sexta-feira, 13 de abril de 2012

VENDO UMA CARICATURA DE JESUS?

Eles (os discípulos), porém, surpresos e atemorizados, acreditavam estarem vendo um fantasma. Luc 24:37

O que fez a toda a diferença na expansão do Cristianismo foi a doação das pessoas que viram Jesus de Nazaré ressuscitado. A certeza da ressurreição foi a partir de então o grande princípio motivador para o engajamento. Por isso então, que todos os evangelhos ressaltam sempre a morte e a ressurreição de Jesus. Sem esta jamais o mundo seria varrido pela fé cristã. A ressurreição passa a fazer parte de dois temas proclamados: Triunfo e desafio.

Mas até que Jesus se postasse diante deles em “carne e osso”, estavam atordoados. No primeiro momento por causa do medo e da incerteza, pois pensavam que iriam padecer nas mãos dos romanos e judeus. Ao verem Jesus, responderam ao fato de serem testemunhas.

A palavra testemunha em grego é martyr, isto é, aquele que leva uma causa até as últimas conseqüências e não meramente é uma “testemunha ocular de fatos”. Precisamos urgentemente deixar de ver um Jesus desenhado ou explicado por terceiros, para ver o Jesus ressuscitado, como ele é não como pintam ou caricaturam-no. Precisamos passar pela experiência.

A isso eu chamarei de “experiência com o Jesus ressurrecto”. Mesmo passando um longo tempo aos pés de Jesus antes de sua morte e tendo concebido outros valores e mandamentos ditos por Ele mesmo, ainda assim isso não os possibilitaria tornarem-se testemunhas. Sem dúvida, eles precisaram ver para crer, passar a experiência de ver algo que jamais haviam visto. Desta forma o encontro e a vivência com o ressuscitado por quase quarenta dias, foi a base de todo engajamento na expansão desta fé e no destemor de colocarem em jogo até as suas vidas. Jesus não apenas vencera a morte, mas abrira caminho para que isso acontecesse em suas vidas também. Há esperança palpável, concreta, física e eterna. Somente assim foram e fizeram o que era para ser feito. Isso é mais que conhecimento natural, racional, confessional ou bíblico.

Mas como passar por esta experiência se Jesus não está mais em nosso meio, uma vez que ele foi elevado aos céus como nos afirma o livro de Atos? Jesus afirmara tempos antes aos discípulos que eles não ficariam sem Sua presença. Mesmo sem Ele fisicamente, o Pai iria enviar o Espírito Santo para que estivessem sempre com eles até o fim. Foi isso que aconteceu dez dias depois que Jesus foi embora. O Espírito Santo veio e está na terra, levando esta mesma experiência a todos aqueles que estão abertos a uma encontro com o Ressuscitado.

O apóstolo Pedro afirma que o caminho para isso é a experiência da fé e do encontro com este Espírito Santo. Não há outro jeito, embora queiramos falar desta experiência explicando às pessoas, jamais vamos conseguir explicá-la, pois fé não se explica, fé se experimenta. Esse é o caminho. Os discípulos somente fizeram o que fizeram por que passaram pela experiência. Sim, cada um à sua maneira e aqui entra o que chamamos de Graça. Graça elimina experiências padronizadas ou determinadas por terceiros ou por instituições.

Precisamos valorizar esta experiência mística e pessoal, pois só ela trará as conseqüências de um testemunho natural e vivo, um encontro que não depende de dogmas confessionais ou mesmo de uma centena de mandamentos restritivos, mas de fato um encontro que mudará a vida de qualquer pessoa como mudou a vida daqueles depois da ressurreição. Acredito que ainda muita gente está vendo “fantasmas” ou um Jesus caricaturado. Em verdade, precisamos voltar a esta fonte, pois ela foi perdida quando começamos julgar e explicar racionalmente o conceito de fé e esquecemos de experimentar o Jesus por meio do Espírito Santo dentro de nós. Precisamos isso, de novo, todos os dias até o final.

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