sexta-feira, 7 de outubro de 2011

MISSÃO X PROPAGANDA

Há muita propaganda e pouca identificação. Há muito turismo missionário e pouca inserção. A pergunta que deve ser feita é: “Como estamos missionando nos dias atuais?”. Devemos ser corajosos para avaliar as nossas estratégias, nossos métodos e táticas que usamos para comunicar o Evangelho. Parece que não é suficiente usar o marketing e a mídia para o anúncio das Boas Novas. Muito mais do que usarmos do turismo missionário para conhecer e manter trabalhos denominacionais em locais de difícil acesso nos interiores do país, precisamos estar dispostos a encarnarmo-nos neste mundo, para que sejamos relevante e cumpramos a Grande Comissão de verdade.

Necessitamos muito mais do que um “avivamento coreográfico” para redescobrirmos nossa verdadeira missão. Necessitamos urgentemente de uma restauração motivacional acerca da nossa missão partindo da interpretação correta da Palavra de Deus, rejeitando as idéias pragmáticas. Precisamos de uma nova Reforma Teológica para que passemos a tornar nossa missão mais parecida com a de Jesus e deixarmos o proselitismo de lado.

A estrutura social que se vive, está baseada no Consumismo, onde as pessoas vivem a necessidade de posse. A idéia de sucesso segundo o mundo passa pela motivação egoísta e individualista. A concepção de civilização está baseada na visão de culturas e sub-culturas que se adeqüem à Ciência e à Tecnologia. Atualmente, ainda existem no mundo as mesmas lutas pela igualdade social e racial. Povos continuam a se enfrentar e a filosofia discriminatória é base da educação familiar destas raças.

O mundo tem contemplado etnocídios entre povos que vivem em conflito a centenas de anos. Em contrapartida, no mundo ocidental a Globalização tem gerado um desnível social e econômico nunca visto. Os países economicamente ricos dominam, controlam e oprimem os países pobres dependentes.

A nossa missão não pode ser feita sem as bases teológicas da Palavra de Deus. Para que cumpramos nossa missão devemos redescobrir a Encarnação de Cristo. A superficialidade da interpretação do Evangelho tem gerado uma contextualização superficial. Prof. René Padilla afirma: “A missão da cruz é a exigência de um novo estilo de vida caracterizado pelo amor totalmente oposto a uma vida individualista, descentralizada das ambições pessoais, preocupado com as necessidades do próximo. O significado da cruz é ao mesmo tempo soteriológico e ético. E isto é assim porque, ao escolher a cruz, Jesus Cristo não somente deu forma ao indicativo do evangelho, mas simultaneamente também proveu o modelo para a vida humana aqui e agora”.

Precisamos compreender que não estamos realizando uma missão contextual, e isso se deve ao fato de que há uma falha na concepção do que seja o Evangelho da Cruz, que começa com a humilhação de Cristo ao se encarnar e encerra-se com a glória à destra do Pai.

Há um déficit teológico na igreja atual que resulta em uma débil contextualização do Evangelho. O problema de uma fraca contextualização é a falta de reflexão teológica profunda e relevante.

Se a Teologia da Cruz está diluída, as conseqüências serão de uma evangelização nominal sem os resultados éticos do Evangelho. Rev. Valdir Steuernagel afirma: “A nossa evangelização deve estar a serviço de um evangelho que afeta a pessoa toda em todas as áreas de sua vida. Isto quer dizer que o evangelho, embora seja pessoal, tem um forte colorido coletivo: é individual mas tem uma inerente dimensão social; é uma mensagem de conforto mas pede um compromisso ético; desencadeia uma espiritualidade terapêutica e leva a um inequívoco pacto com a justiça; produz igreja, mas uma igreja que deve estar concretamente enraizada na comunidade global dos seres e na busca desta por uma vida justa e digna. Quanto mais estivermos a serviço deste evangelho integral, que afeta todas as áreas da vida, tanto mais estaremos a serviço do Deus Trino. E esta será adoração verdadeira que, como o sacrifício de Abel, será acolhida nos céus”.

Eis o desafio... Kyrie Eleisón.

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