terça-feira, 10 de julho de 2012

ENCARNAÇÃO SIM, CONCORRÊNCIA NÃO!


Há muita propaganda e pouca identificação. Há muito turismo missionário e pouca inserção. 

Afinal, como estamos missionando nos dias atuais? Devemos ter coragem para avaliar  estratégias e métodos que usamos para comunicar o Evangelho. Não é suficiente usar do marketing  e da mídia  para o anúncio das Boas Novas.  Além disso há muito de turismo missionário para estabelecer mais do que a fé cristã. Fundar e manter trabalhos denominacionais tem sido a tônica dos últimos dias. 

Porém ao analisarmos com honestidade os Evangelhos a nossa estratégia para comunicar a verdade cristã não é outra senão a E-N-C-A-R-N-A-Ç-Ã-O!

Necessitamos muito mais do que um “avivamento coreográfico” para redescobrirmos nossa verdadeira missão. Urge que aconteça uma restauração motivacional da nossa missão partindo da interpretação correta da Palavra de Deus, rejeitando as idéias pragmáticas e mercadológicas. 

Precisamos de uma nova Reforma Teológica para que tornemos nossa missão mais parecida com a de Jesus e deixarmos o proselitismo de lado.

A estrutura social que vivemos, está baseada no "Consumismo". Todos nós temos por princípio a necessidade de posse. A idéia de "sucesso" passa pela motivação egoísta e  individualista. A concepção de "civilização" está baseada na visão de culturas e sub-culturas que se adequam à Ciência e à Tecnologia. Atualmente, ainda existem no mundo as mesmas lutas por igualdade social e racial. 

Povos continuam a se enfrentar e a filosofia discriminatória é base da educação familiar das raças. O mundo tem contemplado etnocídios entre povos que vivem em conflito a centenas de anos. Em contrapartida, no mundo ocidental a Globalização tem gerado um desnível social e econômico nunca visto. Os países economicamente ricos dominam,  controlam e oprimem os países pobres dependentes.

Assim tem sido a missão da igreja cristã. Imperialista! 

Para que cumpramos nossa missão devemos redescobrir a Encarnação de Cristo. A crise da eclesiologia tem levado  muitos a confusão  e a superficialidade da interpretação do Evangelho. Como resultado isso tem gerado uma contextualização superficial.  

René Padilla afirma: “A missão da cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor totalmente oposto a uma vida individualista, descentralizada das ambições pessoais, preocupado com as necessidades do próximo. O significado da cruz é ao mesmo tempo soteriológico e ético. E isto é assim porque, ao escolher a cruz, Jesus Cristo não somente deu forma ao indicativo do evangelho, mas simultaneamente também proveu o modelo para a vida humana aqui e agora”.

Não estamos realizando uma missão contextual e isso se deve ao fato de que há uma falha na concepção do que seja o Evangelho da Cruz, que começa com a humilhação de Cristo ao se encarnar e encerra-se com a glória à destra do Pai.

Essa ação é reponsavel por que há um déficit teológico que resulta em uma débil contextualização do Evangelho. 

O problema da fraca contextualização é a falta de reflexão teológica profunda e relevante nos Seminários e Escolas Teológicas. 

Se a Teologia da Cruz está diluída, as conseqüências serão de uma evangelização nominal sem os resultados éticos do Evangelho. 

Valdir Steuernagel afirma: “A nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida. Isto quer dizer que o evangelho, embora seja pessoal, tem um forte colorido coletivo: é individual mas tem uma inerente dimensão social; é uma mensagem de conforto mas pede um compromisso ético; desencadeia uma espiritualidade terapêutica e leva a um inequívoco pacto com a justiça; produz igreja, mas uma igreja que deve estar concretamente enraizada na comunidade global dos seres e na busca desta por uma vida justa e digna. Quanto mais estivermos a serviço deste evangelho integral, que afeta todas as áreas da vida, tanto mais estaremos a serviço do Deus Trino. E esta será adoração verdadeira que, como o sacrifício de Abel, será acolhida nos céus”.

Outra questão que deve ser levada em consideração é que a contextualização está estreitamente ligada, não somente a compreensão de uma teologia bíblica que expõe os valores da cruz e do evangelho, mas também é motivada pelo modelo apostólico de Cristo.

A missão de todos deve ser motivada pela missão encarnacional de Cristo. Todas as vezes que tormamos a missão da igreja  algo comparado a um sistema empresarial estamos negando a encarnação, vivendo um evangelho raso pregando uma mentira travestida de verdade.

Encarnação é a chave para a missão e a evangelização!


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