sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O QUE FAZER PARA VIVER MELHOR NESTE NOVO ANO?

Estamos findando mais um ano, iniciando outro. Fecha-se um tempo, um ciclo de vida, e iniciaremos outro período, mais um ciclo. Ao olharmos para trás vemos como em um filme, muitos momentos, episódios e experiências que vivenciamos. Muitas delas não foram tão boas quanto esperávamos, outras com alegria. Momentos de risos, mas também momentos de pranto e de desespero. Momentos vividos sozinhos mas também com outras pessoas. A vida humana é feita de experiências, de práticas. Não pode ser apenas planejada, mas vivida em relação a Deus, a si mesmo, e aos nossos semelhantes.

Acredito que o Salmo 90 expressa bem esta realidade. Ninguém melhor que Moisés, o legislador e profeta que conduziu o povo de Israel pelo deserto, poderia falar sobre a experiência de vida. A sua convivência na pobreza, como escravo, na riqueza quando na pompa entre a classe nobre, no assassinato cometido, no deserto conduzindo pessoas e na vivência com o Deus transcendente. Todas as motivações e intenções de seu coração acabam por trazer princípios que nos ajudam a viver melhor nossa vida, tão corrida, tão carregada de tantos porblemas e tão abalada por tantos acontecimentos.

Vejamos estes princípios:

1º) Para vivermos melhor neste novo ano, precisamos crer no Deus Providente. Ele diz: “Senhor, tu és o nosso refúgio, sempre, de geração em geração”. Enquanto cremos em Deus como Soberano e Senhor de tudo e de todos, por mais duras que sejam nossas experiências em 2012, manteremos nosso coração em paz. Quando se perde a noção que Deus está no controle, o desespero nos abate e nos destrói. De geração após geração, sempre Deus é Deus. Isso significa que Ele não está pronto a nos satisfazer com nossas necessidades, a trazer para nós coisas boas ou mesmo ser fiel a nós. Ele é fiel a Ele mesmo, mesmo quando nós passamos pelas perdas, tristezas e reveses da vida. Ele é Deus sempre.

2º) Para vivermos melhor neste novo ano, precisamos crer no Deus Imutável. Ele também diz: “Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus”.. Isto é, Ele é Deus de eternidade a eternidade. Daniel afirma que Ele é quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis, ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos entendidos(Dn 2.20-21). Ao contemplarmos Deus assim, nossa vida se sente acolhida e abraçada. Não somos órfãos, temos o Deus que nada foge aos seu conhecimento e domínio. Ele está sobre todos e age por meio de todos. (Ef 4.5).

3º) Para vivermos melhor neste novo ano, devemos reconhecer a nossa condição. Moisés afirma: “Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: “Retornem ao pó, seres humanos!” De fato, mil anos para ti são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite. Como uma correnteza, tu arrastas os homens; são breves como o sono; são como a relva que brota ao amanhecer; germina e brota pela manhã, mas, à tarde, murcha e seca. Somos consumidos pela tua ira e aterrorizados pelo teu furor. Conheces as nossas iniqüidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença. Todos os nossos dias passam debaixo do teu furor; vão-se como um murmúrio. Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis pois a vida passa depressa, e nós voamos!” Moisés nos revela o quanto somos insignificantes diante de tamanha divindade. Ele nos mostra nossa miserabilidade (7,8) nos dizendo que somos pequenos diante desta santidade e soberania. Nos mostra que somos limitados (9-11) e que o ser humano por mais “poderoso” que se possa achar, sua vida física passa a ser comparada ao crescimento de uma graminha do campo. Sejam nossas conquistas grandes ou pequenas, sejamos bem sucedidos ou não, nossa condição e nossa luta por sobrevivência nos desmascara e nos leva a tomarmos decisões que devem nos levar a uma vida de qualidade e sobretudo conscientes de nossa fé e de nosso relacionamento com Deus.
Então, por que não tomarmos as seguintes decisões:

1) Neste novo ano peçamos todos os dias a Deus “Sabedoria” “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria”. O mundo corporativo está começando a ver que não basta ter conhecimento, é necessário possuir sabedoria. O que é sabedoria? É a prática do conhecimento. Sabedoria significa colocar em prática o que temos conhecido. Por isso Moisés pede isso a Deus.

2) Neste novo ano, peçamos a Deus todos os dias “Alegria”. “Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes”. Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos. Porque ele me ama, eu o resgatarei”. A vida daquele que vive para sobreviver é uma vida nublada, cansada, sem luz, sem gosto. Ao olharmos a Deus do jeito que Moisés olhou, a alegria se estampa no coração, a tristeza vai embora e temos motivação, determinação, mesmo que passemos momentos de tristeza.

3) Neste novo ano peçamos todos os dias a Deus “obras”. “Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos”! Somente quando trabalhamos, agimos em prol dos outros e não em prol de nós mesmos, temos a certeza de que estamos vivendo com dignidade. Viver uma vida egoísta, que vive apenas atrás de “bênçãos” para si, é uma tremenda vida frustada. Peçamos a Deus que façamos nossa vida girar em torno de outros pois somente assim teremos satisfação. “Jesus o Messias viu a obra de suas mãos e ficou alegre e satisfeito” (Is 53.14).

Viva assim e seu novo ano será como Deus quer e não você quer. Será um ano de alegria, pois mesmo diante de suas limitações, você contemplará e conhecerá o verdadeiro Deus que se fez humano para que façamos parte da natureza divina (I Pedro 1.4).

Feliz ano de 2012.
Rev. Luiz Augusto

sábado, 24 de dezembro de 2011

CELEBRANDO O NATAL COM A VERDADEIRA MOTIVAÇÃO

No Leste europeu os centros comerciais não ficam completamente entupidos nas vésperas de Natal. Isto porque o Natal naquelas regiões se comemora “sem” presentes, “sem” renas e “sem” Pai Noel. As crianças desde cedo se habituam a que o “prato principal” de 24 de Dezembro seja a “Divina Liturgia”, já que para os cristãos orientais o Natal é uma tradição religiosa e não “culinária”. Assim, a presença assídua da família na “Divina Liturgia” de dia 24 para 25 é o motivo da celebração. São mais de quatro horas passadas na igreja e só no final há um "banquete" ou ágape, que pode ser entre todos ou apenas com a família.

Fico me perguntando se não houvesse tantas luzes, fogos de artifício, troca de presentes, e outras fanfarrices no Natal, nós realmente estaríamos celebrando esta festa. Ao mesmo tempo, fico perturbado com alguns crentes que vivem procurando “erros” na tradição cristã.

Alguns ultimamente estão questionando se o dia 25 de dezembro foi mesmo a data que Jesus nasceu, se houve ou não influência do paganismo sobre esta data na época que foi criada. É impressionante como queremos testificar para nós mesmos que somos os detentores da verdade. Isso é ridículo e inócuo.

Precisamos verificar sim, se nossa motivação em celebrar o Natal não é meramente uma questão cultural ou consumista e comercial, ou também para os líderes religiosos terem seus templos cheios de pessoas. Trocar presentes, ter um momento com a família em uma Ceia, com certeza, não terão valor algum, se a motivação de celebrar a “Encarnação de Deus” não for a nossa maior prioridade.

Vale a pena lembrar que trocar presentes era uma prática usada pelos cristãos lembrando a atitude dos Magos que ofereceram a Jesus: Ouro, Incenso e Mirra. A culinária deveria lembrar o Natal se não nos déssemos apenas a bebedice e a comilança.

Porém é bom lembrar que a celebração do natal por si só também não faz nenhum sentido se não for a “celebração sincera”, a comemoração de que Deus um dia, desceu dos céus, se fez ser humano como nós, a fim de restaurar toda a sua Criação.

Na sua glória, Deus abdicou da mesma e se fez como um “escravo”, nascendo como um pobre para mostrar que a força e o poder não são reservados aos grandes, mas aos pequenos, que o que importa no Reino de Deus não são os primeiros e sim os últimos, que o maior não é quem é servido, mas, quem serve.

O Natal somente faz sentido em minha vida quando celebro a Encarnação e me encarno como Cristo se encarnou. Se com Ceia ou sem Ceia, se com muito barulho ou apenas no silencio, seja lá como for, o Natal sem esta motivação é apenas sim, uma festa pagã dentro do meu coração.

Um Feliz e verdadeiro Natal.
Deus se fez gente!

A todos nossos familiares, amigos e irmãos nossos sinceros votos de um feliz Natal e um ano de 2012 cheio da Graça de Cristo,

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

BUSCANDO UM NATAL QUE FAÇA SENTIDO

O Natal que se vê hoje pode ser sinônimo de várias outras práticas e motivos. Por exemplo, há gente que relaciona o Natal com o sentimento de mais um ciclo que se fecha em sua vida, pelas comemorações do ano que está findando. Outros usam esta data para avaliar e redefinir planos pessoais que envolvem a carreira. Outros ainda não conseguem ver o Natal sem o cifrão sinônimo do Consumismo desenfreado: gastar e gastar, esta é a lei.

Na verdade, o Natal não tem nenhuma relação com os assuntos acima citados. É a data onde toda a Cristandade comemora a encarnação do Deus Criador e sustentador deste Universo. O Natal fala sobre advento do Cristo. O Natal fala sobre a paz que Deus trouxe aos homens de boa vontade, de todas as nações e povos.

Ao festejarmos o Natal falamos sobre a decisão de Cristo em abdicar de Sua glória e tornar-se humano e submetendo-se a lei dos homens (Fp 2.5-8), morrendo, ressuscitando e abrindo as portas de uma nova criação que viverá numa nova terra, física e eterna, cumprindo os princípios da criação original. Portanto, o Natal torna-se o modelo de nossa prática de vida enquanto estivermos neste mundo.

Ao observar a motivação de Deus, sou motivado também a me deixar enviar a toda pessoa, sem distinção de raça, cor, sexo ou religião. Se Cristo veio ao mundo e se tornou homem, o mesmo sentimento deve existir em minha vida a fim de me relacionar com todos e com todas para que de alguma maneira a graça invada outros corações.

Ao observar a intensidade e plenitude da encarnação de Deus, sou levado a avaliar meu nível de submissão a outros, se estou me relacionando de igual para igual com outras pessoas (João 1.14). Quais são as exigências da cruz?
Ao observar o nível de doação de Deus pela humanidade sou questionado pelo seu exemplo se realmente estou me doando e me renunciando em favor de outros, renunciando a glória pessoal, entregando-me em favor de pessoas, respeitando o outros, não usurpando o direito de terceiros (Fp 2.6-9).

Neste Natal, para que esta Festa faça sentido em minha vida, sou admoestado a despojar a minha auto piedade, o egocentrismo consumista e tomar iniciativas práticas em favor de outros, fazendo doação de algo mais permanente do que simplesmente presentes e souvenires.

Neste Natal, tire um pouco de você para dar a alguém algo que seja frutuoso e valoroso. Doe atenção, tempo, talentos, dons em favor de pessoas que você sabe que jamais vão poder retribuir o que você fará. Neste Natal faça uma oferta missionária, renove seu compromisso com o mundo carente, busque renovar relacionamentos que foram quebrados e resgate algo mais durável e cheio de vida. Somente assim seu Natal fará sentido, de outra sorte, será uma mera festa consumista.

Rev. Luiz Augusto