sábado, 28 de abril de 2012

A POSTURA DO CRISTÃO DIANTE DE UM MUNDO PÓS-MODERNO




No seu livro “Sociedade Pós-capitalista” Peter Drucker afirma: “Nos últimos cem anos ocorreu uma transformação aguda no mundo ocidental. Nós cruzamos uma linha divisória. Em poucas décadas, os valores, as estruturas políticas, as artes e as instituições de nossa sociedade foram alteradas. Os filhos desta geração não conseguem nem imaginar o mundo em que seus avós viveram e no qual seus pais nasceram. Estamos vivendo tão somente uma transformação”.

A estrutura social em que vivemos hoje está sedimentada na filosofia do consumismo e do capitalismo selvagem. As pessoas vivem em função de possuir “coisas”. A idéia de sucesso passa pela fama. A nossa civilização está baseada ainda na visão de culturas e sub culturas que são dominadas pela Ciência e a Tecnologia. Porém existem ainda as mesmas lutas pela igualdade social e racial. Vários povos continuam a se enfrentar militarmente e a discriminação é base da educação familiar de muitas raças e nações.

Temos contemplado atônitos a matança de povos que vivem em conflito a centenas de anos e a globalização têm gerado um desnível social e econômico nunca visto. Os países ricos dominam e controlam os mais pobres economicamente.

No plano religioso, a igreja enfrenta problemas semelhantes. Ainda hoje a igreja protestante não conseguiu apagar a imagem imperialista que causou enormes chagas nos povos menos favorecidos no século XIX.

Ainda não acordamos. Estamos vivendo uma fase nova na vida de todos e ainda precisamos cumprir a missão que Jesus Cristo deixou-nos como discípulos. O que fazer?

Essa situação devastadora começa pela interpretação das Escrituras. Precisamos lutar contra a superficialidade da interpretação do evangelho, pois isso tem gerado uma ética e uma contextualização superficial por parte da igreja evangélica de hoje. René Padilla afirma que “a mensagem da cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor totalmente oposto a uma vida individualista, centralizada em ambições pessoais”. Essa crise de superficialidade começa na formação teológica dos líderes da igreja. Vivemos um déficit teológico e isso resulta em uma fraca contextualização do evangelho. A igreja como instituição necessita retornar a uma teologia de missão fiel à Palavra e ao contexto cultural onde ela está.

As conseqüências dessa falsa interpretação das Escrituras acaba por empobrecer a vida cristã e reduzi-la a uma mensagem “além-túmulo” sem os resultados integrais do Evangelho do Reino. O Pr. Valdir Steuernagel afirma que “a nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida”. Então o evangelho não se dirige ao homem em um vazio. Para que o Evangelho não seja somente aceito intelectualmente mas também vivido, ele deve tomar forma dentro de nosso próprio contexto cultural.

Portanto, nós somos chamados a testemunhar nos contextualizando e convivendo com as pessoas das mais variadas idéias, pensamentos e valores. Precisamos hoje ter coragem de fazer uma auto-avaliação de como estamos vivendo para que a igreja de fato seja igreja encarnada e entranhada nesta sociedade. Se ela não se encarnar poderá tomar uma forma aparente de igreja, contudo será apenas uma organização religiosa, sem as máximas de Cristo Jesus, sem causar impacto na sociedade, e sem a manifestação da glória de Deus e da sua presença no contexto em que vive.

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