quinta-feira, 4 de agosto de 2011

UMA CRISE DE OBEDIÊNCIA

A finalidade da fé salvadora é levar toda pessoa a produzir obediência, isto é, praticar obras de justiça. O apóstolo Paulo já afirmava aos Romanos que a fé produz a obediência (1:5). Nosso Senhor Jesus sempre vinculava a fé e as obras. Ao enfatizar a necessidade de crer, também mostrava que as obras eram o meio pelo qual a fé se tornava viva. Não havia fé sem obediência e não havia obediência sem a fé. Este era o princípio fundamental para todo e qualquer discípulo.
Quando olhamos as máximas paulinas para as comunidades do novo Testamento, o princípio de obediência está claro. Não pode haver um cristão que não esteja pronto a obedecer, a servir ao outro, a amar o outro, e a aprender a se sujeitar ao outro. Na comunidade dos discípulos não havia democracia, os apóstolos que possuíam a função de orientar, pastorear, conduzir as comunidades deveriam então, devido a este princípio, ser respeitados e levados em grande consideração. (Hb 13.7).
Mas hoje em dia, parece que este princípio tem sido descartado devido a algumas razões históricas e contextuais. A primeira razão é histórica. Somos reflexo de um movimento filosófico na Europa a partir do século XVII que deu ao ser humano poder para julgar tudo segundo a sua própria consciência. Este movimento foi o conhecido Iluminismo. Promovia a luz interior. Cada pessoa poderia encontrar a verdade que procurava dentro de si e cada um era suficiente capaz para exercer controle sobre as coisas e julgar a todos. A consciência era “intocável”. Assim as hierarquias começaram a ser questionadas e dinamitadas. Embora sociologicamente este movimento foi muito positivo, espiritualmente foi uma derrota.
Depois de tantos anos, no pós-modernismo, não apenas não queremos que ninguém cuide de nossa vida como também nem Deus pode mandar em nós. Aqueles que são colocados na função de Guias e Orientadores não possuem a autoridade de disciplinar a nossa vida. Podemos amar aquele que não vemos (Deus) e odiar aquele que vemos (o semelhante). Podemos até ser obedientes a Deus e mas jamais aos homens. Somos conduzidos mais pela noção de sociedade do que pela noção de Corpo de Cristo. Nas denominações não conseguimos sequer nos submeter àqueles que foram ordenados para tal e logo saímos com a premissa: “Quero os meus direitos”!
Se oramos por avivamento, devemos aprender o princípio da obediência. Discípulos e crentes cheios de fé, são homens e mulheres que buscam viver na terra princípios eternos. Quando Deus não responde nossas orações com um “não”, quais os concílios superiores que vamos buscar? Quando alguém investido de autoridade não corresponde a nossa noção pessoal de justiça, a quem vamos recorrer? Mudaremos de emprego? De igreja? De Colégio? De Faculdade? É melhor então, cairmos fora do discipulado antes que seja tarde.
“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito, falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-se uns aos outros, por temor a Cristo. (Ef 5.13-21

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