sexta-feira, 22 de junho de 2012

QUEM NÃO ERA JESUS?




Jesus não pertencia Classe Sacerdotal Judaica: Havia em Jerusalém uma instituição político-religiosa e muitos posteriormente consideravam Jesus como representante da mesma. Mas Jesus não foi sacerdote. Era “leigo”, manifestamente solteiro e líder de um movimento leigo. Também não era teólogo profissional: Não forjava grandes teorias e sistemas. Pregava a iminente vinda do Reino de Deus sem aparato científico, com palavras muito simples, em forma de comparações, histórias e parábolas.

Jesus não era revolucionário político: Existia naquela época um partido revolucionário (zelotes, fanáticos), e muitos hoje o entendem, assim. Mas Ele não era certamente nenhum revolucionário político ou social. Tivesse ele efetuado uma reforma agrária ou como aconteceu na Revolução de Jerusalém, após sua morte e tivesse mandado queimar os títulos de dívida no arquivo de Jerusalém e tivesse organizado uma insurreição contra as forças de ocupação romanas, já teria de há muito caído no esquecimento. Mas ele pregava a não-violência e o amor aos inimigos.

Jesus não era adepto de seita ascética: Existia na Palestina, ao tempo de Jesus uma vida monacal bem organizada (os essênios, em Qumram) e os monges de todas as épocas sempre gostaram de reportar-se a ela para justificar sua forma de vida. Mas Jesus de forma alguma, se retirou do mundo; não se isolou, nem mandou quem queria tornar-se perfeito para o grande mosteiro de Qumram, descoberto perto do Mar Morto. Não fundou nenhuma Ordem com regra, votos, imposições ascéticas, vestes e tradições especiais.
Jesus não era um piedoso moralista: Havia naquela época um movimento de rearmamento moral: os fariseus.

E freqüentes vezes viu-se nEle, mais tarde, um “novo legislador” . Mas Jesus não ensinou nenhuma ‘nova-lei’, nenhuma técnica de piedade e não tinha nenhuma inclinação casuística moral ou jurídica e para todas as questões de interpretação da Lei. Ele anunciou uma nova liberdade em face da Legalidade: o amor sem limites.

Portanto, já compreendemos muito sobre Jesus se não o enquadrarmos nas coordenadas da instituição e revolução, emigração e compromisso: ele rompe todos os esquemas. Ele é provocador, mas tanto para a direita quanto para a esquerda: evidentemente mais perto de Deus do que dos sacerdotes. E ao mesmo tempo mais livre com relação ao mundo do que os ascetas (monges). Mais moral que os moralistas. Mais revolucionário do que os revolucionários. Por que Ele não se deixou enquadrar!

Hans Küng

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