sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ENTRE O MONTE DA TRANFIGURAÇÃO E O VALE DOS ENDEMONINHADOS

O mundo muda em questão de segundos. O sistema social que vivemos imprime cada vez mais forte um estilo de vida monstruoso. O diagnóstico mais comentado de mortes por Infarto é o stress. Vivemos dentro de uma jaula social, comendo-nos e sendo comidos. Cada vez mais as cidades de porte médio estão se tornando metrópoles e as metrópoles estão cada vez mais se fazendo um aglomerado de gente. A zona rural está se transformando em cidades-fantasma.

No meio disso tudo vive a igreja. A maioria dos fiéis tende a buscar refúgio em seus guetos. Outros estão buscando viver sua fé longe deles, pois estes bolsões evangélicos já não correspondem e respondem às suas necessidades pessoais. A igreja da prosperidade cada vez mais está caindo no ridículo e virando uma panacéia. Não há respostas concretas para problema concretos. A igreja deste século não consegue responder as inquietações por que se secularizou, se dessacralizou e violou um dos maiores bens que o Espírito Santo deixou: a Sacramentalidade.

Quanto mais longe ela viver dos mistérios divinos e mais separada do paradoxo divino-humano, menos poderá responder aos descaminhos da sociedade. A igreja precisa transitar entre o monte da transfiguração e o vale dos endemoninhados. O problema é que ela se enclausurou no vale e esqueceu o monte. “É necessário uma IGREJA que olhe com cuidado para a rede de pobreza extrema nacional” (J.H.Barro). A igreja está preocupada com as migalhas de Copas de Futebol e Olimpíadas Esportivas, vive sempre à reboque do que vai a Sociedade e não consegue viver na vanguarda por que não subiu ao Monte da Contemplação. A igreja quer viver isolada no meio dos problemas sociais tentando remediá-los com princípios paleativos empresariais.

Cada vez mais começam a existir os crentes “sem-igreja”. Nas palavras de J.H. Barro “O sagrado que permeava a vida das pessoas, influenciando-as no seu dia-a-dia, vai sendo superado por outras formas racionalistas de encarar a realidade. Um dos efeitos da secularização pode ser a privatização da religião e suas instituições, que, pela variedade de valores que oferecem ao consumidor, faz surgir o que se chama de religião invisível”. A igreja precisa acordar para esse gigante chamado secularização”.

Os jovens quando não buscam uma “fé sem a igreja”, estão buscando uma “igreja sem fé”, somente motivados por encontros de sociabilização com “cara de culto”. Cresce a categoria de “crentes sem religião”, que valorizam a fé, mas não se vinculam a uma igreja. Enquanto a igreja continuar se alimentando da secularização, adaptando seus cultos a programas de Sociedades Filantrópicas, a fazer de seus pastores “executivos’ bem sucedidos e os seus Seminários com jeito de Universidade, não haverá solução do Espírito Santo.

A Igreja necessita voltar para a Sacramentalidade, a contemplação do Sagrado, aos símbolos de fé, sem querer dissecar Deus e Santíssima Trindade, precisa falar menos e a orar mais. Enquanto isso as pedras clamam, os samaritanos indesejáveis aparecem, os “pagãos” escrevem livros de auto-ajuda com cara de espiritualidade sem terem lido um só dos mandamentos da Bíblia. Até quando a igreja vai querer viver um cristianismo sem cruz e sem sacramento?

Como bem afirma J.H.Barro: “as Conferências Missionárias não têm mais um caráter reflexivo, mas lucrativo. Apela-se para os resorts, os hotéis, a comida, e a Conferência torna-se um pano de fundo”. Queremos ser como as empresas, não somente na forma mas no espírito também. Precisamos de uma nova Reforma Religiosa. Não de constituições ou de confissões, mas de culto, de devoção, de contemplação. Por que quanto mais de Deus contemplarmos, mais eficaz será a nossa missão no vale dos endemoninhados.

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