quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

“ESPIRITUALIDADE DE ACAMPAMENTO”

“Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Os homens serão egoístas,...guardarão a aparência de piedade, negando-lhe entretanto o poder. Afasta-te também deles”. (2 Timóteo 3.1-5)

Durante a história da igreja cristã, os discípulos de Jesus Cristo, sempre buscaram uma espiritualidade sincera, verdadeira e cheia de temor. Essa espiritualidade não dependia de pessoas, mas se alimentavam de práticas que não tinham nada de inovadoras. Oravam incessantemente a Deus e buscavam nas escrituras sagradas do Antigo Testamento palavras que lhes consolassem, ouviam os relatos dos que estiveram com Jesus Cristo e viviam seu di-a-dia, buscando as coisas simples e ajudando as pessoas necessitadas.
Não dependiam de eventos, mas mantinham suas vidas com as chamadas “disciplinas espirituais”. Liam os Salmos e oravam. Estas práticas eram diárias e o domingo de manhã na liturgia era o grande encontro deles com a Palavra Escrita e com a Ceia do Senhor, a Eucaristia, todos os domingos. Não havia muitos pregadores eloquentes, mas fiéis Leitores ( 1 Timóteo 4.13) Não era uma espiritualidade que dependia de eventos extra-igreja. Ou melhor o calendário das igrejas era um calendário que envolvia-os nas celebrações da vida especialmente as que relembravam o “Mistério Pascal”, isto é a Vida, Obra e Ressurreição de Nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo.
Não dependiam de cruzadas evangelísticas, encontros monumentais, reuniões especiais, cultos sensacionalistas, não havia propaganda, marcações de horários especiais. Viviam e relembravam todos os dias o Grande Evento: a vida, morte e ressurreição do Senhor. Ele era o centro de tudo.
Hoje vivemos uma fé que depende de movimentos e do calendário de nossa sociedade. O Carnaval é um destes movimentos. E ao invés de fortalecermos a fé nestes dias, a maioria das igrejas promove acampamentos para evitar que os “crentes” e “filhos de crentes” caiam da “folia”, mas nestes encontros de fé, alguns chegam a criar o seu próprio “carnavalzinho”. Muitos esquecem das práticas espirituais e transformam os encontros em meras reuniões sociais. Já participei de “acampamentos” sem sentido. Não havia nenhuma disposição de um retiro espiritual, pelo contrário recheavam todo encontro com gincanas sociais, “skeats” onde muitos jovens se vestiam de mulheres, entre outras coisas que nada tinham a ver com um encontro de espiritualidade.
Nestes dias onde “ser crente” significa, na maioria das vezes, fazer parte de uma entidade social, necessitamos voltar às origens, buscar a prática da espiritualidade da Igreja Antiga. Ensinar as primeiras letras, renunciar práticas que nada tem a ver com a fé verdadeira e simples. Pararmos de agir como meninos, levados por todo vento de pregações e pregadores. Paramos de andar de igreja em igreja, buscando uma palavra nova. Tomarmos decisões que nos levem a bebermos da Fonte Limpa e não de fontes turvas. Sabermos dizer “não” a opressão que nossa sociedade faz sobre nós e de fato em nosso dia-a-dia sermos “luzeiros num mundo” (Filipenses 2.15). Deixarmos de sermos crentes consumidores de uma fé oferecida no mercado dos canais de televisão por meio de múltiplas denominações.
Queremos continuar a fazer da nossa espiritualidade uma espiritualidade de acampamento e eventos? Queremos continuar a sermos subservientes aos gostos e desgostos de muitos líderes religiosos evangélicos de nosso tempo? Ou queremos buscar a verdadeira espiritualidade, cuja Fonte nunca secará? Somos sedentos por tudo o que é inovação, porque vivemos um cristianismo que é moldado pelo consumismo de uma fé que perece. Por isso as pessoas precisam sempre de uma palavra nova, uma nova canção, pois não conseguimos alimentar o coração somente com o que é Essencial. Que tipo de espiritualidade queremos? Uma espiritualidade de “acampamento” ou desejamos beber da fonte perene, que nunca seca, se renova por si mesma e dessedenta aquele que a busca com a fé simples, verdadeira e perseverante?

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