sexta-feira, 30 de março de 2012

DÍZIMO, OFERTA E PARTILHA

A prática do dízimo e da oferta está presente no relacionamento entre Deus e o homem desde o início da civilização. Pelo muito que se vê e se fala e pela prática de muitos “falsos profetas evangélicos” nos dias de hoje, muitas pessoas confundem este ensino e acham que o dízimo e a oferta é um imposto que se ‘paga’ nas igrejas aos pastores. Na verdade, o dízimo e a oferta fazem parte da prática espiritual de cada cristão. É parte do relacionamento com Deus, como expressão visível da fé na comunidade.

Além disso, este ato é uma resposta de nosso coração a Deus como o reconhecimento de que Ele é o único Senhor e Fonte de toda a nossa provisão. Também entendemos que é um sinal de gratidão a Deus por todos os benefícios que Ele nos concede. Mas não há como desenvolver esta prática em nós se não compreendermos isso a partir da fé. Quando dizimamos e ofertamos estamos dizendo a Deus que Ele nos ama e reconhecemos que cuida de cada um de nós como filhos e filhas.

A prática do dízimo, da oferta, e da partilha leva-nos a compreensão de que vivemos fraternalmente a grande família de Deus. Realizando assim, a vontade do Pai e implantando o Reino de Justiça e Paz entre as pessoas.

Mas há uma ilusão que tem arrastado a muitos ao pecado da soberba e da arrogância. O “Ter e o Possuir”. Pensamos que somos donos das coisas, quando somos apenas administradores. A má distribuição de renda, a fome, a violência, as intolerâncias são causadas pela falta de gratidão a Deus e pela falta da “partilha”. Se Deus é o provedor da vida, a providência divina que não falha é que sustenta nossas necessidades e nos une para a caminhada rumo a “novos céus e nova terra”.

Outro assunto esquecido entre nós é a “Partilha”. Através dela, revelamos que o amor de Deus existe em nosso coração. Quando partilhamos, dividimos, terminamos por mostrar o quanto amamos as pessoas e quanto o amor de Cristo está depositado em nosso coração. Precisamos estar conscientes de que: “ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar e ninguém é tão rico que não tenha nada para receber”.

Neste domingo que antecede a Paixão e a Páscoa de Nosso Senhor, devemos fazer um exame em nossa consciência e em nosso coração, a fim de que, olhando para o exemplo do Cristo que sendo rico se fez pobre, partilhando de sua maior riqueza que foi a graça, possamos cada um de nós, não somente respondermos a Ele através de nossas ofertas e dízimos, como também tomarmos uma decisão de aprendermos a partilhar o que somos e o que temos com todos, indistintamente.

Não esqueçamos: “Nossa espiritualidade passa pelo bolso”.

sexta-feira, 23 de março de 2012

PRECISAMOS DE PENSADORES

Retornei do Congresso de Teologia esta semana. Depois de refletir um pouco sobre tudo que vi e ouvi, algumas conclusões tirei como supra-sumo: “Estamos precisando urgentemente de pensadores!”. Isto é, gente que possa pensar em Deus, no homem, e na sociedade de forma sincera, verdadeira de maneira aplicável nos mais diversos contextos de vida.

O ser humano deixou de pensar há muito tempo. Somos reflexo de uma sociedade que não pensa, tratamos os outros como se não pensassem, perdemos a condição de sermos, literalmente, “homo sapiens”. Gente que reflete, que pára para pensar e pensar na vida, na morte, em si mesmo, nos outros, e buscarmos extrair por si mesmos conclusões sobre Deus, sobre o Universo, sobre o “cosmos”. Enfim gente que bota a cabeça para fazer o que ela tem de melhor.

Perdemos esta característica em primeiro lugar porque nos tornamos pragmáticos. Temos que fazer as coisas darem certo. E isso sempre na primeira vez. O erro está descartado. Como se nós fôssemos os criadores e mantenedores do mundo, ou talvez porque cremos num Ser que não nos dá a possibilidade de perder ou gastar tempo com a vida seja ela certa ou errada. Tormamo-nos homens e mulheres que não nos permitirmos passar mais de 10 minutos contemplando alguma coisa ou alguém. Se essa atividade não trouxer resultados a curto prazo, descartamos. Vivemos dizendo que a vida é muito curta.

Mas também paramos de pensar por que simplificamos a vida. Assim como acendemos uma lâmpada, assim somos com a vida. Não temos mais paciência nem com os outros, nem conosco mesmos e nem com Deus. Tudo tem que ser rápido, isso custa tempo e dinheiro.

Queremos que nosso casamento seja perfeito e tenhamos menor “custo-benefício” com o conjuge. Por isso hoje leva-se mais tempo para se casar. Vivemos querendo uma pessoa “ideal”. Mas ele ou ela tem que ser ideal para dar certo em curto espaço de tempo.

Somos hoje, seres que simplificam a vida e por isso nos tornamos mais superficiais. Não temos mais tempo a perder. Somos seres automatizados, instantâneos. Não temos muito tempo nem para orar.

E por fim paramos de pensar por que nos tornamos utilitaristas. Isso serve até em nossa relação com Deus. Nosso relacionamento com Deus e com a pessoas é primitivo, é de força, é de poder, é de eficácia. Se ele não traz para nós benefícios de qualquer espécie, descartamo-lo. Assim eram os povos que imaginavam a Deus e se refriam a Ele apenas como um deus forte. O deus de vitória. Não nos relacionamos com Deus por que ele é um ser como nós, que queremos manter comunicação pelo prazer de um relacionamento a longo prazo. Pensar em eternidade, hoje, é algo impossível, pois Deus tem que ser o Deus do aqui e agora. Usamos o seu poder, a sua graça, a sua misericórdia para que tenhamos benefício. Somos mais parecidos com a mulher de Jó, do que com o próprio Jó.

Precisamos voltar a pensar. Pois somente esta possibilidade nos verdadeiramente humanos. Como Deus uma vez nos criou: seres pensantes. Só uma pessoa que pensa, pode criar. Albert Camus disse certa vez: 'São os ociosos que transformam o mundo, porque os outros não têm tempo algum'. Concordo com ele. Os que hoje estão correndo, nunca vão poder parar para pensar. São robôs, condicionados e direcionados por outros. Deus nos dá hoje a possibilidade de reverter esse quadro. A graça de Deus existe para tornar o ser humano melhor, e isso não tem a ver com maior produção, mais ganho, mais lucro, e sim torná-lo cada vez mais parecidos com Jesu Cristo, Nosso Senhor.

quinta-feira, 15 de março de 2012

SOMOS INDISPENSÁVEIS?

Há uma frase que Russel Shedd comentou em sua devocional em Águas de Lindóia, no Congresso de Teologia Vida Nova: “Melhor é viver para Deus por que a dor será sempre menor”. Refletindo sobre isso, comecei a pensar por que somos tão doentes em nós mesmos? Ou por que lutamos contra as nossas dores? Ou por que nos tornamos tão doentes emocional ou psicologicamente?

A resposta não poderia ser outra: “Por que vivemos apenas para nós mesmos!” O ser humano a cada dia que passa vive um egocentrismo sem medida. Também somos reflexo de uma sociedade excluvista, que adoece a passos largos e leva-nos todos ao medo, ao embrutecimento e ao recolhimento. Somos por ela ensinados que devemos nos fechar aos outros por que quando não somos melhores, ela nos faz parecer melhores, os indispensáveis para nós mesmos.

Shedd ao falar sobre esse assunto, afirma: “Nós não podemos convencer a Deus que somos imprescindíveis”. Mas o que vemos o tempo todo é a busca por nós mesmos como se fôssemos o centro do universo. Até mesmo nossa vida cristã orbita em torno de nós mesmos. Essa consciência traz doença, é patológica, torna-nos “monstros com cara de crentes”, e leva-nos à lona por que adoecemos de uma doença chamada “egoísmo”. Somos o estereótipo de Caim, por que matamos nosso semelhante ao nos sentir os únicos indispensáveis deste planeta.

Jesus Cristo, o Deus encarnado não foi assim. Vivendo para os outros, não se via como o centro do Universo, apontava sempre para o seu Pai, via em sua caminhada que “tudo o Pai entregara em sua mãos”, mas nem por isso, em um só momento via-se como o centro de tudo.

Seu exemplo, me leva a pensar que quanto mais perto de Deus vivemos, mais temos essa doença “bestial” sendo curada dentro de nós. E quanto mais perto de Jesus vivemos mais perto dos outros estaremos. “Não somos indispensáveis, somos apenas canais”, completa Shedd. Indispensável é aquele que sempre pensa que é dispensável. Foi assim com Jesus de Nazaré.

Quanto mais pensamos e praticamos esta bem-aventurança, ela se encarnará em nós, por que como o apóstolo Paulo já dizia, as próprias palavras do Cristo: “Mais bem-aventurado é dar do que receber”. (At 20.35)

Rev. Luiz Augusto (Águas de Lindóia, SP, 13-16/03/2012)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Teologia racional X Teologia mística

Os teólogos dos primeiros séculos eram os que oravam e viviam da oração. Não havia progresso teólogico se não houvesse o orador que misticamente se encontrava com Deus. O apóstolo João era apelidado de "o teólogo" por que comtemplara o "verbo da vida", o Cristo Encarnado. Teologia era fruto da contemplatividade, do empirismo, da experiência, da transformação de dentro para fora.

Hoje a Teologia se explica, se disseca, como se separa o corpo da alma. O teólogo é aquele que discute religião, que disseca o que não pode ser dissecado. Teologia hoje, é fruto de conhecimento ideológico.

Racionalidade é a base para explicar o que é místico. Lembro ainda das palavras de Santo Agostinho: Óh Senhor, que eu possa te aceitar não te compreendendo do que te compreender e não te aceitar".

domingo, 11 de março de 2012

O mundo não quer o silêncio!

Estou escrevendo neste momento arrodeado de músicas e ruídos, barulho ensurdecedor. Busco um pouco de silêncio, de calma, mas o que ao meu redor ouço, não passa de ruído.

Na verdade, o ser humano envolto em tantas paixões precisa do barulho para justificar a sua ausência de Deus e deixar de ouvir o silêncio, pois nele Deus se faz presente.

A pessoa que busca o barulho, a cantoria, o som ao seu redor está afirmando para si mesmo que está longe de Deus e faz isso para que seu exterior cada vez mais esteja sincronizado com seu mundo, caótico, desordenado e cheio de desvios que vive dentro de si.

O encontro com o Espirito Santo se faz dentro de si. Ele não está fora mas dentro de nós mesmos. O meio e o instrumento para esse encontro é o silêncio da alma.

Deus fala no silêncio.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Retrato de Mulher

A imagem que vem a minha mente quando penso em mulher, pois todo homem pensa em mulher (risos), é a imagem de Deus. Pois qual o melhor retrato que podemos guardar de mulher, senão pensando em Deus, não o seu Filho Jesus Cristo, mas o "Totalmente Outro" que a Teologia Oriental nos ajuda a achar, e que a Teologia Ocidental acabou por masculinizar.

Donde vêm os espasmos de carinho, delizadeza, bondade, graça, afago, abraço, beijo, amor, romance, afabilidade, amabilidade, cortesia, sorisso e tantas outros adjetivos, senão do próprio Deus. Sim, foi Deus que colocou tudo isso e muito mais na docilidade deste ser humano que é a mulher, por que Deus é feminino também. De fato ele não economizou estas características neste humano-fêmea.

A infelicidade de nós ocidentais, é que de um tempo para cá a gente acabou por tornar Deus um ser-macho, com cara de macho, e manchamos o seu retrato. E não somente isso, a cada dia que passa, a mulher quer seja mais "macho", como se o "macho" fosse sinônimo de plenitude, compleição e poder.

A insanidade do feminismo matou o feminino que deveria viver dentro da feminilidade da mulher. Sem dúvida, qualquer que tenha um "insight" do Deus verdadeiro, jamais poderá deixar de ver nEle como tendo um "coração de mulher". Por isso não posso deixar de ver em minha avó, minha mãe, minha mulher e em minha filha, e em tantas tias, amigas e irmãs, a docilidade e o caráter do Divino, daquele que é o "Totalmente Outro", mas que por graça e misericórdia executou tão lindo retrato neste ser humano, que nos leva a ver que o coração dela foi estigmatizado e cantado pela boca de Maria: “A minha alma engrandece ao Senhor, E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador;
Porque atentou na humildade de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. (Lucas 1:46-48)

Feliz dia Internacional da Mulher.

Um presente as mulheres, amigas e irmãs.

Pensando nos Neo-evangélicos na política

É impressionante mas tenho que admitir: O movimento evangélico no Brasil é uma força social. Mas é só. Só isso. Força social porque é uma massa manipulável pelos líderes religiosos. Essa força não tem nada a ver com a fé simples. É uma força política, tem cara de religião, tem jeito de religião mas é apenas força política. A fé é uma desculpa que seus líderes usam para domesticar o "ser humano" que para eles tem mais cara de um "pet". Em nome de Deus se faz tudo, e na ânsia do enriquecimento Cristo é a melhor ferramenta. Não há uma força de essência, de conteúdo. Os líderes é que determinam o que a massa faz. Isso é próprio dos movimentos pósmodernos. É bom que façamos nos entender que o pósmodernismo se caracteriza por esse estilo. Nem Marx e nem Cristo são o centro de seus movimentos nos dias de hoje. O que existe é uma fragmentação total. Se os Marxistas se enfraqueceram, os evangélicos também, pois sequer conseguem conviver com o que é essencial. Destroem-se muito facilmente porque acabam sendo sectaristas. Nunca vi tanto vazio, como vejo dentro das igrejas evangélicas. A igreja evangélica entrou em colapso.

sábado, 3 de março de 2012

A MENINA, O BISPO E O MANÍACO

Nestes últimos quinze dias, vimos por meio dos canais de comunicação três notícias que nos chocaram. A primeira, a história de uma menina, adolescente que estava passando suas férias com os pais em São Paulo e juntos foram ao Hopi Hari, em Vinhedo, para brincar. O Hopi Hari é um dos parques mais bem preparados para qualquer tipo de diversão e segundo eles o melhor em segurança. A brincadeira transformou-se em tragédia quando a garota despencou de uma altura de quase 30 metros.

A segunda notícia é mais perto de nós. Nosso querido irmão em Cristo, o Bispo Dom Robinson Cavalcanti e sua esposa Mirian foram assassinados pelo filho numa noite de Domingo após voltarem da igreja. Fato que nos deixou “sem chão”. Um homem bem sucedido, professor de Universidade, bispo anglicano, escritor e servo de Cristo, morto pela impetuosidade e ira de um homem que fora criado e acolhido numa família cristã. A ausência de Dom Robinson deixa uma lacuna como voz profética em defesa da missão Integral da Igreja e de uma posição coerente no meio da sociedade.

A terceira notícia é de um homem de 43 anos, condenado a 30 anos de prisão pelos crimes de furto e roubo sem arma, mas em liberdade condicional desde o dia 14, após cumprir metade da pena, entrou em um ônibus no Rio de Janeiro e estuprou uma menina de 12 anos.

Em todas as notícias, o que vemos é a “banalização da vida”, o desrespeito pelo “ser humano” e a insanidade de pessoas que embora cumprindo suas penas por seus delitos, são instrumentos de um sistema social falido sem a menor condições de ajudar a tratar estas mentes desequilibradas. A sociedade vive tempos de total desordem. E então nos perguntamos: “O que a igreja está fazendo? Como os discípulos de Cristo estão interagindo nesta sociedade para minimizar os efeitos da iniquidade? Onde eles estão?” E eu respondo: Cuidando de suas vidas, tratando de ganhar mais dinheiro e buscando os templos nos dias de culto para pedir mais bênçãos!

Jesus Nosso Senhor chamou-nos para sermos “sal da terra” e “luz do mundo”. Paulo nos desafia a sermos “luzeiros de Deus num mundo em trevas”. Pedro, apóstolo afirma que devemos buscar “fazer o bem e não apenas deixarmos de fazermos o mal”. Enfim, eu e você, se soubermos o valor de nossa espiritualidade, teremos certamente um atitude positiva no mundo e não seremos apáticos e passivos diante de tantas situações desequilibradas. A esperança de uma nova vida na eternidade, deve nos fazer começar a reconstruir a vida agora e não apenas sermos “fatalistas escatológicos”. Somos filhos de Deus e como tais jamais poderemos negar nossa “Irmandade Divina”. Onde estão os juízes, advogados, professores, engenheiros, comerciantes, médicos, jornalistas, enfermeiros, biólogos cristãos e tantos outros? Um avivamento deve atingir a igreja de Cristo. Mas ele precisa deixar de ser coreográfico, cênico, mesquinho, interesseiro, institucionalizado e desprovido da Graça. Só um avivamento “de dentro para fora” poderá melhorar este mundo. E isso não acontecerá fora, mas dentro de nós!