quinta-feira, 15 de março de 2012

SOMOS INDISPENSÁVEIS?

Há uma frase que Russel Shedd comentou em sua devocional em Águas de Lindóia, no Congresso de Teologia Vida Nova: “Melhor é viver para Deus por que a dor será sempre menor”. Refletindo sobre isso, comecei a pensar por que somos tão doentes em nós mesmos? Ou por que lutamos contra as nossas dores? Ou por que nos tornamos tão doentes emocional ou psicologicamente?

A resposta não poderia ser outra: “Por que vivemos apenas para nós mesmos!” O ser humano a cada dia que passa vive um egocentrismo sem medida. Também somos reflexo de uma sociedade excluvista, que adoece a passos largos e leva-nos todos ao medo, ao embrutecimento e ao recolhimento. Somos por ela ensinados que devemos nos fechar aos outros por que quando não somos melhores, ela nos faz parecer melhores, os indispensáveis para nós mesmos.

Shedd ao falar sobre esse assunto, afirma: “Nós não podemos convencer a Deus que somos imprescindíveis”. Mas o que vemos o tempo todo é a busca por nós mesmos como se fôssemos o centro do universo. Até mesmo nossa vida cristã orbita em torno de nós mesmos. Essa consciência traz doença, é patológica, torna-nos “monstros com cara de crentes”, e leva-nos à lona por que adoecemos de uma doença chamada “egoísmo”. Somos o estereótipo de Caim, por que matamos nosso semelhante ao nos sentir os únicos indispensáveis deste planeta.

Jesus Cristo, o Deus encarnado não foi assim. Vivendo para os outros, não se via como o centro do Universo, apontava sempre para o seu Pai, via em sua caminhada que “tudo o Pai entregara em sua mãos”, mas nem por isso, em um só momento via-se como o centro de tudo.

Seu exemplo, me leva a pensar que quanto mais perto de Deus vivemos, mais temos essa doença “bestial” sendo curada dentro de nós. E quanto mais perto de Jesus vivemos mais perto dos outros estaremos. “Não somos indispensáveis, somos apenas canais”, completa Shedd. Indispensável é aquele que sempre pensa que é dispensável. Foi assim com Jesus de Nazaré.

Quanto mais pensamos e praticamos esta bem-aventurança, ela se encarnará em nós, por que como o apóstolo Paulo já dizia, as próprias palavras do Cristo: “Mais bem-aventurado é dar do que receber”. (At 20.35)

Rev. Luiz Augusto (Águas de Lindóia, SP, 13-16/03/2012)

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