terça-feira, 22 de março de 2011

PASTOR EXECUTIVO, PASTOR EXECUTADO

"...quanto a nós permaneceremos assíduos à oração e ao ministério da Palavra"..." (Atos dos apóstolos 6.4).

A igreja evangélica ocidental está se secularizando a passos largos. Creio que se Nosso Senhor Jesus Cristo não voltar logo, estaremos fadados à famosa declaração que Cristo fêz à igreja da cidade de Éfeso no final do século I: "tenho porém contra ti, que abandonaste o teu primeiro amor (ágape),... se não virei a ti e moverei o teu candeeiro". Faço esta afirmação, pois olhando para a história da igreja, desde os primórdios, muita coisa mudou e continua mudando.

Partindo deste princípio, fico avaliando minha vida ministerial e a vida de meu companheiros de mesma "categoria". O texto retirado de Atos dos apóstolos que deveria ser um princípio inegociável tornou-se atualmente um chargão evangélico. Os apóstolos, presbíteros e anciãos foram comissionados por Cristo, o Cabeça da igreja para se dedicarem a duas práticas somente e bem específicas: Oração e Catequese ou Devoção e Ensino.

Hoje encontramos os bispos, presbíteros, anciãos, envolvidos com uma enormidade de atividades, seja dentro ou fora do âmbito paroquial. São nada mais, nada menos que executivos eclesiásticos. Gastam todo tempo realizando ações que jamais foram chamados por Cristo a fazerem.

Vivemos o ativismo eclesial, somos produto de uma sociedade consumista que imprime novos padrões de vida até mesmo para os que assim são chamdos "povo de Deus". À época do antigo povo de Israel, também encontramos os executivos religiosos. Eram sacerdotes, profetas que viviam dentro dos palácios dos reis e que na sua vida negavam o próprio chamado e a vocação divinas.

Vivemos a necessidade de produzir. O bispo, pastor, padre, presbítero ou ancião deixaram a prática da oração e da catequese e hoje são obrigados a ter que fazer as suas comunidades "produzirem" pessoas "convertidas". E aí manifestamos nossa mais plena forma de apostasia.

Estou pronto a dizer "não" a esta prática. Irei lutar com todas asminhas forças contra o secularismo e o paganismo que invadem a vida pastoral por meio do sistema eclesiástico que vivemos. Cristo não me chamou para fazer a igreja dele crescer, Ele não me chamou para ser um "Executivo" da igreja, ou um missionário pra fazer "as coisas do Espírito Santo" acontecer. Peço a Deus que Ele me ajude a lutar contra este sistema demonológico que direciona a mente dos que assim se acham os "donos" de uma igreja que foi comprada por preço de sangue imaculado.

Durante meus 23 anos de vida pastoral, acredito que fiz muito mais o gênero "executivo" do que fui fiel ao chamado vocacional. O que colhi disso? Depressão, amargura, angústia e somatizações as mais variadas. Deixei de viver minha vida, minha familia e embotei meus sentidos. Tudo porque a igreja impregnou-me a visão da produtividade religiosa.

O pastor faz de tudo nas igrejas de hoje, menos praticar uma regra de oração cotidiana e catequizar as pessoas. E ainda mais há os que se arvoram na vida pública buscando cargos políticos se utilizando de títulos eclesiásticos.

Chega! Ou tomamos atitudes radicais ou nos conformaremos a este mundo que vive dentro da igreja e jamais passaremos pela metamorfose espiritual a fim de nos preparar para o grande e temível Dia do Senhor. Não desejarei fazer qualquer capricho evangélico de pessoas. Que Deus me ajude a voltar-me à oração e ao ministério da palavra.

Kyrie Eleisón.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Discipulado: Eis a questão

Há muito tempo faço esta pergunta ao meu coração: Por que será que a igreja cristã sempre se desviou dos mandatos de Cristo durante a sua história? Há muita gente falando sobre crescimento de igreja, mas querem fazê-lo sem as orientações do Cabeça desta igreja. Buscam inúmeros atalhos e só pensam em crescer, agregando pessoas por causa do dinheiro ou por causa de poder institucional. Gostaria de escrever um pouco sobre esta necessidade de obedecer aos mandatos de Cristo, o Cabeça da igreja, mas começando pela necessidade que todos temos de sermos discípulos dEle e fazer discípulos para Ele.

Quando penso em igreja, tenho que pensar que as pessoas são essenciais para Cristo e não o sistema. Assim percebo que inúmeras pessoas hoje em dia, deixam de conhecer a Cristo como ele é e acabam encontrando um outro cristo pensando que este é o verdadeiro. Mas na verdade, o que tem sido pregado por aí, nada mais é do que um sistema de vida. Como consequencia disso encontramos pessoas que embora creiam em em Deus nunca se tornaram discípulos dEle. E o que é pior, jamais se integraram no Reino de Deus. Por isso tenho que pensar alguma maneira de ensinar o Discipualdo de Jesus não como um programa eclesiástico, mas um estilo de vida que Cristo observou para que as pessoas sejam integralizadas no reino de Deus.

Ainda que não apareça na Bíblia o termo integração, existe uma firme base bíblica para usármos, por que ele traduz uma idéia básica encontrada em todo o Novo Testamento. A integração é um processo de relacionamento inter-pessoal que visa educar as pessoas e levá-las a uma condição de maturidade e uma contínua comunhão com Cristo, a fim de que elas mesmas possam cumprir a missão pela qual elas existem. Seja na igreja, na paróquia, no emprego, na escola ou em qualquer lugar.

Portanto, a integração de pessoas no Reino de Cristo tem como objetivo abranger tudo o que se faz individual e coletivamente seja por meio de dons, talentos, atividades as mais diversas que um ser humano possua, pois tudo o quem tem existe para seu próprio bem, para o benefício das pessoas ao seu redor e a um profundo relacionamento com Deus.

Segundo a minha visão, então a tarefa da igreja crsitã não é somente a salvação mas a integração e o desenvolvimento deste mundo que vive no caos em todos os sentidos. Quando tentamos desenvolver o discipulado como um estilo de vida de Cristo, começamos a ver algumas consequência muito positivas. Primeiramente, o discipulado torna mais profunda a relação entre Deus e o cristão. (entenda-se cristão, todo aquele que devota-se a Cristo). Em segundo lugar o discipulado integra as novas pessoas que nunca tiveram nenhum envolvimento com Cristo, numa determinada comunidade e os estimulam a viver e crescer espiritualmente; E então, somente então, é que haverá o tão desejado crescimento da igreja, pois os que vão se abrindo para esta visão de integração, são impulsionados a testificar e a se multiplicarem por causa do Reino de Cristo.

Mas vale aqui algumas definições do que NÃO seja a integração. Por exemplo a maioria das igrejas pensa que dar ao chamado "recém convertido" uma palavra de incentivo sobre a leitura da Bíblia, ou enfatizar-lhe o imperativo da mordomia cristã, dizendo-lhe que seja dizimista ou enchendo-lhe de folhetos ou de alguma literatura. Há os que pensam que pelo fato de recomendar-lhe que seja assíduo aos cultos dominicais é razão suficiente para que sela o mesmo integrado na paróquia. Outros acham que integrar alguém na igreja é tornar-lhe aluno da Escola Dominical, ou mesmo orienta-lo a ter um comportamento que não corresponderá as necessidades mais profundas do "recém convertido".

Desde muito tempo ouvimos falar sobre que Cristo mandou sua igreja evangelizar. Mas o que é evangelizar sem manter qualquer relaciomaneto com as pessoas. Na verdade a evangelização sem a integração sempre falhou e falhará no seu objetivo de anunciar o evangelho a este mundo. O máximo que se pode conseguir é a adição de algumas pessoas à igreja.

Oração: O respiro da alma

A alimentação e o descanso são indispensáveis para sustentar sua vida física. A oração é o meio pelo qual somos alimentados espiritualmente por Deus.
Deus ama a Sua criação, ama a cada um de nós e Ele é o nosso Pai celeste. Tal como é natural dos filhos o desejo de ver os seus pais e conversar com eles, assim deve ser natural a vontade de nos comunicar e conversar com Ele, espiritualmente. Esta honrosa conversa da pessoa com Deus chama-se oração. A alma juntando-se com Deus durante a oração, junta-se também com o mundo celestial. Segundo as palavras de João de Kronstad , "a oração é a ligação de ouro da pessoa cristã, peregrina e estrangeira aqui na terra, com o mundo espiritual do qual faz parte, e sobretudo com Deus - a fonte da vida."
A oração é geralmente acompanhada muitas vezes de palavras respeitáveis e de gestos externos: os olhos fechados ou abertos, estar de joelhos ou em pé. Porém, a oração, sobretudo pode se elevar sem palavras e sem outras formas exteriores. Essa é a oração profunda interior que é conhecida pela experiência de muitos cristãos consagrados.
Durante a oração, o cristão expõe perante Deus toda a sua alma: louva a Deus pela Sua altíssima perfeição, agradece pela misericórdia e pede conforme as necessidades. Daí temos os principais três tipos de oração: o louvor, o agradecimento e o pedido.
O Louvor é o mais absoluto e desinteressado tipo de oração. Quanto mais sincera é a pessoa, mais se reflete nele a graça de Deus, e refletindo-se, evoca involuntariamente palavras extasiadas de louvor e glória. Assim, os anjos nos Céus louvam Deus sem cessar com um canto de louvor. "O louvor”, diz Teófano Hermesista, “não é uma fria visão dos atributos ou qualidades de Deus, mas sim um vivo sentimento delas com alegria e admiração”.
O Agradecimento manifesta-se na pessoa pela recepção das bênçãos de Deus. Nasce naturalmente numa alma grata e sensível. Dos dez leprosos que foram curados pelo Salvador, apenas um samaritano voltou para Lhe agradecer (Lucas 17:12-19).
O tipo de oração mais habitual é o Pedido que é revelado na pessoa pela consciência da sua fraqueza e falta de experiência. Devido às paixões, a nossa alma está doente e fraca. Por isso, na oração é indispensável pedir a Deus perdão pelos pecados e ajuda para superar as faltas. Às vezes, o pedido é evocado pela ameaça de algum perigo, alguma necessidade, etc. O pedido é inevitável devido a nossa fraqueza e agrada ao Senhor (Mateus 7:7, João 16:23). Contudo, se a oração têm predominantemente um só caráter de pedido e se a voz de louvor e de agradecimento praticamente não é ouvida, isso indica que o nosso nível de progresso, espiritual e moral está bem baixo.
Os diferentes tipos de oração, frequentemente se juntam entre si. Eis o grande desafio de cada um de nós, pois quanto mais orarmos, mais de Deus conheceremos e mais ainda nossa alma poderá respirar naturalmente.
Rev. Luiz Augusto (adaptado de Alexandre Mileant)

terça-feira, 15 de março de 2011

Tempo para humilhação!

"Pois bem,... Ele esperava justiça, mas houve derramamento de sangue; esperava retidão, mas ouviu gritos de aflição. Ai de vocês que adquirem casas e mais casas,
propriedades e mais propriedades, até não haver mais lugar para ninguém e vocês se tornarem os senhores absolutos da terra! O SENHOR dos Exércitos me disse: “Sem dúvida muitas casas ficarão abandonadas, as casas belas e grandes ficarão sem moradores. Uma vinha de dez alqueires só produzirá um pote de vinho, um barril de semente só dará uma arroba de trigo”. Ai dos que se levantam cedo para embebedar-se, e se esquentam com o vinho até a noite! Harpas, liras, tamborins, flautas e vinho há em suas festas, mas não se importam com os atos do SENHOR, nem atentam para obra que as suas mãos realizam. Portanto, o meu povo vai para o exílio por falta de conhecimento; a elite morrerá de fome, e as multidões, de sede. Por isso o Sheol aumenta o seu apetite e escancara a sua boca. Para dentro dele descerão o esplendor da cidade e a sua riqueza,o seu barulho e os que se divertem. Por isso o homem será abatido, a humanidade se curvará, e os arrogantes terão que baixar os olhos. Mas o SENHOR dos Exércitos será exaltado em sua justiça; o Deus santo se mostrará santo em sua retidão". Profeta Isaias (5:7 a 16)