sábado, 11 de agosto de 2012

A FÉ VERDADEIRA NÃO EXPLORA CARÊNCIAS HUMANAS



A religião falsa e manipulativa produz fé falsa, desrespeito pela pessoa, irreverência amorosa e exploração da personalidade. Quando se age sinicamente e se despreza os direitos das pessoas, mesmo alegando os pretextos mais nobres, a religião nos afasta de Deus.
O famoso sumo-sacerdote Caifás disse certa feita ao Sinédrio: "Vós nada sabeis, nem considerais que convém que morra um só homem pelo povo e que não venha a perecer toda a nação?" (Evangelho de São João 11.50)
Para ele, a religião abandonou o domínio do respeito pela pessoa. Para Caifás o sagrado tornou-se instituição, estruturas, o sistema que deveria ser mantido inalteravelmente.
Para ele os indivíduos e as gentes eram dispensáveis. Caifás dedicava-se à nação. Mas a nação não sangrou como Jesus. Caifás dedicava-se ao Templo (coisa impessoal de cimento e pedras). Por isso Caifás tornou-se impessoal. Não era um ser humano caloroso, mas um monstro, um robô, tão rígido e inflexível quanto seu pequeno mundo.
Ninguém tem que escolher entre Jesus e Barrabás. Mas se deve escolher entre Jesus e Caifás. Caifás engana, mas é um homem muito religioso. O espírito de Caifás está impregnado durante séculos nos burocratas religiosos, que condenam gente boa pelo legalismo preconceituoso.
Sempre por uma boa razão: pela igreja, pelo templo, pela religião, pelo líder religioso. Quanta gente verdadeira e honesta já foi banida das comunidades cristãs por religiosos ávidos de poder, dinheiro e status. Estão tão entorpecidos quanto Caifás.
Quando o clero (seja de que denominação for) e a classe política se deixa absorver pelo espírito enganador de Caifás, para manter a boa imagem, acabam por interpretar as leis religiosas para benefício próprio, acabam por personificarem o mal e a desumanidade.
Jesus não foi assim, antes era caloroso, simpático, amável, atencioso e respeitoso com o ser humano. Não necessitava negociar nada em prol de sua vida. Não precisava de números para encher seu bolso, nem mesmo seu ego. Não enganava, pois tratava a todos com sinceridade e inteireza da verdade. Não forjava pessoas para dominá-las depois, nem mesmo as bajulava. Jesus não era inflexível, era humano e por ser humano, não desdenhava daqueles que se encontravam em posições menores social e materialmente. Não comprava pessoas explorando a fé delas. Se fosse preciso abria mão do Templo, de regras inflexíveis para acolher os que a religião dominante afastava.
Não era a favor da vida apenas porque evitava a morte. Era a favor da vida porque sabia que qualquer que se encontrasse com ele mesmo morrendo iria viver. Não dicotomizava a vida. Tudo era sagrado e se assim era, as pessoas possuíam um valor imensurável pela pluralidade de sentimentos, pela intelectualidade e singularidade que cada uma revelava.
Longe de nós, o espírito de Caifás. Escolhamos aprender de Jesus. Pois quanto mais perto dEle, mais humanos seremos. 

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