sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

QUAL A DIFERENÇA ENTRE A IGREJA EVANGÉLICA E AS OUTRAS EMPRESAS?

Parafraseando Thomas Campbell, um Bispo Anglicano: A igreja evangélica deveria ser a única "organização" que trabalhasse em prol dos que estão fora dela".

Mas infelizmente ela não é o diferencial da outras organizações seculares, 99% dos seus recursos são aplicados nela mesma". E ainda Jesus já ensinava: "Vós sois a luz do mundo... vós sois o sal da terra, se o sal vier a ser insípido,para nada mais presta do que lançado fora e ser pisado pelos homens". Qual a diferença da igreja evangélica para as empresas? Nenhuma. Pode-se pensar na pregação, mas que adianta pregação sem ação.

Deveríamos falar menos e fazer mais... Menos discurso e mais ação. Menos pregação e mais doação. Menos gastança e mais oferecimento. Menos acúmulo e mais distribuição. Toda centralização é demoníaca e reflete o sistema satânico que nos submete. Sistema que está nas mãos da impiedade. Todas as vezes que a igreja prega centralização ela está nada menos do que buscando sua própria estabilidade e desejando viver longe de Cristo. Parece que não foi bem isso que Jesus ensinava.
Kyrie Eleison

A respeito da participação de um presbítero no Carnaval do Rio

Recebi de uma pessoa evangélica um email que falava sobre a participação de um presbítero no Carnaval do Rio. O assunto está abaixo, bem como meu comentário: sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011, Presbítero da Igreja Renascer comandará a bateria da escola de samba Mangueira durante Carnaval 2011.

"Quis o Criador abençoar o talento de Ailton André Nunes e ele acabou traçando seus passos no compasso do surdo de primeira. Ou melhor, da ‘Bateria Surdo Um’. Foi a paixão pelo ritmo, surgida quando ainda era moleque e rolava pelo lixão do Chalé, no Morro da Mangueira, em busca de latas e papelão para fazer tambores afinados com o calor de fogueiras, que fez o hoje presbítero, (uma espécie de líder) da Igreja ‘Renascer em Cristo’, aceitar o convite do presidente Ivo Meirelles e se tornar, há pouco mais de um mês, o novo mestre de bateria da Verde e Rosa.

Contradição com a fé? Não para Ailton, percussionista profissional, 39 anos, casado, pai de duas filhas e avô de outra menina. “Sou um servo de Deus e acredito que as pessoas têm um dom. E acredito no plano de Deus para a minha vida. E faz parte passar por isso, estar à frente da bateria”, explica o maestro, que também é um dos autores do samba que homenageia Nelson Cavaquinho, enredo da escola.

Antes de aceitar conduzir a bateria que ele conhece desde menino e da qual já chegou a ser um dos diretores — na época do primo Alcir Explosão, a quem elogia o talento —, além de primeiro repique, Ailton conversou com a família e seus orientadores na igreja.

A volta à escola, entretanto, levou 8 anos para acontecer. Foi quando, diz, “tinha outro tipo de conduta e estava perdendo a família”, acabou encontrando a igreja em seu caminho. Na caminhada de lá para cá, trabalhou com música, rodou a Europa como percussionista e reencontrou amigos no Brasil. Agora, só quer saber de unir a “Família Surdo Um” em torno de um objetivo: ganhar a nota dez para a Mangueira.

“Mas e as tentações do Carnaval?”, provoco eu ao entrevistado. “Todos nós somos pecadores. Só que tem um porém: eu tenho consciência que sou pecador, mas hoje não vivo pelo pecado”, responde, sem atravessar o discurso".
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Meu comentário-resposta a irmã evangélica:
Minha irmã, isso é apenas a ponta do Iceberg. A igreja perdeu seus absolutos e os seus líderes não apenas estão presentes nos carnavais da vida mas também estão dentro das igrejas fazendo seu carnaval, pois há muitos que fazem de seu ministério um verdadeiro "carnaval". Há muitos que montam seu "castelinho feudal" e organizam-se como próprios "donos" de igreja, manipulam e exploram a boa fé das pessoas, extorquem dinheiro, fazendo amplas pregações sobre dízimo, vivem uma vida desconectada da oração, vivem com aparência de piedade, mas não cansam de falar mal das suas ovelhas e de outros presbíteros que geralmente são chamados por eles de "colegas".

Esse caso é somente a ponta do Iceberg. Por isso sou contra essa pulverização de líderes religiosos, bem como de pastores, presbíteros e diáconos que nunca foram chamados por Deus, e estão usando a igreja como meio de vida.

A nós, que somos presbíteros, será de maneira mais intensa e pesada o julgamento de Cristo, pois a Epístola de São Tiago já afirmava: (3.1): "Meus irmãos, não sejamos muitos de vós mestres (líderes), pois haveremos de passar por um juízo mais rigoroso".

Temos que pregar contra esse processo de se ordenar e consagrar qualquer pessoa, porque fala bem na igreja, ensina uma boa aula de escola dominical, ou faz uma oração mais eloquente.Nenhuma destas práticas é suficiente para se ordenar um presbítero. São Paulo já falava a Tímoteo sobre isso (1 Tim 3.1-14).

No passado, na Igreja Antiga, muitos corriam longe de serem ordenados presbíteros ou bispos. O problema é que temos uma igreja que não conhece a sua história, pois se conhecêssemos a história jamais faríamos o que estamos fazendo. Hoje na igreja a titulaçao virou meio-de-vida.

Kyrie Eleison (Senhor tem piedade)
Luiz Augusto (presbítero)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

“ESPIRITUALIDADE DE ACAMPAMENTO”

“Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Os homens serão egoístas,...guardarão a aparência de piedade, negando-lhe entretanto o poder. Afasta-te também deles”. (2 Timóteo 3.1-5)

Durante a história da igreja cristã, os discípulos de Jesus Cristo, sempre buscaram uma espiritualidade sincera, verdadeira e cheia de temor. Essa espiritualidade não dependia de pessoas, mas se alimentavam de práticas que não tinham nada de inovadoras. Oravam incessantemente a Deus e buscavam nas escrituras sagradas do Antigo Testamento palavras que lhes consolassem, ouviam os relatos dos que estiveram com Jesus Cristo e viviam seu di-a-dia, buscando as coisas simples e ajudando as pessoas necessitadas.
Não dependiam de eventos, mas mantinham suas vidas com as chamadas “disciplinas espirituais”. Liam os Salmos e oravam. Estas práticas eram diárias e o domingo de manhã na liturgia era o grande encontro deles com a Palavra Escrita e com a Ceia do Senhor, a Eucaristia, todos os domingos. Não havia muitos pregadores eloquentes, mas fiéis Leitores ( 1 Timóteo 4.13) Não era uma espiritualidade que dependia de eventos extra-igreja. Ou melhor o calendário das igrejas era um calendário que envolvia-os nas celebrações da vida especialmente as que relembravam o “Mistério Pascal”, isto é a Vida, Obra e Ressurreição de Nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo.
Não dependiam de cruzadas evangelísticas, encontros monumentais, reuniões especiais, cultos sensacionalistas, não havia propaganda, marcações de horários especiais. Viviam e relembravam todos os dias o Grande Evento: a vida, morte e ressurreição do Senhor. Ele era o centro de tudo.
Hoje vivemos uma fé que depende de movimentos e do calendário de nossa sociedade. O Carnaval é um destes movimentos. E ao invés de fortalecermos a fé nestes dias, a maioria das igrejas promove acampamentos para evitar que os “crentes” e “filhos de crentes” caiam da “folia”, mas nestes encontros de fé, alguns chegam a criar o seu próprio “carnavalzinho”. Muitos esquecem das práticas espirituais e transformam os encontros em meras reuniões sociais. Já participei de “acampamentos” sem sentido. Não havia nenhuma disposição de um retiro espiritual, pelo contrário recheavam todo encontro com gincanas sociais, “skeats” onde muitos jovens se vestiam de mulheres, entre outras coisas que nada tinham a ver com um encontro de espiritualidade.
Nestes dias onde “ser crente” significa, na maioria das vezes, fazer parte de uma entidade social, necessitamos voltar às origens, buscar a prática da espiritualidade da Igreja Antiga. Ensinar as primeiras letras, renunciar práticas que nada tem a ver com a fé verdadeira e simples. Pararmos de agir como meninos, levados por todo vento de pregações e pregadores. Paramos de andar de igreja em igreja, buscando uma palavra nova. Tomarmos decisões que nos levem a bebermos da Fonte Limpa e não de fontes turvas. Sabermos dizer “não” a opressão que nossa sociedade faz sobre nós e de fato em nosso dia-a-dia sermos “luzeiros num mundo” (Filipenses 2.15). Deixarmos de sermos crentes consumidores de uma fé oferecida no mercado dos canais de televisão por meio de múltiplas denominações.
Queremos continuar a fazer da nossa espiritualidade uma espiritualidade de acampamento e eventos? Queremos continuar a sermos subservientes aos gostos e desgostos de muitos líderes religiosos evangélicos de nosso tempo? Ou queremos buscar a verdadeira espiritualidade, cuja Fonte nunca secará? Somos sedentos por tudo o que é inovação, porque vivemos um cristianismo que é moldado pelo consumismo de uma fé que perece. Por isso as pessoas precisam sempre de uma palavra nova, uma nova canção, pois não conseguimos alimentar o coração somente com o que é Essencial. Que tipo de espiritualidade queremos? Uma espiritualidade de “acampamento” ou desejamos beber da fonte perene, que nunca seca, se renova por si mesma e dessedenta aquele que a busca com a fé simples, verdadeira e perseverante?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Reflexões e Decisões

Se alguém desejar o presbiterato (vocação ministerial - é assim que a igreja antiga chamava) então deve começar a buscar maturidade em Deus e não somente conhecimento racional em prol de títulos. Não dependa de ninguém: pastor, presbitero, pai, mãe etc... Paulo depois de ter o encontro teofânico com o Senhor (Jesus apareceu para ele em carne e osso no caminho de Damasco), ele não consultou "carne e sangue" (isto é pessoas que qualquer tipo). Então se desejar caminhar o caminho da fé verdadeira e entenda que muita coisa precisa mudar na vida de quem almeja a caminhada da fé e do sacerdócio.

Primeiramente, não me importarei mais com numero de pessoas num culto de uma igreja. Digo isso, pois não acredito na presença do Espírito Santo do ponto de vista físico. A percepção e o olhar humano é terrivelmente enganoso e desviado da verdade. Por isso, não dependerei de número de pessoas em alguma reunião de uma igreja. Os meus olhos querem ir além. Quero ver em outra dimensão. Tudo deve ser visto em outra dimensão.

Estou farto, cansado e indignado com esta noção irracional de espiritualidade. Sensações de choro, de gritaria, de chavões , de emocionalismo e sensacionalismo, são
fruto de almas que não conseguem ver a Deus em outra dimensão e por isso
tentam abafar sua cegueira com tais manifestações irracionais.

O coração é corrupto (Jeremias 17). Portanto não quero ver a ação do Espirito Santo de fora para dentro e sim de dentro para fora. Não quero depender de meus olhos carnais para ver a Deus e sua manifestação.

Quero despojar a noção que adoração, culto e ação do Espírito Santo depende de animação ou de pessoas que dão "palavras de ordem" numa liturgia, para que o Espírito Santo faça o que ele tem que fazer.

O Espírito Santo é Deus, ele não depende nem de mim nem de voce. Jesus diz que o Espírito é como um vento e ele sopra onde quer e ninguém sabe para onde ele vai nem de onde vem. Ele é como uma brisa (Elias provou isso em 2 Reis 18).

Portanto, os assim chamados sacerdotes do Deus Altissimo não são animadores de auditório ou show-men, como muitos estão por aí.

Quero renunciar muita coisa que fiz nestes 22 anos de ministério atribuindo a
Deus aquilo que meu "eu" queria fazer. Atribui muita coisa ao Espírito Santo que não era o Espírito Santo. Espero que voce que esteja lendo julgue seu próprio coração.
Não quero mais isso para minha vida. Se alguém quiser caminhar ao meu lado, venha para chorar seus próprios pecados e os meus, comigo. Venha para peregrinar, de falar menos de si mesmo, e venha para o que vale a pena: a Verdade.

Não quero mais fazer a vontade de qualquer sistema eclesiástico, ou de pessoas que estão em cargos de liderança sejam de ungidos, apóstolos,bispos, presidentes, ou seja lá quem ocupar algum título na nobre e santa igreja evangélica. Não estou para agradar a homens, nem de arrecadar muito dinheiro, estou para aprender a buscar e aprender a viver os princípios da "Palavra Viva" que vai além da Bíblia e do movimento evangélico de hoje.

Não desejo ser mais conhecido como evangélico. Quero ser participante do Corpo de Cristo, a Igreja Antiga.

Kyrie eleison,

Que Deus me ajude.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Não sabemos amar...

«Amai os vossos inimigos»


Não há nada que nos encoraje mais a amar os nossos inimigos, naquilo que consiste a perfeição do amor fraterno, do que a consideração e a gratidão pela admirável paciência do «mais belo dos filhos dos homens» (Sl 45 (44), 3): Ele ofereceu a Sua bela face aos ímpios para que a cobrissem de escarros; permitiu-lhes vendarem-Lhe aqueles olhos que, de um só relance, governam o Universo; expôs as Suas costas ao chicote, submeteu aos picos dos espinhos a Sua fronte, diante da qual deviam tremer príncipes e poderosos; entregou-Se às afrontas e às injúrias e, por fim, suportou com mansidão a cruz, os cravos, a lança, o fel, o vinagre, mantendo, no meio disso tudo, toda a doçura e serenidade: «Como um cordeiro levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador, não abriu a boca» (Is 53,7).


Ao ouvir as admiráveis palavras «Pai, perdoa-lhes» (Lc 23, 34), cheias de doçura, de amor e de imperturbável serenidade, o que poderíamos nós acrescentar à bondade e à caridade dessa oração?


E, no entanto, o Senhor acrescentou algo. Não Se contentou em orar; quis desculpar: «Pai ─ diz Ele ─ perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem»; são, sem dúvida, grandes pecadores, mas não têm disso consciência; por isso, Pai, perdoa-lhes; crucificam, mas não sabem a Quem crucificam. [...] Pensam tratar-se dum transgressor da Lei, dum usurpador da Divindade, dum sedutor do Povo; escondi-lhes o Meu rosto; não reconheceram a Minha majestade; por isso, «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».


Se quiser aprender a amar, que o homem não se deixe arrastar pelos impulsos da sua carne, mas dirija todo o seu afecto para a dulcíssima paciência da carne do Senhor; se quiser encontrar descanso mais perfeito e mais feliz nas delícias da caridade fraterna, que aperte também os inimigos nos braços do verdadeiro amor; e, para que este fogo divino não diminua por causa das injúrias, que tenha sempre os olhos do espírito na serena paciência do seu Senhor e bem-amado Salvador.

Aelredo de Rievaulx (1110-1167), cisterciense - Le Miroir de la charité, III, 5

Cristãos animados por eventos!

"A igreja surgiu na Palestina como um fato, foi para os Estados Unidos e se fêz empreendimento, veio para o Brasil e se tornou um evento".

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

«Segue-Me» (Mt 9, 9)

Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (África do Norte) e Doutor da Igreja
Sermão 96, 9 (a partir da trad. Brésard, 2000 ans B, p. 248)

Neste mundo, quer dizer, na Igreja, que toda ela segue Cristo, Este diz a todos: «Quem quiser vir após Mim, renuncie a si mesmo». Porque esta ordem não se destina às virgens, com exclusão das mulheres casadas; às viúvas, com exclusão das esposas; aos monges, com exclusão dos esposos; aos clérigos, com exclusão dos laicos. É toda a Igreja, todo o Corpo de Cristo, todos os seus membros, diferenciados e repartidos segundo as suas tarefas próprias, que deve seguir Cristo. Que toda ela O siga, ela que é única, ela que é a pomba, ela que é a esposa (Ct 6, 9); que ela O siga, ela que foi resgatada e enriquecida com o sangue do Esposo. A pureza das virgens tem aqui o seu lugar; a continência das viúvas tem aqui o seu lugar; a castidade conjugal tem aqui o seu lugar. [...]


Que sigam Cristo, estes membros que têm o seu lugar, cada um segundo a sua categoria, cada um segundo a sua classificação, cada um à sua maneira. Que renunciem a si mesmos, quer dizer, que não se apoiem em si próprios; que levem a sua cruz, quer dizer, que suportem no mundo, por Cristo, tudo o que o mundo lhes infligir. Que O amem, a Ele, o Único que não desilude, o Único que não está enganado, o Único que não Se engana. Que O amem porque o que Ele promete é verdadeiro. Mas, porque Ele não o dá agora, a fé vacila; pois continua, persevera, suporta, aceita o atraso, e terás levado a tua cruz.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Insuportável...

Não suporto mais esse espírito fundamentalista e megalomaníaco das igrejas, pastores e presbíteros. Quero encontrar mais a graça de Cristo, sem as amarras ou os limites impostos pelo sistema evangélico. Deus é o Deus que ama, porque ama. Não consigo enxergar mais uma missão legalista e recheada de imposições eclesiásticas.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A adoração que foi para o espaço!

Por que a igreja não adora a Deus com o mesmo espírito com o qual ele é adorado no Céu (segundo as revelações presentes nos livros de Isaías, Ezequiel e no Apocalipse)? Se a igreja é a antecipação do reino e agência deste, porque não levamos a sério e buscamos o modelo bíblico, já que os princípios bíblicos devem dirigir a igreja? E são por eles que nos arvoramos em dizer: “somos o povo da Bíblia”. Vivemos uma adoração megalomaníaca, antropocêntrica, marketeira e consumista.

Todo ato litúrgico da Igreja não deveria ser vivido com ostentação triunfalística, pois todas as partes da liturgia deveriam servir para para convidar a todos a voltarem o próprio olhar sobre si e não para fora de si. A ideia de que adoração está centrada no ser humano é uma realidade. A adoração não se dá num ambiente etéreo, abstrato, pelo contrário os sinais e símbolos que a própria igreja extirpou, leva-a a ter que evidenciar os seus “show-men” que devem promover a presença do dito “Espírito Santo”. O Espírito Santo que vive “dentro” de nós, agora está sendo buscado “fora” de nós.

A Liturgia não deveria atingir a imaginação, nem seu fim deveria doutrinar e submeter as pessoas ao poder de outros homens que decidem por eles. A noção “sensacionalista” e “emocionalista” está presente em 99,9% dos cultos evangélicos. A imaginação fértil, com gritos de ordem e induções mentais, chavões e chargões, como aleluia, glória a Deus, amém irmão, tá amarrado, diga a seu irmão isto e aquilo...., são fruto de uma adoração que tem mais a ver com programas de auditório do que com a adoração modelada pelo livro do Apocalipse. A ideia de que o Espírito Santo está atuando em determinada igreja, num determinado culto, porque pastor “tal” ou o pregador “fulano” estará presente faz parte de uma adoração centrada não no Espírito Santo mas na visão que Deus é quem deve nos favorecer por que se adora o deus domesticado como o animalzinho de estimação dos apartamentos em que vivemos nos dias de hoje.

A Igreja e a Liturgia outra coisa não deveriam ser do que um ambiente no qual sempre mais olhássemos para nós mesmos, para nosso interior, lugar no qual Deus se revela. Para isso deveria ser indispensável abrir os olhos do coração, isto é, da própria interioridade. Mas o que se vê é uma liturgia voltada para satisfazer os desejos “carnais” daqueles que vão “assistir” aos cultos. O ambiente é cheio de ruídos os mais irreverentes, que vão desde o bate-papo usual até os grunhidos de animais e histeria coletiva. O ambiente que se adora é um ambiente onde se vai julgar o sermão do pregador, a voz desafinada do cantor e a temperatura “espiritual” do grupo de louvor. A adoração do século XXI passa pelo “arrepio”, sensações comuns de um público envolvido pela imaginação lucrativa de seu liturgos. Para que tantos cantores, para que púlpitos abarrotados de homens e mulheres mais “ungidos” do que os que estão na platéia?

A palavra Liturgia é termo grego e significa “serviço público.” Na terminologia da Igreja, significa o Serviço Divino. Mas de fato a igreja evangélica perdeu esta noção. Quando ouvimos perguntas como “quem é que vai pregar hoje?”, retrata a idéia que culto é uma prática teatral, isto é, não se vai a um culto para servir mas para ser servido. O culto que se pratica revela o cristianismo de consumo que aí está instalado nas veias e na alma do povo evangélico. E “ai” se o pregador não corresponder? Liturgia é serviço que se oferece a Deus, muito além de uma pregação bem elaborada segundo as melhores aulas de homilética.

O termo “Eucaristia” em grego, significa “agradecimento.” Na Eucaristia encontramos o sacramento do Novo Testamento instituído por Jesus Cristo, nosso Salvador, antes de Sua paixão e morte. Mas o que se faz? Primeiro a própria igreja extirpou a ceia do Senhor todos os domingos, deixando apenas um domingo, e quando o pregador está mais “ungido” e passa do horário abdicamos do sacramento e adiamos para o outro domingo. A igreja rebaixou o sacramento a uma simples ordenança. Não existe mais fé no sacramento, pois a fé que a igreja evangélica adota é uma fé racional, explicativa e quando muito margeia o divino, é para responder aos anseios assim ditos “neo-pentecostais”. Os apóstolos seguiram fielmente este mandamento de Jesus e celebravam constantemente este sacramento. Assim faziam também todos os Bispos e Sacerdotes ordenados pelos apóstolos na Igreja por eles fundada, seguindo fielmente esta prática até o século IV. Basílio, o Grande, João Chrysóstomo desenvolveram uma liturgia que foi banida do meio da igreja há muito tempo.

Ou renunciamos esta prática herética de nosso meio voltando nosso olhar para Cristo como centro de uma adoração verdadeira, buscando a oração como fonte original da devoção, ou estaremos fadados a nos perdermos de vez de acentuando sempre uma igreja que abandonou o primeiro amor e adorou mais a criatura do que seu Criador.

Kyrie Eleisón

Oração de Cirilo (869AD), missionário aos eslavos

«Senhor Deus, faz crescer a tua Igreja
e reúne todos os homens na unidade;
estabelece os teus eleitos na concórdia da verdadeira fé 
e na sua reta confissão; 
faz penetrar as tuas palavras no seu coração, 
a fim de que se consagrem ao que é bom e te é agradável.»