domingo, 31 de julho de 2011

Jerusalém, Jerusalém, que apredejas os profetas.

Como é difícil aprender a arte da obediência. Por milênios, Israel recebeu de Deus os seus mensageiros. Eram profetas e profetizas, mulheres e homens que por causa do chamado de Javé encarnavam uma única mensagem: "Aprendam o que significa, misericóridoa quero e não culto". Ou entre outras: "O obedecer é mais importante para Deus do que cultuar". Mas como esta categoria de profetas era castigada. Todos ou quase todos eram perseguidos pelos reis e pelo povo, apedrejados e mortos. Tudo porque o coração do povo era lento em obedecer a mensagem de Deus.

Hoje, muitos pastores e mestres também passam pela mesma situação. Quando as comunidades desejam um pastor, o chamam, fazem uma festa de inauguração, mas com o tempo se voltam contra ele ou mesmo o tratam com indiferença, pois são lentos em obedecer. Desejam na verdade um "executivo" e quando suas palavras parecem duras, buscam tirá-lo de sua função e buscar outro que seja mais adaptável aos seus costumes e princípios.

O problema do homem, seja o crente evangélico ou o homem sem qualquer noção de religiosidade evangélica revelam o mesmo coração. O que estes corações reproduzem, é o mesmo que a nação de Israel revelava quando tentavam criar um motim para tirar Moisés de sua função. Não desejam obedecer, não querem obedecer, não querem ser disciplinados e não desejam a disciplina. Rejeitam tanto a Palavra quanto o mensageiro da Palavra.

O resultado é trágico. Jesus, ao olhar para a Cidade de Jerusalém, profere uma palavra: "Eis que haverá dias difíceis, pois não reconheceste o tempo de tua visitação". Todas as vezes que o homem rejeita seus mensageiros, rejeitam ao Senhor e a sua Palavra. Por isso há comunidades inteiras vivendo como "bebês" espirituais, se dividem e se amotinam, porque seus corações apenas desejam mensageiros que falem palavras que produzam sons acalorados e ternos, pois obedecer é muito complicado. Submeter-se a homens jamais, somente a Deus, dizem. Mas não compreendem que a verdade é carregada por estes servos, que embora frágeis são o recipiente da Palavra da Vida.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vox Dei e Missio Dei

Buscando fontes do Cristianismo Oriental, a missão e oração estão tão conectadas e interligadas que os Monges Russos compreendem que ao se preparar para sua tarefa, "ele se retira do meio dos homens, afasta-se do seu ruído, das suas palavras, das suas críticas e do meio dos seus louvores e aceita a disciplina, crucificando sua carne e aniquilando sua 'vontade própria egoísta' pela obediência. A oração e o pensamento de Deus preparam sua alma para receber a graça. Ele se cala durante longo tempo. Mas chega o dia em que sente a necessidade interior de falar, de agir abertamente, como afirma Seraphim de Sarov, para a glória de Deus".

A missão jamais deve prescindir a oração. A oração significa o silêncio da alma em Deus. A busca pela sua vontade e a compreensão de seu querer. Na verdade, a missão é a consequência da oração. Oração que não se faz num momento, mas que se torna contínua e perseverante, pois seu propósito não é fazer Deus responder as nossas inquietações e problemas mas sim de, nas inquietações encontramo-nos com Deus, a fim de que possamos ajudar-nos uns aos outros por meio de nossa missão.

Assim não somente abrimos a boca cheia da graça de Cristo, como ensinamos com nossa boca fechada. Não porque deixamos de falar, mas sim porque nos permitimos comunicar por meio do silêncio do coração.

A missão então, torna-se de fato a "missio Dei" (missão de Deus).