quinta-feira, 12 de julho de 2012

VOCAÇÃO: MISTÉRIO E COMPLEXIDADE


Vocação é um mistério. Não se discerne racionalmente. A vocação tem um lastro histórico que antecede ao Profetismo Israelita. Não se consegue compreender como pessoas tão frágeis e tão limitadas foram chamadas por Deus para proclamar ou realizar tarefas em nome de Deus na terra.

O que marca a vida do vocacionado é o encontro, o chamado, a experiência com o transcendente. Como explicar a vocação? Não sei. É um mistério. Não se explica, se vive, se relaciona, se envolve. Não apenas se proclama com a boca, se vive uma encarnação com o que se proclama ou com o que se faz. Todos os profetas, na Bíblia, menos um, rejeitaram ser profetas. E sucumbiram ao Chamado. É melhor não ser chamado (Tg 3.1). Mas se o foi, não há como fugir.

A mesma condição vocacional continua no Novo Testamento. Não são apenas alguns, mas agora todos são chamados. Todos são convocados a Experiência, ao Mistério. O Espírito Santo continua convocando para o Encontro Misterioso. Não se pode tratar com Deus como se ele fosse qualquer coisa, ou qualquer um.

Antes da Unção há o Encontro. Não menos profundo, não menos verdadeiro do que os profetas do Tempo Antigo. Hoje é necessário rever a Teologia do Chamamento para os cristãos.

Que Chamamento é este? Na simplicidade do ser, conjugado com os talentos, se encontra o propósito divino. Na profundidade da relação com o Transcendente, conjugado com o relacionamento com as pessoas e suas necessidades se encontra o propósito da ação.

O fracasso da Vocação está na imaturidade do relacionamento com Deus. Estar consciente para “o que foi chamado” é tão importante quanto estar consciente de “Quem o chamou”. Muitos confundem esta questão e se envolvem mais com o "para que foi chamado", do que com "Quem o chamou". Isto é sinal de que, embora chamado, não se sabe “para onde vai’ nem “para que vai”, por que não alimenta a sua relação com "Quem o chamou".

O êxito da vocação é aquela que, por causa do relacionamento profundo com o Sujeito da Vocação, pode-se saber o que fazer e como fazer.

Não existe um chamado padrão, por que não existem experiências padronizadas. O que existe é um chamado de acordo com a peculiaridade e natureza de cada um. O que se tem nas mãos, o que se tem na mente, o que se absorveu como aprendizado é o conteúdo do que se vai fazer.

Você já sabe qual a sua vocação? (1ª. Pedro 4.10)


( foto do Ricardo Amaral, tirada em 1984, no muro do Seminário Presbiteriano do Sul, Campinas, onde comecei os meus estudos teológicos: ao meu lado, da esquerda para a direita: Ismael Leandro, Pasquale, Serginho)


Nenhum comentário: