sexta-feira, 23 de março de 2012

PRECISAMOS DE PENSADORES

Retornei do Congresso de Teologia esta semana. Depois de refletir um pouco sobre tudo que vi e ouvi, algumas conclusões tirei como supra-sumo: “Estamos precisando urgentemente de pensadores!”. Isto é, gente que possa pensar em Deus, no homem, e na sociedade de forma sincera, verdadeira de maneira aplicável nos mais diversos contextos de vida.

O ser humano deixou de pensar há muito tempo. Somos reflexo de uma sociedade que não pensa, tratamos os outros como se não pensassem, perdemos a condição de sermos, literalmente, “homo sapiens”. Gente que reflete, que pára para pensar e pensar na vida, na morte, em si mesmo, nos outros, e buscarmos extrair por si mesmos conclusões sobre Deus, sobre o Universo, sobre o “cosmos”. Enfim gente que bota a cabeça para fazer o que ela tem de melhor.

Perdemos esta característica em primeiro lugar porque nos tornamos pragmáticos. Temos que fazer as coisas darem certo. E isso sempre na primeira vez. O erro está descartado. Como se nós fôssemos os criadores e mantenedores do mundo, ou talvez porque cremos num Ser que não nos dá a possibilidade de perder ou gastar tempo com a vida seja ela certa ou errada. Tormamo-nos homens e mulheres que não nos permitirmos passar mais de 10 minutos contemplando alguma coisa ou alguém. Se essa atividade não trouxer resultados a curto prazo, descartamos. Vivemos dizendo que a vida é muito curta.

Mas também paramos de pensar por que simplificamos a vida. Assim como acendemos uma lâmpada, assim somos com a vida. Não temos mais paciência nem com os outros, nem conosco mesmos e nem com Deus. Tudo tem que ser rápido, isso custa tempo e dinheiro.

Queremos que nosso casamento seja perfeito e tenhamos menor “custo-benefício” com o conjuge. Por isso hoje leva-se mais tempo para se casar. Vivemos querendo uma pessoa “ideal”. Mas ele ou ela tem que ser ideal para dar certo em curto espaço de tempo.

Somos hoje, seres que simplificam a vida e por isso nos tornamos mais superficiais. Não temos mais tempo a perder. Somos seres automatizados, instantâneos. Não temos muito tempo nem para orar.

E por fim paramos de pensar por que nos tornamos utilitaristas. Isso serve até em nossa relação com Deus. Nosso relacionamento com Deus e com a pessoas é primitivo, é de força, é de poder, é de eficácia. Se ele não traz para nós benefícios de qualquer espécie, descartamo-lo. Assim eram os povos que imaginavam a Deus e se refriam a Ele apenas como um deus forte. O deus de vitória. Não nos relacionamos com Deus por que ele é um ser como nós, que queremos manter comunicação pelo prazer de um relacionamento a longo prazo. Pensar em eternidade, hoje, é algo impossível, pois Deus tem que ser o Deus do aqui e agora. Usamos o seu poder, a sua graça, a sua misericórdia para que tenhamos benefício. Somos mais parecidos com a mulher de Jó, do que com o próprio Jó.

Precisamos voltar a pensar. Pois somente esta possibilidade nos verdadeiramente humanos. Como Deus uma vez nos criou: seres pensantes. Só uma pessoa que pensa, pode criar. Albert Camus disse certa vez: 'São os ociosos que transformam o mundo, porque os outros não têm tempo algum'. Concordo com ele. Os que hoje estão correndo, nunca vão poder parar para pensar. São robôs, condicionados e direcionados por outros. Deus nos dá hoje a possibilidade de reverter esse quadro. A graça de Deus existe para tornar o ser humano melhor, e isso não tem a ver com maior produção, mais ganho, mais lucro, e sim torná-lo cada vez mais parecidos com Jesu Cristo, Nosso Senhor.

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