domingo, 23 de outubro de 2011

SALVAÇÃO POR CAUSA DO AMOR!

O que nos motiva mais a buscar a salvação de Deus? O medo do inferno ou o amor atraente de Cristo? Nosso mundo está povoado de vozes, mensagens, pregações, músicas, cânticos e hinos que falam sobre a salvação que Deus promete a todo aquele que O busca com fé. É muito fácil que atribuamos aos pregadores de hoje uma autoridade divina quanto a isso. Mas minha preocupação vai um pouco mais além. Creio que devemos nos perguntar: “Com que motivação as pessoas estão pregando o amor de Deus?” Isso porque há muitos que estão buscando a Deus para se livrarem do inferno e das mazelas desta vida. Muitos estão propagando uma mensagem que as livra do tormento e não porque o amor de Cristo é inextinguível.
A busca pela salvação ou por Deus em última análise, deveria nos conduzir a compreender e aceitar o amor inefável de Deus por todos. Para que não invertamos os valores pregados por Jesus de Nazaré devemos tomar algumas precauções:
1) Não pense jamais que a salvação de Cristo é destinada para alguns poucos. Quando pensamos assim, tornamo-nos pessoas estreitas, pequenas, criamos “guetos” e nos isolamos do mundo. Passamos a viver como “fatalistas” e não olhamos as múltiplas revelações de Deus no dia-a-dia. Achamos que a igreja ou a comunidade que participamos é uma realidade “ultra mundana”, isto é fora do mundo normal do “grupo de mortais”. Começamos a nos tornar “extraterrestres” com um jeito diferente de falar, de se cumprimentar e de andar. A pregação que trata mais do inferno do que do amor de Deus é o ponto crucial de vivermos desconectados da sociedade.
2) Não viva distante das pessoas. Isso por que podemos viver vidas desagregadoras. Desagregar é o contrário de agregar, aglutinar, juntar, unir. Essa é a essência da palavra “diabo” no Novo Testamento. O Diabo ficou conhecido por que ele tem o objetivo de separar e desagregar as pessoas. Quando pregamos e vivemos um evangelho que não enfatiza o amor incansável de Deus por nós, somos grandes candidatos a desunião e a superficialidade. Há muitos “evangelhos desagregadores”. A vida cristã se caracteriza pela unidade, compreensão e coletividade. Jesus Nosso Senhor pedia ao Pai: “...que eles sejam um, como és tu ó Pai em mim, que eles sejam um em nós”.
3) Não se ache mais santo que os outros. Podemos tornar nossa comunidade um “museu de santos e não um hospital para pecadores”. A verdade é que o mundo carece muito mais de atos de misericórdia do que de “discursos”. As pessoas que desejam encontrar o amor verdadeiro de Deus serão impactadas nunca pelo discurso e sim pelos atos e gestos de acolhimento e de abraço. Jamais devemos “polir nossa santidade” como se fossem pérolas. A santidade de Deus deve ser vivida no meio da impureza. Quando Deus quis mostrar sua Santidade, se tornou gente e veio viver neste mundo de podridão, vergonha e injustiça.
O amor de Deus deve ser proclamado de todos os cantos conduzindo a todos indistintamente, de modo que nossa mensagem reflita que conhecemos a Deus. Que o Espirito Santo nos motive a romper com a pregação caprichosa, mesquinha e ostentadora. Que este evangelho nos leve cada dia sermos mais parecidos com os outros ao nosso redor. Que a graça do amor nos leve a pregar mais a misericórdia e menos sobre o inferno. Que não criemos “panelinhas” santas mas que estejamos no mundo entre as pessoas mostrando uma mensagem pelos atos e não apenas por palavras.

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