sábado, 23 de abril de 2011

O QUE É A PÁSCOA DE CRISTO? Lucas 24.1-12; 36-49; I Co 15.20.

“Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo as primícias* dentre aqueles que dormiram”.

Muitos possuem uma compreensão acerca da Páscoa totalmente fora dos parâmetros bíblicos. Para o verdadeiro cristão, comemorar a Páscoa de Cristo é algo que vai além da ênfase do comércio dos últimos dias. A verdadeira Páscoa traz uma nova mensagem ao coração de todas as pessoas, porque a morte não é fim de tudo. A ressurreição de Jesus traz nova vida restaurada e eterna diante de Cristo. Após o sofrimento vem a fé na certeza de que o mundo haverá de passar por uma total transformação abrindo para nós ‘novos céus e nova terra’.

Hoje celebramos com alegria mais uma Páscoa, a ressurreição de Cristo e para tanto é essencial que façamos uma reflexão sobre o verdadeiro significado da Páscoa Cristã.

1. Em primeiro lugar a Páscoa é o complemento da salvação eterna. (Lc 24.7, 44). Notem que o texto bíblico em Lucas nos revela que, quando as mulheres foram ao sepulcro ainda cedinho, como nos diz o texto, em alta madrugada, para embalsamar o corpo de Jesus, (é bom lembrar que elas somente foram no Domingo, porque guardavam o Sábado) encontraram não somente a pedra do sepulcro removida como também dois homens de vestidos resplandecentes. Em outros evangelhos, encontramos o relato que eram dois anjos. A pergunta feita pelos dois varões foi uma pergunta já revestida da resposta: Vejamos os versículos 5 e 6: "Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive? 6 Ele não está aqui! Ressuscitou!” e mais, vejamos o versículo 7 que diz: ''É necessário que o Filho do homem seja entregue às mãos de homens pecadores, seja crucificado e ressuscite no terceiro dia'. O Dr. David Bosch diz: “Para os discípulos a experiência da Páscoa foi fundamental. Eles interpretaram a cruz como o fim do mundo velho e a ressurreição de Jesus como a inauguração de um novo tempo” .

Assim, não há morte sem a ressurreição, não há cruz sem renovação, não há sofrimento sem a esperança de uma nova terra. Os discípulos se esqueceram completamente das palavras de Cristo. Vejamos o que nos diz I João 3.8: “para isto se manifestou o Filho de Deus para desfazer as obras do diabo”. O propósito da morte e ressurreição não é apenas promover os salvos a um lugar celestial. Isto é apenas parte da salvação. A salvação se completa quando Cristo ressuscita, abrindo a oportunidade de trazer não somente a eternidade, mas uma nova vida, em uma nova terra, resgatando a condição de Adão e Eva antes de pecarem. Vejamos o que diz: Romanos 4.25 : “Ele foi entregue à morte por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação”. Os crentes são justificados na completa obra de Cristo e assim podem viver eternamente com seus corpos ressuscitados.

2. Em segundo lugar, a Páscoa é o conteúdo da verdadeira pregação da igreja (Lc 24.47, 49). A pregação das boas novas se compõe de duas partes. Vejamos o texto de Lucas 24.47 e 49: e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Eu lhes envio a promessa de meu Pai; mas fiquem na cidade até serem revestidos do poder do alto".

A pregação a todas as nações deveria consistir de duas partes. A ressurreição e a comissão. A nota de triunfo e a nota de desafio. Cristo morreu, mas ressuscitou. Agora vamos pregar essa verdade. O mundo foi redimido. A partir daí, muita coisa mudou. O Dr. David Bosch mais uma vez afirma: “É por causa da Páscoa que nossos evangelhos foram escritos, sem a páscoa eles não fazem sentido algum. Ainda mais particularmente eles foram escritos a partir de uma perspectiva da ressurreição. O calor dessa experiência permeia todos os evangelhos. É precisamente a fé pascal que capacita a comunidade cristã primitiva a ver a prática de Jesus em um foco específico, isto é, o critério para entender sua própria situação e seu chamado a pregar. Somente nos fundamentos da Páscoa que a história de Jesus tem um futuro” .

Porque então proclamarmos? Por que há um céu nos esperando. Essa resposta é parcial. Não somente, mas há com certeza uma nova terra para que vivamos eternamente para Sua glória.

3. Em terceiro lugar é o prenúncio da consumação de todas as coisas. (I Co 15.20) Vejamos novamente o que nos diz I Co 15.20: “Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo as primícias dentre aqueles que dormiram” . A ressurreição de Cristo é o pontapé inicial para que a morte seja plenamente vencida. A viver nesse mundo cheio de violência, insegurança, guerra, homicídios, traições, e todo tipo de mal, seria realmente uma tragédia total. Mas a Palavra de Deus afirma categoricamente. Há esperança. Há uma nova vida quando esse mundo passar, haverá outro sem as consequências do pecado.

Apocalipse afirma que haverá novos céus e nova terra. Pedro nos diz I Pe 1.3-9: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, conforme a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 para uma herança que jamais poderá perecer, macular-se ou perder seu valor, guardada nos céus para vocês 5 que, mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus até a vinda da salvação prestes a ser revelada no último tempo. 6 Nisto vocês exultam, ainda que agora, por um pouco de tempo, tenham de ser entristecidos por todo tipo de provação, 7 para que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, seja comprovada como genuína e resulte em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado. 8 Mesmo não o tendo visto, vocês o amam; e apesar de não o verem agora, crêem nele e exultam com uma alegria indizível e gloriosa, 9 pois vocês estão alcançando o alvo da sua fé, a salvação das suas almas.

Agora devemos concluir fazendo algumas aplicações:

1. A sua convicção acerca da Páscoa lhe traz um renovo espiritual? Devemos fazer uma auto reflexão sobre a morte e ressurreição de Cristo.

2. Qual é o conteúdo de minha fé. Esse conteúdo me faz envolver-me por inteiro num minitério para que a Grande Comissão se cumpra através de nós?

3. O que mais lhe tem afetado, os pensamentos do alto ou ou pensamentos aqui da terra como nos diz Colossenses 3.1?

É hora de rever conceitos, decisões tomadas e abrir-se para a nova esperança, uma nova vida, um novo tempo, mas desta vez ressurretos também, redivivos também, vivendo eternamente em uma nova terra, preparada por Jesus Nosso Senhor e Salvador.

Que a Páscoa de Cristo seja a nossa maior motivação para tudo o que fazemos e falamos. Que seja assim. Amém.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

“Christós Anésti, Alithós anésti”!

FELIZ PÁSCOA!
“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, pois o veremos como Ele é”.
(I João 3.2)
Tenho lido alguns e-mails, artigos e escritos em geral sobre a ressurreição de Cristo nestes últimos dias. Em nenhum deles encontrei seus autores afirmando categoricamente sobre a essência do que este evento na história da fé significou.
A maioria destes escritos falava da ressurreição de Cristo como a grande vitória que Ele teve sobre a morte. Outros espiritualizavam este evento, dizendo que assim como Cristo venceu a morte, deveríamos também receber pela fé a vitória sobre as adversidades e tempestades da vida. E outros traziam a lembrança de que embora Cristo tenha ressuscitado, Ele abriu caminho para nosso renascimento espiritual. Outros chegam ao absurdo de apenas afirmarem que o evento “Páscoa” seria apenas uma festa judaica e que não tinha nada a ver com o Cristianismo.
Estes textos que acabei de abordar não são escritos ateus ou de pensadores não evangélicos. Todos estes escritos são de pensadores evangélicos. Vivemos um século de total confusão. A fé cristã em sua história sempre afirmou a salvação pela fé e ao mesmo tempo a ressurreição do ‘corpo’ de Cristo.
Assim, embora a Páscoa seja historicamente uma festa judaica, foi nesta Festa que Jesus cumpriu o que chamamos de “Mistério Pascal”. A fé cristã se baseia na “morte e na ressurreição do Senhor”. Portanto devemos mais uma vez, destacar o Ensino dos Apóstolos. A morte de Cristo foi física assim como a sua ressurreição foi física também.
Deixando de lado todas as mensagens romantizadas acerca deste dia, devemos mais uma vez reafirmar os antigos Credos e Confissões da Igreja Cristã Antiga. Primeiramente, sendo a morte de Cristo e sua ressurreição um evento físico, implica que Ele hoje está ressuscitado corporalmente em um determinado lugar a fim de retornar e inaugurar o seu reino eterno físico também.
Em segundo lugar, a ressurreição de Cristo possibilita que você e eu, sejamos também ressuscitados se passarmos pela morte. Não podemos deixar dúvidas que qualquer ensino contrário ou desviado deste é pura heresia. João, o apóstolo afirma que quando Ele se manifestar seremos semelhantes a Ele.
Em terceiro lugar, o céu é um estado intermediário onde os que já partiram aguardam em louvor e a adoração o momento que num abrir e fechar de olhos, o Senhor voltará, julgará a todos e os que fizeram o bem estarão para sempre com Senhor num reino eterno físico. (Jo 5.28,29)
Em quarto lugar, a ressurreição de Cristo aponta para o retorno à sua criação original, quando em Adão todos perdemos a oportunidade de sermos eternos, agora com Cristo, nosso corpo obterá a eternidade plena, e muito mais que isso, participaremos da natureza divina. (I Pe 1.3-4)
Essa é a verdade nua e crua sobre a ressurreição. Qualquer outra mensagem menor ou diferente desta é a fala do demônio querendo nossa destruição e o consequente desvio da verdade. Por isso clamemos juntos: “CHRISTÓS ANÉSTI” FELIZ PÁSCOA, CRISTO RESSUSCITOU, EM VERDADE RESSUSCITOU!

Pastores e Lobos

"Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos". Mt 7:15-16
Pastores e lobos têm algo em comum. Ambos se interessam e gostam de ovelhas, e vivem perto delas. Assim, muitas vezes, pastores e lobos nos deixam confusos para saber quem é quem. Isso porque lobos desenvolveram uma astuta técnica de se disfarçar em ovelhas interessadas no cuidado de outras ovelhas. Parecem ovelhas, mas são lobos. Urge a cada um de nós exercitar o discernimento para descobrir quem é quem.
Pastores cultivam o aprisco; lobos criam armadilhas. Pastores buscam o bem das ovelhas; lobos buscam os bens das ovelhas. Pastores vivem à sombra da cruz; lobos vivem à sombra de holofotes. Pastores choram pelas suas ovelhas; lobos fazem suas ovelhas chorar.
Pastores têm autoridade espiritual; lobos são autoritários e dominadores. Pastores têm esposas participantes; lobos têm mulheres coadjuvantes. Pastores têm fraquezas; lobos são poderosos. Pastores olham nos olhos; lobos contam cabeças. Pastores são ensináveis; lobos são donos da verdade.
Pastores têm amigos; lobos têm admiradores. Pastores vivem o que pregam; lobos pregam o que não vivem. Pastores sabem orar no secreto; lobos só oram em público. Pastores vivem para suas ovelhas; lobos se abastecem das ovelhas. Pastores vão para o púlpito; lobos vão para o palco.
Pastores se interessam pelo crescimento das ovelhas; lobos se interessam pelo crescimento das ofertas. Pastores alimentam as ovelhas; lobos se alimentam de ovelhas. Pastores buscam a discrição; lobos se autopromovem.
Pastores usam as Escrituras como texto; lobos usam as Escrituras como pretexto. Pastores se comprometem com o projeto do Reino; lobos têm projetos pessoais. Pastores vivem uma fé encarnada; lobos vivem uma fé espiritualizada. Pastores ajudam as ovelhas a se tornarem independentes de homens; lobos criam ovelhas dependentes deles.
Pastores são simples e comuns; lobos são vaidosos e especiais. Pastores tem dons e talentos; lobos tem cargos e títulos. Pastores dirigem igrejas-comunidades; lobos dirigem igrejas-empresas. Pastores pastoreiam as ovelhas; lobos seduzem as ovelhas.

(adaptado de Osmar Ludovico)

APRENDENDO A ORAR CORRETO

O apóstolo Paulo nos ensina: "Orai sem cessar" (1 Tes. 5:17). É preciso orar naqueles claros e altos momentos, quando a alma recebe assistência das alturas e direcionando-se ao céu sente necessidade da oração.
É preciso orar em todas as horas de manhã e à noite, mesmo que nos pareça não estarmos dispostos a orar nesse momento. Se não o fizermos, a capacidade de orar se perde, assim como se enferruja uma chave que não é utilizada. Para que a nossa alma se conserve espiritualmente viva, é preciso impor como objetivo, orar regularmente, independentemente de termos ou não vontade de orar. Deve-se começar e acabar qualquer boa atividade com oração. Em relação a isso, um livro de oração é um indispensável companheiro de todas as horas. Os cristãos são chamados a orar todos os dias, de manhã quando se levantam e à noite, antes de dormir.
Além da freqüente oração em casa, existe também a oração na igreja. Sobre ela o Senhor fala o seguinte: "Onde estiverem dois ou três reunidos em Meu Nome, aí estou Eu no meio deles" (Mateus 18:20). Desde o tempo dos apóstolos, a oração em conjunto mais importante tem sido a Liturgia ou Culto que era realizado na igreja aos domingos onde os crentes com um só coração, louvavam a Deus. Os ofícios em conjunto têm grande força espiritual.
Embora muitos cristãos desejem sinceramente manter uma comunhão pessoal e profunda com Deus, é verdade que ao mesmo tempo em que desejam este estado, também sentem muitas dificuldades em desenvolver um hábito consistente de oração em suas vidas.
Uma vida de oração pessoal consistente começa com uma Regra de Oração ou de “orações pré-estabelecidas” ou “orações litúrgicas” as quais são proferidas diariamente. A oração pessoal vigorosa tem como base um engajamento na oração comunitária (litúrgica). Uma não exclui a outra. Alguém pode perguntar:” É necessário ter uma regra de oração? Não é melhor fazer orações espontâneas do que as pré-estabelecidas? As orações espontâneas tem seu lugar na vida de oração, mas não como ponto de partida.
Sim, é bom ter uma regra de oração devido a nossa fraqueza para que por um lado não nos rendamos à nossa preguiça, e por outro, limitemos o nosso entusiasmo a sua medida adequada. Os maiores praticantes de oração, seguiam uma regra de oração. Eles sempre começavam com orações já existentes, orando os Salmos e se, durante o curso das mesmas, uma oração se sobressaísse, eles deixavam de lado as outras e faziam a tal oração. Se isto é o que os antigos praticantes de oração faziam, porque não começarmos a disciplinar nossa vida de oração também?
(adaptado de A. Mateus)

Oração: O respiro da alma (III)

O grande mestre da oração é o nosso Salvador. A oração acompanha todos os fatos importantíssimos da Sua vida terrestre. O Senhor ora ao receber o batismo de João (Lucas 3:21); passa uma noite inteira em oração antes da escolha dos apóstolos (Lucas 6:12); ora durante a transfiguração (Lucas 22:41), e ora na cruz. A última palavra do Senhor antes de morrer, foi uma oração (Lucas 23:46).
Um dos discípulos fez-lhe um pedido: “Senhor ensina-nos a orar” (Lucas 11:1). E como resposta a isso, o Senhor deu-lhe uma oração curta no tamanho mas rica no conteúdo, a oração que até hoje reúne todo o mundo cristão é a oração do “Pai Nosso”. Ela nos ensina sobre o quê e em que ordem devemos orar. Direcionando-nos a Deus dizemos “Pai nosso”: consideramo-nos seus filhos e irmãos em relação ao outro, por isso não oramos apenas por nós, mas por todas as pessoas. “Santificado seja o Teu Nome”: pedimos para que o Nome dEle seja sagrado para todos e que todas as pessoas louvem o Nome dEle com suas palavras e atos. “Venha a nós o Teu Reino”: O Reino de Deus começa no interior de cada pessoa, quando a benção de Deus entrando nela a purifica e transfigura o seu mundo interior. Juntamente, a sensação da presença de Deus, reúne todas as pessoas e os anjos numa grande família espiritual, chamada Reino de Deus. Para que o bem se difunda entre as pessoas é preciso pedir: “Seja feita a Tua vontade assim na terra como no Céu”: que tudo no mundo se faça segundo a boa e a mais sábia vontade de Deus e que nós as pessoas, igualmente de bom grado, realizemos a vontade de Deus aqui na terra, como a realizam os anjos no Céu. “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje”: Dá-nos hoje, tudo o que é suficiente para a alimentação do nosso corpo, o que acontecerá conosco amanhã nós não sabemos. Necessitamos apenas do pão diário, que é indispensável para manter a nossa existência. “E perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”: estas palavras são explicadas da seguinte forma: “E perdoa-nos os nossos pecados” (Lucas 11:4). Nossos pecados são dívidas, porque ao pecarmos não realizamos o que devemos e nos tornamos devedores perante Deus e as pessoas. Este pedido insinua-nos com uma força especial, a necessidade de perdoar ao próximo todas as ofensas: não perdoando aos outros, não ousamos pedir perdão a Deus pelos nossos pecados, não ousamos orar com as palavras da oração do Senhor. “E não nos deixes cair em tentação”: verificação das nossas forças morais por meio da inclinação para qualquer ato impuro. Aqui, nós pedimos a Deus para nos prevenir da queda, se uma tal prova das nossas forças é inevitável e indispensável. “Mas livra-nos do mal”: de toda a maldade e do seu agente, o diabo. A oração acaba com a certeza na realização daquilo que fora pedido, pois a Deus pertence o Reino eterno, o poder e a glória.
Desse modo, o Pai Nosso reúne em si tudo sobre o que se deve orar, ensina-nos a colocar todas as nossas necessidades na ordem correta. O exemplo de tal oração, deixou-nos o próprio Salvador. Ele orava no jardim de Getsêmani, o seguinte: “Meu Pai, se possível passe de Mim este cálice! Todavia não seja como Eu quero, e, sim, como Tu queres” (Mateus 26:39).
(adaptado de A.Mileant)

Oração: O respiro da alma (II)

Muitos sabem muito sobre oração, porém não possuem a prática contínua da oração e nem mesmo como orar, isto é, como devemos nos preparar para orar. Antes de começar a orar devemos nos livrar de todas as ocupações e deveres habituais, reunir os pensamentos, como se fechássemos a porta da nossa alma para tudo o que é terrestre e direcionar toda a nossa atenção para Deus.
Estando perante a face de Deus e imaginando vivamente a Sua grandeza, devemos buscar sentir uma profunda consciência da nossa indignidade e fraqueza. "Orando deve-se imaginar toda a criação como nada perante Deus e unicamente Deus-Tudo" (João de Kronstad). Um exemplo de disposição e sentimento da pessoa que ora, o Nosso Senhor apresentou-nos na parábola do publicano que fora perdoado por Deus pela sua humildade, quando dizia: “Senhor, tem misericórdia de mim, pecador”. (Lucas 18:9-14).
Este sentimento e atitude não dá origem ao desânimo nem ao desespero, pelo contrário, se junta com a fé na bondade e onipotência do nosso Pai celeste. Apenas uma oração com fé pode ser ouvida por Deus: "Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes e será assim convosco" (Marcos 11:24). Aquecida pela fé, a nossa oração torna-se dedicada. Além disso, necessitamos ter em mente a promessa de Jesus Cristo, que devemos orar sempre e não desanimar (Lucas 18:1) quando o Mesmo afirma: "Pedi, e dar-se vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se vos-á" (Mateus 7:7).
As histórias nos Evangelhos da mulher Cananéia que pediu a Cristo cura da sua filha (Mateus 15:21-28), da pobre viúva que conseguiu justiça de um juiz injusto (Lucas 18:2-8), e outros casos semelhantes a estes dão testemunho da grande força da oração. Mesmo que a oração não seja logo atendida, segundo nosso ponto de vista, não devemos desesperar-nos e nem perder o ânimo: Isso é uma prova e não uma recusa. “Por isso Jesus Cristo disse "batei," para mostrar que, mesmo se Ele não abrir logo as portas da Sua misericórdia devemos aguardar com uma clara esperança" (João Crisóstomo).
Como o Senhor é o nosso Pai celeste, somos todos iguais. Ele receberá a nossa oração, tanto quanto tivermos uma disposição verdadeiramente fraternal e benevolente para com as pessoas, quando destruirmos as maldades, inimizades, cobrirmos com o perdão os aborrecimentos e fizermos as pazes com todos: "Quando estiverdes orando se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que o vosso Pai celeste perdoe as vossas ofensas" (Marcos 11:25).
(adaptado de A. Mileant)

Oração: O respiro da alma (I)

A alimentação e o descanso são indispensáveis para sustentar sua vida física. A oração é o meio pelo qual somos alimentados espiritualmente por Deus.
Deus ama a Sua criação, ama a cada um de nós e Ele é o nosso Pai celeste. Tal como é natural dos filhos o desejo de ver os seus pais e conversar com eles, assim deve ser natural a vontade de nos comunicar e conversar com Ele, espiritualmente. Esta honrosa conversa da pessoa com Deus chama-se oração. A alma juntando-se com Deus durante a oração, junta-se também com o mundo celestial. Segundo as palavras de João de Kronstad , "a oração é a ligação de ouro da pessoa cristã, peregrina e estrangeira aqui na terra, com o mundo espiritual do qual faz parte, e sobretudo com Deus - a fonte da vida."
A oração é geralmente acompanhada muitas vezes de palavras respeitáveis e de gestos externos: os olhos fechados ou abertos, estar de joelhos ou em pé. Porém, a oração, sobretudo pode se elevar sem palavras e sem outras formas exteriores. Essa é a oração profunda interior que é conhecida pela experiência de muitos cristãos consagrados.
Durante a oração, o cristão expõe perante Deus toda a sua alma: louva a Deus pela Sua altíssima perfeição, agradece pela misericórdia e pede conforme as necessidades. Daí temos os principais três tipos de oração: o louvor, o agradecimento e o pedido.
O Louvor é o mais absoluto e desinteressado tipo de oração. Quanto mais sincera é a pessoa, mais se reflete nele a graça de Deus, e refletindo-se, evoca involuntariamente palavras extasiadas de louvor e glória. Assim, os anjos nos Céus louvam Deus sem cessar com um canto de louvor. "O louvor”, diz Teófano Hermesista, “não é uma fria visão dos atributos ou qualidades de Deus, mas sim um vivo sentimento delas com alegria e admiração”.
O Agradecimento manifesta-se na pessoa pela recepção das bênçãos de Deus. Nasce naturalmente numa alma grata e sensível. Dos dez leprosos que foram curados pelo Salvador, apenas um samaritano voltou para Lhe agradecer (Lucas 17:12-19).
O tipo de oração mais habitual é o Pedido que é revelado na pessoa pela consciência da sua fraqueza e falta de experiência. Devido às paixões, a nossa alma está doente e fraca. Por isso, na oração é indispensável pedir a Deus perdão pelos pecados e ajuda para superar as faltas. Às vezes, o pedido é evocado pela ameaça de algum perigo, alguma necessidade, etc. O pedido é inevitável devido a nossa fraqueza e agrada ao Senhor (Mateus 7:7, João 16:23). Contudo, se a oração têm predominantemente um só caráter de pedido e se a voz de louvor e de agradecimento praticamente não é ouvida, isso indica que o nosso nível de progresso, espiritual e moral está bem baixo.
Os diferentes tipos de oração, frequentemente se juntam entre si. Eis o grande desafio de cada um de nós, pois quanto mais orarmos, mais de Deus conheceremos e mais ainda nossa alma poderá respirar naturalmente.
(Adaptado de A. Mileant)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Uma história de justiça

Havia um homem chamado Joaquim, que habitava na Babilónia.
Tinha desposado uma mulher de nome Susana, filha de Hilquias, muito bela e piedosa para com o Senhor,
pois tinha sido educada pelos pais, que eram justos, de harmonia com a lei de Moisés.
Joaquim era muito rico. Contíguo à sua casa, tinha um pomar; e com frequência se reuniam em casa dele os judeus, pois que entre todos os seus compatriotas gozava de particular consideração.
Tinham sido nomeados juízes, naquele ano, dois anciãos do povo. A eles justamente se aplicava a palavra do Senhor: «A iniquidade veio da Babilónia, de anciãos e juízes, que passavam por dirigir o povo.»
Estas duas personagens frequentavam a casa de Joaquim, onde vinham procurá-los todos os que tinham qualquer contenda.
À hora do meio-dia, quando toda esta gente se tinha retirado, Susana ia passear para o jardim do marido.
Os dois anciãos viam-na todos os dias, por ocasião do passeio, de maneira que a sua paixão se acendeu por ela.
Perderam a justa noção das coisas, afastaram os olhos para não olharem para o céu e não se lembrarem da verdadeira regra de conduta.
Um dia, como de costume, chegou Susana, acompanhada apenas por duas criadas, e preparava-se para tomar banho no jardim, pois fazia calor.
Não havia aí ninguém senão os dois anciãos que, escondidos, a espiavam.
Disse às jovens: «Trazei-me óleo e unguentos e fechai as portas do jardim, para eu tomar banho.»
Logo que elas saíram, os dois homens precipitaram-se para junto de Susana
e disseram-lhe: «As portas do jardim estão fechadas, ninguém nos vê. Nós ardemos de desejo por ti. Aceita e entrega-te a nós.
Se não quiseres, vamos denunciar-te. Diremos que um rapaz estava contigo e que foi por isso mesmo que tu mandaste embora as criadas.»
Susana bradou angustiada: «Estou sujeita a aflições de todos os lados! Se faço isso, é para mim a morte. Se não o faço, nem mesmo assim vos escaparei.
Mas é preferível para mim cair em vossas mãos sem ter feito nada, do que pecar aos olhos do Senhor.»
Susana, então, soltou altos gritos e os dois anciãos gritaram também com ela.
E um deles, correndo para as portas do jardim, abriu-as.
As pessoas da casa, ao ouvirem esta gritaria, precipitaram-se pela porta traseira para ver o que tinha acontecido.
Logo que os anciãos falaram, os criados coraram de vergonha, pois jamais se tinha dito coisa semelhante de Susana.
No dia seguinte, os dois anciãos, dominados pelo desejo criminoso contra a vida de Susana, vieram à reunião que tinha lugar em casa de Joaquim, seu marido.
Disseram diante de toda a gente: «Que se vá procurar Susana, filha de Hilquias, a mulher de Joaquim!» Foram procurá-la.
E veio com os seus pais, os filhos e os membros da sua família.
Choravam todos os seus, assim como todos os que a conheciam.
Os dois anciãos levantaram-se diante de todo o povo e puseram a mão sobre a cabeça de Susana,
enquanto ela, debulhada em lágrimas, mas de coração cheio de confiança no Senhor, olhava para o céu.
Disseram então os anciãos: «Quando passeávamos a sós pelo jardim, entrou ela com duas criadas; e depois de ter fechado as portas, mandou embora as criadas.
Então, um jovem, que estava lá escondido, aproximou-se e pecou com ela.
Encontrávamo-nos a um canto do jardim. Perante semelhante atrevimento, corremos para eles e surpreendemo-los em flagrante delito.
Não pudemos ter mão no rapaz, porque era mais forte do que nós, abriu a porta e escapou-se.
A ela apanhámo-la; mas, quando a interrogámos para saber quem era esse rapaz,
recusou responder-nos. Somos testemunhas disto.» Dando crédito a estes homens, que eram anciãos e juízes do povo, a assembleia condenou Susana à morte.
Esta, então, em altos brados disse: «Deus eterno, que sondas os segredos, que conheces os acontecimentos antes que se dêem,
Tu sabes que proferiram um falso testemunho contra mim. Vou morrer sem ter feito nada daquilo que maldosamente inventaram contra mim.»
Deus ouviu a sua oração.
Quando a conduziam para a morte, o Senhor despertou a alma límpida de um rapazinho, chamado Daniel,
que gritou com voz forte: «Estou inocente da morte dessa mulher!»
Toda a gente se voltou para ele e disse: «Que é que isso quer dizer?»
E, dirigindo--se para o meio deles, afirmou: «Israelitas! Estais loucos, para condenardes uma filha de Israel, sem examinardes nem reconhecerdes a verdade?
Recomeçai o julgamento, porque é um falso testemunho o que estes dois homens declararam contra ela.»
O povo apressou-se a voltar. Os anciãos disseram a Daniel: «Vem, senta-te no meio de nós e esclarece-nos, porque Deus te deu maturidade!»
Bradou Daniel: «Separai-os para longe um do outro e eu os julgarei.»
Separaram-nos. Daniel, então, chamou o primeiro e disse-lhe: «Velho perverso! Eis que se manifestam agora os pecados que cometeste outrora em julgamentos injustos,
ao condenares os inocentes, absolvendo os culpados, quando o Senhor disse: ‘Não farás com que morra o inocente ou o justo.’
Vamos! Se realmente os viste, diz-nos debaixo de que árvore os viste entreterem-se um com o outro.» «Sob um lentisco.» – respondeu.
Retorquiu Daniel: «Pois bem! Aí está a mentira, que pagarás com a tua cabeça. Eis que o anjo do Senhor, conforme a sentença divina, te vai rachar a meio!»
Afastaram o homem, e Daniel mandou vir o outro e disse-lhe: «Tu és um filho de Canaã e não um judeu. Foi a beleza que te seduziu e a paixão que te perverteu.
É assim que sempre tendes procedido com as filhas de Israel, que, por medo, entravam em relação convosco. Uma filha de Judá, porém, não consentiu na vossa perversidade.
Vamos, diz-me: sob que árvore os surpreendeste em atitude de se unirem?» «Sob um carvalho.»
Respondeu Daniel: «Pois bem! Também tu forjaste uma mentira que te vai custar a vida. Eis que o anjo do Senhor, de espada em punho, se dispõe a cortar-te ao meio, para vos aniquilar.»
Logo a multidão deu grandes brados, e bendizia a Deus que salva os que põem nele a sua esperança.
Toda a gente, então, se insurgiu contra os dois anciãos que Daniel tinha convencido de falso testemunho, pelas suas próprias declarações e deu-se-lhes o mesmo tratamento que eles tinham infligido ao seu próximo.
De harmonia com a lei de Moisés, mataram-nos. Deste modo, foi poupada naquele dia uma vida inocente.