terça-feira, 10 de julho de 2012

CALVINOLATRIA ?



"Se vivo estivesse João Calvino completaria hoje exatos 503 anos. Mas como ele não era um elfo, e sim um humano, morreu aos 55, em 1564. Em artigos que tive a alegria de ver publicados em alguns periódicos há alguns anos falei sobre duas tendências que ainda precisam ser evitadas – a “calvinofobia” e a “calvinolatria”. 

A primeira é encontrada em livros de história por exemplo que apresentam Calvino como o ditador de Genebra e um homem insensível e frio como uma geleira do Ártico. A segunda é encontrada em círculos evangélicos que se pretendem herdeiros do legado do reformador mas que consciente ou inconscientemente o idolatram, apresentam-no não como um humano, mas como um anjo (ou um elfo), como se ele não tivesse defeitos – nestes círculos “a casa cai” se por exemplo alguém repetir o que Timothy George afirmou em seu bom livro “Teologia dos Reformadores” que Calvino era um homem arrogante. Fato é que como diz meu amigo Ricardo Gouvea, é preciso empreender “a busca do Calvino histórico”.


A teologia de Calvino propriamente precisa ser mais conhecida, lida e estudada. Há uma confusão muito grande em nosso meio que mistura o que Calvino disse com o que os seus seguidores, como Teodoro de Beza, disseram. Ainda há quem pense que a teologia de Calvino tem centro na doutrina da eleição. Alguns chegam a dizer que Calvino criou a doutrina da predestinação – absurdo maior não poderia haver. Qualquer um que se der ao trabalho de estudar Calvino com seriedade verá que a eleição não é o centro de sua teologia. Alister McGrath na biografia intelectual de Calvino que escreveu afirma que, se há um centro na teologia de Calvino, este centro é Cristo. 

Particularmente a ética social de Calvino precisa ser (re )descoberta em nosso país. A tradição evangélica no Brasil aprenderá muito quando valorizar a macro-ética de Calvino, que, conforme consigo entender, é, in nuce, uma teologia pública avant la lettre". 

Dr. Carlos  Caldas (registro autorizado)

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