segunda-feira, 7 de novembro de 2011

«Perdoa-lhe»

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano em Estrasburgo
Sermão 71.

«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7). Diz-se que a misericórdia de Deus ultrapassa todas as Suas obras; e é por isso que um homem misericordioso é um homem verdadeiramente divino, porque a misericórdia nasce da caridade e da bondade. Por esta razão é que os verdadeiros amigos de Deus são muito misericordiosos e acolhem os pecadores e os que sofrem, contrariamente aos que não têm esta caridade. E, como a misericórdia nasce da caridade, devemos tê-la uns para com os outros [...]; se não a exercemos, no dia do juízo, Nosso Senhor pedir-nos-á uma justificação especial [...]

Esta misericórdia não consiste somente em dar, mas exerce-se também em relação a todos os sofrimentos que podem abater-se sobre o próximo. Aquele que vê isso sem testemunhar aos seus irmãos uma verdadeira caridade e uma autêntica compaixão por todos os seus sofrimentos, e não fecha os olhos às suas faltas, com um sentimento de misericórdia, esse homem tem razão para temer que Deus lhe recuse a Sua misericórdia, porque «conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados» (Mt 7,2).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Que tamanho é a porta das nossas igrejas?

Ser aceito por Deus sempre foi a incessante busca da humanidade. A história nos mostra que essa questão sempre foi a grande premissa das religiões em todos os tempos.

Às vezes fico imaginando como era difícil para as prostitutas, cobradores de impostos, mulheres e crianças, viúvas e órfãos, eunucos e pagãos viverem na época de Jesus de Nazaré.

Algumas dessas pessoas eram excluídas da religiosidade judaica. Sequer podiam entrar em uma sinagoga para adorar. A prostituta, pecadora, o publicano, os leprosos entre tantos jamais eram considerados pelos religiosos por que eram diferentes e por isso eram estigmatizados e excluídos.

Hoje a religião continua fazendo a mesma coisa. Por exemplo: Se você não manifestou certa aparência de que recebeu o Espírito Santo, se você foi batizado por um batismo diferente, se dá ou não a “paz do Senhor”, se canta hinos ou se somente canta musicas-gospel, você não chegou ao nível de espiritualidade da maioria. Vivemos as mesmas rotulações da época de Jesus.

E o que Jesus fez com tudo isso? Mostrou claramente que os aceitáveis para Deus não eram os “certinhos”, os “corretamente religiosos”, mas os que admitiam sem medo a sua fragilidade e limitação, que o amor de Deus os leva a se comprometerem com pessoas, qualquer compromisso era por amor e não por outra condição. Jesus como Filho de Deus, aceita os que assumem uma espiritualidade própria, sem padrões, sem jargões verbais, sem estilos evangélicos, sem a opressão de moldes e escravização denominacionais.

Jesus aceita aqueles que não dependem do julgamento de terceiros mais “espirituais” para se acharem aceitos e acolhidos por Deus. Jesus aceita mulheres e homens de fé simples e de comportamento comum.

Deus abomina os que assumem uma espiritualidade bombástica que impede que outros “fora-dos-padrões” possam ser acolhidos por Deus. Deus abomina os que querem fazer “propaganda da fé” ou de sua “igreja-denominação”, Deus é indiferente com os que usam o amor para fazer “lavagem cerebral” na mente dos sinceros, Deus inferniza a vida daquele que compra o compromisso e o amor de outros com pressão psicológica. Deus amaldiçoa os que em sua fé egoísta não aceitam os que Deus ama, independentemente de sexo, de condição social, de religião, de estilo. Porém se algum momento fecharmos as portas da graça para quaisquer pessoas, já há muito nos fechamos para Deus. Se vincularmos a fé à condição monetária das pessoas Deus nunca estará nesse “negócio”.