas. Várias pessoas estão se movimentando, mas temos que alcançar esta meta. Por favor, se você pode ajudar, faça o depósito na Conta da Ivanir e me dê um retorno ok? Os dados para depósito são:
Banco do Brasil
Ag: 1833-3
C/C: 202233-8
Ivanir Verissimo de Lima Baracho
Oremos e amemos
Rev. Luiz Augusto C. Bueno
OBS: Se precisar do CPF dela, me escreva que enviarei.
LEMBRE-SE: MAIS BEM-AVENTURADO É DAR DO QUE RECEBER!

PARTICIPE DA 1A. CONFERENCIA INTERNACIONAL

Novos LÍDERES em TEMPOS DE MUDANÇAS
Nosso Conferencista Pr. Clarence Bradbury (D.Min.)  tem ministrado diversos cursos para  aperfeiçoamento e treinamento de líderes cristãos no Canadá e Estados Unidos. Foi Diretor da Escola Jack  McDowell de Desenvolvimento de Liderança, em Atlanta (EUA).
Datas: 
01 e 02 DE JUNHO 
Dia 01: 19:30-21:00 
Dia 02: 15:00 - 21:00 
*O jantar do dia 02 já está incluso no valor da inscrição. 
Local: 
IGREJA PRESBITERIANA DE CASA CAIADA 
Av. Carlos de Lima Cavalcante, 1860, Casa Caiada, Olinda-PE. 
*Em frente à Praça da Bíblia 
VAGAS LIMITADAS  INVESTIMENTO R$ 40,00 
INSCRIÇÕES: SITE DO CTA: www.teologiapratica.com.br
OU
Livraria LUZ E VIDA


sábado, 28 de abril de 2012

A POSTURA DO CRISTÃO DIANTE DE UM MUNDO PÓS-MODERNO




No seu livro “Sociedade Pós-capitalista” Peter Drucker afirma: “Nos últimos cem anos ocorreu uma transformação aguda no mundo ocidental. Nós cruzamos uma linha divisória. Em poucas décadas, os valores, as estruturas políticas, as artes e as instituições de nossa sociedade foram alteradas. Os filhos desta geração não conseguem nem imaginar o mundo em que seus avós viveram e no qual seus pais nasceram. Estamos vivendo tão somente uma transformação”.

A estrutura social em que vivemos hoje está sedimentada na filosofia do consumismo e do capitalismo selvagem. As pessoas vivem em função de possuir “coisas”. A idéia de sucesso passa pela fama. A nossa civilização está baseada ainda na visão de culturas e sub culturas que são dominadas pela Ciência e a Tecnologia. Porém existem ainda as mesmas lutas pela igualdade social e racial. Vários povos continuam a se enfrentar militarmente e a discriminação é base da educação familiar de muitas raças e nações.

Temos contemplado atônitos a matança de povos que vivem em conflito a centenas de anos e a globalização têm gerado um desnível social e econômico nunca visto. Os países ricos dominam e controlam os mais pobres economicamente.

No plano religioso, a igreja enfrenta problemas semelhantes. Ainda hoje a igreja protestante não conseguiu apagar a imagem imperialista que causou enormes chagas nos povos menos favorecidos no século XIX.

Ainda não acordamos. Estamos vivendo uma fase nova na vida de todos e ainda precisamos cumprir a missão que Jesus Cristo deixou-nos como discípulos. O que fazer?

Essa situação devastadora começa pela interpretação das Escrituras. Precisamos lutar contra a superficialidade da interpretação do evangelho, pois isso tem gerado uma ética e uma contextualização superficial por parte da igreja evangélica de hoje. René Padilla afirma que “a mensagem da cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor totalmente oposto a uma vida individualista, centralizada em ambições pessoais”. Essa crise de superficialidade começa na formação teológica dos líderes da igreja. Vivemos um déficit teológico e isso resulta em uma fraca contextualização do evangelho. A igreja como instituição necessita retornar a uma teologia de missão fiel à Palavra e ao contexto cultural onde ela está.

As conseqüências dessa falsa interpretação das Escrituras acaba por empobrecer a vida cristã e reduzi-la a uma mensagem “além-túmulo” sem os resultados integrais do Evangelho do Reino. O Pr. Valdir Steuernagel afirma que “a nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida”. Então o evangelho não se dirige ao homem em um vazio. Para que o Evangelho não seja somente aceito intelectualmente mas também vivido, ele deve tomar forma dentro de nosso próprio contexto cultural.

Portanto, nós somos chamados a testemunhar nos contextualizando e convivendo com as pessoas das mais variadas idéias, pensamentos e valores. Precisamos hoje ter coragem de fazer uma auto-avaliação de como estamos vivendo para que a igreja de fato seja igreja encarnada e entranhada nesta sociedade. Se ela não se encarnar poderá tomar uma forma aparente de igreja, contudo será apenas uma organização religiosa, sem as máximas de Cristo Jesus, sem causar impacto na sociedade, e sem a manifestação da glória de Deus e da sua presença no contexto em que vive.

IVANIR PRECISA DE NOSSA AJUDA!

Prezados irmãos e amigos,
Escrevo nesta hora, certo que há um remanescente fiel a Deus, que o ama e busca amar o próximo.
Em nossa comunidade, a Igreja Presbiteriana de Jardim São Paulo, temos uma jovem que está muito enferma. Seu nome é Ivanir Veríssimo. Ela é mãe de Lucas e membro de nossa igreja. Semanas atrás foi diagnosticada com Leucemia. Ela necessita urgentemente viajar para o Rio de Janeiro onde dará continuidade ao tratamento, uma vez que aqui no Recife já começou a Quimioterapia. Como pastor da Ivanir, estou desafiando você a fazer uma doação, de acordo com as suas posses para as injeções que são caríssimas, e sua viagem. Serão 4 injeções que Ivanir terá que tomar. Somente 1 custa R$ 4.000,00. Se todos nós dermos um pouco ela concluirá seu tratamento no Rio. Portanto, sei que você poderia ajudá-la com algum valor, pois a graça de Cristo é derramada em nosso coração minuto após minuto. Lembre-se como um dia escreveu Willian Carey: Esperai grandes coisas de Deus, fazei grandes coisas para Deus. Ivanir precisa de nós.
Se você desejar faça sua doação. A Conta que coloco aqui é da própria Ivanir.
Banco do Brasil
Ag: 1833-3
C/C: 202233-8
Ivanir Verissimo de Lima Baracho
Oremos e amemos
Rev. Luiz Augusto C. Bueno - Pastor da igreja


sexta-feira, 20 de abril de 2012

QUEM É O VERDADEIRO CRISTÃO?

Há uma diversidade de estilos de cristianismo como há diferentes tipos de cristãos.

No sentido amplo da palavra “cristão”, alguns para se distinguirem de outros, se nomeiam como “crentes”, outros como “evangélicos” e outros fazem questão de afirmar seu “tipo de doutrina” ou “denominação”.

Há aqueles que dizem que são da igreja “tal” ou da igreja do pastor “Beltrano”. Hoje há todo tipo de “cristão”, há os cristãos “católicos”, “evangélicos”, “não-evangélicos”, os “apostólicos” entre tantos mil.

Se fôssemos pensar em denominações evangélicas, há pelo menos no mundo inteiro aproximadamente 80.000 denominações.

Mas quem é o “Cristão” no sentido restrito da palavra?

Cristão não é simplesmente a pessoa que procura viver de acordo com a doutrina de sua igreja ou denominação. Cristão é antes de tudo aquele que procura viver sua humanidade a partir de Cristo.

Para isso precisamos pensar em que significa ser verdadeiramente humano e o que significa ser verdadeiramente cristão.

Ser verdadeiramente humano, significa viver verdadeiramente sua humanidade, isto é esforçar-se por ser uma pessoa individual e completa e ao mesmo tempo estar relacionado com sua sociedade, voltado para as necessidades e esperanças dos outros semelhantes, da sociedade em geral e estar engajado em prol da justiça, além de assumir sua espiritualidade.

Enfim, ser verdadeiramente humano é viver como Cristo manifestava sua humanidade, pois Ele viveu sua humanidade de forma integral como pessoa, dentro de seu contexto de vida, de sua cultura e de seus costumes. Ele foi homem no sentido pleno da palavra.

Como Cristo viveu sua humanidade, assim nós somos chamados a viver a nossa. Quando não vivemos nossa humanidade, como Cristo viveu a sua, diluímos o significado do “ser cristão”.

Pode-se viver uma religiosidade cristã, sem ser um verdadeiro cristão - como Cristo viveu. Somente é cristão, se viver como Cristo. Assim ser cristão é “seguir a Jesus de Nazaré”. Viver, sofrer e morrer de maneira verdadeiramente humana na sociedade, em seu contexto, na alegria e na tristeza, na vida e na morte, sustentado por Deus e sendo prestativo as pessoas.

Portanto, o cristão não pode viver sob uma forma externa de religiosidade ou denominacionalista, antes sim, viver como pessoa, como um humano como Cristo o foi. Cristo viveu seus costumes e sua cultura de forma plena, sem amarras, sem códigos e sem dogmas. Rompeu sim com as estruturas sociais e religiosas que oprimiam as pessoas com o fim de desumanizá-las, tornando-as monstros de si mesmas.

Viver como Cristão não é viver sob códigos denominacionais ou apenas acreditar em postulados confessionais.

Hoje, necessitamos urgentemente voltar a viver como cristãos. Para isso, precisamos ter coragem de romper com as amarras dos processos religiosos que dominam as pessoas e fazem a “lavagem cerebral” nada diferente dos tempos primitivos e medievais.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

VENDO UMA CARICATURA DE JESUS?

Eles (os discípulos), porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um fantasma. Luc 24:37

O que fez a toda a diferença na expansão do Cristianismo foi a doação das pessoas que viram Jesus de Nazaré ressuscitado. A certeza da ressurreição foi a partir de então o grande princípio motivador para o engajamento. Por isso então, que todos os evangelhos ressaltam sempre a morte e a ressurreição de Jesus. Sem esta jamais o mundo seria varrido pela fé cristã. A ressurreição passa a fazer parte de dois temas proclamados: Triunfo e desafio.

Mas até que Jesus se postasse diante deles em “carne e osso”, estavam atordoados. No primeiro momento por causa do medo e da incerteza, pois pensavam que iriam padecer nas mãos dos romanos e judeus. Ao verem Jesus, responderam ao fato de serem testemunhas.

A palavra testemunha em grego é martyr, isto é, aquele que leva uma causa até as últimas conseqüências e não meramente é uma “testemunha ocular de fatos”. Precisamos urgentemente deixar de ver um Jesus desenhado ou explicado por terceiros, para ver o Jesus ressuscitado, como ele é não como pintam ou caricaturam-no. Precisamos passar pela experiência.

A isso eu chamarei de “experiência com o Jesus ressurrecto”. Mesmo passando um longo tempo aos pés de Jesus antes de sua morte e tendo concebido outros valores e mandamentos ditos por Ele mesmo, ainda assim isso não os possibilitaria tornarem-se testemunhas. Sem dúvida, eles precisaram ver para crer, passar a experiência de ver algo que jamais haviam visto. Desta forma o encontro e a vivência com o ressuscitado por quase quarenta dias, foi a base de todo engajamento na expansão desta fé e no destemor de colocarem em jogo até as suas vidas. Jesus não apenas vencera a morte, mas abrira caminho para que isso acontecesse em suas vidas também. Há esperança palpável, concreta, física e eterna. Somente assim foram e fizeram o que era para ser feito. Isso é mais que conhecimento natural, racional, confessional ou bíblico.

Mas como passar por esta experiência se Jesus não está mais em nosso meio, uma vez que ele foi elevado aos céus como nos afirma o livro de Atos? Jesus afirmara tempos antes aos discípulos que eles não ficariam sem Sua presença. Mesmo sem Ele fisicamente, o Pai iria enviar o Espírito Santo para que estivessem sempre com eles até o fim. Foi isso que aconteceu dez dias depois que Jesus foi embora. O Espírito Santo veio e está na terra, levando esta mesma experiência a todos aqueles que estão abertos a uma encontro com o Ressuscitado.

O apóstolo Pedro afirma que o caminho para isso é a experiência da fé e do encontro com este Espírito Santo. Não há outro jeito, embora queiramos falar desta experiência explicando às pessoas, jamais vamos conseguir explicá-la, pois fé não se explica, fé se experimenta. Esse é o caminho. Os discípulos somente fizeram o que fizeram por que passaram pela experiência. Sim, cada um à sua maneira e aqui entra o que chamamos de Graça. Graça elimina experiências padronizadas ou determinadas por terceiros ou por instituições.

Precisamos valorizar esta experiência mística e pessoal, pois só ela trará as conseqüências de um testemunho natural e vivo, um encontro que não depende de dogmas confessionais ou mesmo de uma centena de mandamentos restritivos, mas de fato um encontro que mudará a vida de qualquer pessoa como mudou a vida daqueles depois da ressurreição. Acredito que ainda muita gente está vendo “fantasmas” ou um Jesus caricaturado. Em verdade, precisamos voltar a esta fonte, pois ela foi perdida quando começamos julgar e explicar racionalmente o conceito de fé e esquecemos de experimentar o Jesus por meio do Espírito Santo dentro de nós. Precisamos isso, de novo, todos os dias até o final.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O PERIGO DO JULGAMENTO PRECIPITADO...

Certa vez no Monte Athos havia um monge que viveu em Karyes. Ele bebia e ficava bêbado todos os dias e era motivo de escândalos para os peregrinos.

Finalmente ele morreu e isso aliviou um pouco a fofoca dos fiéis que passaram a dizer ao Ancião Paisios que eles estavam satisfeitos porque esse grande problema foi finalmente resolvido.

Pai Paisios respondeu-lhes que sabia sobre a morte do monge, depois de ter visto o Batalhão de anjos que veio para recolher sua alma.


Os peregrinos ficaram espantados e alguns protestaram e tentaram explicar para o Ancião de quem eles estavam falando, pensando que o Ancião não tivesse ciência.

Ancião Paisios explicou-lhes: "Este monge em particular nasceu na Ásia Menor, pouco antes da destruição pelos turcos quando eles recolheram todos os meninos. Então, para que o menino não fosse tomado de seus pais, eles o levavam a colheita, e assim para que ele não chorasse era colocado raki (um tipo de bebida alcoolica) em seu leite, e assim ele dormia. Portanto, ele cresceu como um alcoólatra. Lá ele encontrou um presbítero e confessou a ele seu alcoolismo. O presbítero lhe disse para fazer prostrações e orações todas as noites e pedir a Panagia (Toda-Santa) - i.e. como é chamada a Virgem Maria na Ortodoxia Oriental - para ajudá-lo a reduzir por um os copos que ele bebia. Depois de um ano ele conseguiu com esforço e arrependimento fazer os 20 copos que bebia em 19 copos. A luta continuou ao longo dos anos e chegou a 2-3 copos, com a qual ele ainda ficava bêbado."

O mundo por muitos anos viu um monge alcoólatra que escandalizava os peregrinos, mas Deus via um lutador que travava uma longa luta para reduzir a sua paixão.

Sem saber o que cada pessoa está tentando fazer pra melhorar, que direito temos de julgar o seu esforço?

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O LAR CELESTIAL NÃO É O FIM!

Quando Jesus, depois de ressuscitado, se postou no meio dos discípulos e disse: “toda autoridade me foi dada no céu e na terra, ide... fazei discípulos de todas as nações”, ou nas palavras de João, o apóstolo: “assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”, o fato da ressurreição era mais forte que a própria mensagem da igreja.

No início da igreja primitiva esta mensagem foi tão impactante que todo o mundo romano da época foi invadido pela pregação dos discípulos de Jesus. O mundo foi saturado de uma manchete viva. Nenhum outro vencera a morte e abrira caminho para a restauração do mundo. O mundo havia sido redimido definitivamente. O reino de Deus começara a fazer sentido. Uma nova era começara. As pessoas precisavam saber que nenhum habitante deste mundo ficaria no túmulo. Haveria ressurreição para todos. O mundo que estava se deteriorando, agora começara a viver uma transformação, o cosmo seria refeito, Deus habitaria fisicamente e eternamente com o mundo criado e restaurado por Cristo.

Porém esta mensagem que foi levada por todos os apóstolos e especialmente por Paulo, pregando sempre “Jesus e a Ressurreição”, como fizera em Atenas e em tantas outras localidades do mundo antigo, foi também desenvolvida e tomara forma na teologia dos “Pais Apostólicos”, depois começou a perder sua força. A igreja se transformou em Instituição e passou a pregar mais uma “salvação da alma” do que uma “redenção do corpo eterno”.

Hoje, a pregação da igreja cristã subestima e empobrece a mensagem da Ressurreição. Quando não se prega uma salvação para ser usada enquanto se vive aqui, com um conteúdo de “prosperidade” prega-se uma mensagem que somente envolve a alma ou o espírito de cada um preparando para um lar celestial.

A ressurreição de Cristo deve ser pregada e anunciada por que:

1- A ressurreição inaugura uma Nova Criação. Somos participantes de um Novo Reino, físico e eterno. Vencer a morte foi o maior ato pelo qual Deus decidiu conferir a restauração da imortalidade e a eternidade a todos os seres humanos. Não somente isso, a terra será transformada (Romanos 8.18-23).

2- A ressurreição revela que o Céu não é final. O lar celestial onde as almas estão aguardam o dia final quando todo o Universo será transformado. Haverá uma ressurreição total. Todos ressuscitarão (João 5.22-25). Se eu crer que somente terei o céu para morar, minha fé é equivocada, pois o Reino de Deus será estabelecido de forma física e eterna.

3- Qualquer pregação sem a ressurreição é parcial e pobre. Não há ressurreição sem a morte e não há morte sem a ressurreição. A páscoa de Cristo não pode ser restrita a uma comemoração cultural e social, por meio de presentes de ovos de chocolate. A páscoa de Cristo é a celebração de um evento que mudou a história do mundo e de todo ser humano.

A ressurreição nos leva a dizer juntos: Maranata, vem Senhor Jesus!

terça-feira, 3 de abril de 2012

SEMANA SANTA: O CANTO DO SERVO SOFREDOR

A igreja cristã primitiva aprendeu a vasculhar o Antigo Testamento Grego (a Septuginta, como era conhecida) a fim de alimentar a alma de seus fiéis e exaltar o Messias, e encontrou quatro momentos no livro do profeta Isaias que a própria igreja denominou de "Cantos do Servo Sofredor".

Durante o período da Quaresma (quarenta dias antes da Páscoa de Cristo) a igreja se revestia de uma espiritualidade punjante, lembrando, orando, refletindo sobre o que foi a encarnação de Deus, sua vida sofredora entre nós, sua descida humilhante, abdicando de Sua glória e vivendo como nós, esvaziando-se de si mesmo, tornando um "escravo", como bem o apóstolo Paulo declara em Filipenses 2.5-11, e toda sua angústia, no jardim do Getsêmani, e então posterior traição, julgamento, sentença, tortura e morte.

O primeiro texto de Isaias que a Igreja cantava está no capítulo 42.1-9:

"Eis o meu servo, a quem sustento, o meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Espírito, e ele trará justiça às nações. Não gritará nem clamará, nem erguerá a voz nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça; não mostrará fraqueza nem se deixará ferir, até que estabeleça a justiça sobre a terra. Em sua lei as ilhas porão sua esperança. "É o que diz Deus, o Senhor, aquele que criou o céu e o estendeu, que espalhou a terra e tudo o que dela procede, que dá fôlego aos seus moradores e vida aos que andam nela: "Eu, o Senhor, o chamei em retidão; segurarei firme a sua mão. Eu o guardarei e farei de você um mediador para o povo e uma luz para os gentios, para abrir os olhos aos cegos, para libertar da prisão os cativos e para livrar do calabouço os que habitam na escuridão. "Eu sou o Senhor; esse é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor. Vejam! As profecias antigas aconteceram, e novas eu anuncio; antes de surgirem, eu as declaro a vocês".

A igreja cristã olhava para o Servo (o Messias) com os olhos do Deus da Graça. Sua escolha como "aquele que possui o Espírito de Deus e que estabelecerá a Justiça no meio das nações". E como Jesus Cristo de fato assim fêz, não fazia de sua vida e de seus milagres o seu "marketing pessoal". Sabia que o ser humano era como um caniço rachado, mas nem por isso pisava nele a fim de quebrá-lo de vez. Via as gentes como um pavio que estava quase se apagando, mas nem por isso o apagava, por que ainda via que havia fogo suficiente para incendiar uma floresta.

Nosso Senhor, o servo sofredor não vacilou nem se desacorçoou. Ele mesmo dizia a respeito de sua intenção em estar entre nós. "Ninguém me tira a vida, eu a espontaneamente a dou". Diante de sua sentença já decretada em seu nascimento, Jesus foi silente e determinado. Não correu, nem conseguiu um substituto para não sofrer por gente fétida e imunda.

Ele abriu os olhos dos cegos, não meramente curando-os de cegueira física, mas livrando-os da cegueira da "não-fé". Abriu os olhos de todos aqueles que queriam enxergar além da visão física, além do legalismo, além da vida biológica.

Nosso Senhor libertou muitos cativos. Cativos, não por que eram escravos de um sistema social espúrio, mas porque eram escravos de si mesmos, enjaulados em suas dores, em seus traumas e suas próprias esquizofrenias por não se autoconhecerem como plenamente humanos. Por isso dizia a alguns: Ninguém podia ver o reino de Deus, se não nascesse do "Alto", onde na verdade isso nada mais era que encontrar-se com o "Alto" dentro de si mesmo, por meio de uma experiência muito maior que a simploriedade racional.

A igreja cristã dos primeiros séculos soube encontrar o alimento da alma, por que não apenas lia as Escrituras mas contemplava aquele que está além das Escrituras. A igreja pós-moderna perdeu a contemplatividade, desencaminhou-se pela racionalidade, deixou de alimentar a sua alma com o "pão do céu". Esqueceu a simplicidade e abandonou o exemplo de "serva" do "servo". Não fala mais em doação, não caminha mais ao lado do "servo sofredor".

Ó igreja, converta-se, busque ao Senhor, olhe além da dureza de seu coração consumista!