domingo, 6 de fevereiro de 2011

A adoração que foi para o espaço!

Por que a igreja não adora a Deus com o mesmo espírito com o qual ele é adorado no Céu (segundo as revelações presentes nos livros de Isaías, Ezequiel e no Apocalipse)? Se a igreja é a antecipação do reino e agência deste, porque não levamos a sério e buscamos o modelo bíblico, já que os princípios bíblicos devem dirigir a igreja? E são por eles que nos arvoramos em dizer: “somos o povo da Bíblia”. Vivemos uma adoração megalomaníaca, antropocêntrica, marketeira e consumista.

Todo ato litúrgico da Igreja não deveria ser vivido com ostentação triunfalística, pois todas as partes da liturgia deveriam servir para para convidar a todos a voltarem o próprio olhar sobre si e não para fora de si. A ideia de que adoração está centrada no ser humano é uma realidade. A adoração não se dá num ambiente etéreo, abstrato, pelo contrário os sinais e símbolos que a própria igreja extirpou, leva-a a ter que evidenciar os seus “show-men” que devem promover a presença do dito “Espírito Santo”. O Espírito Santo que vive “dentro” de nós, agora está sendo buscado “fora” de nós.

A Liturgia não deveria atingir a imaginação, nem seu fim deveria doutrinar e submeter as pessoas ao poder de outros homens que decidem por eles. A noção “sensacionalista” e “emocionalista” está presente em 99,9% dos cultos evangélicos. A imaginação fértil, com gritos de ordem e induções mentais, chavões e chargões, como aleluia, glória a Deus, amém irmão, tá amarrado, diga a seu irmão isto e aquilo...., são fruto de uma adoração que tem mais a ver com programas de auditório do que com a adoração modelada pelo livro do Apocalipse. A ideia de que o Espírito Santo está atuando em determinada igreja, num determinado culto, porque pastor “tal” ou o pregador “fulano” estará presente faz parte de uma adoração centrada não no Espírito Santo mas na visão que Deus é quem deve nos favorecer por que se adora o deus domesticado como o animalzinho de estimação dos apartamentos em que vivemos nos dias de hoje.

A Igreja e a Liturgia outra coisa não deveriam ser do que um ambiente no qual sempre mais olhássemos para nós mesmos, para nosso interior, lugar no qual Deus se revela. Para isso deveria ser indispensável abrir os olhos do coração, isto é, da própria interioridade. Mas o que se vê é uma liturgia voltada para satisfazer os desejos “carnais” daqueles que vão “assistir” aos cultos. O ambiente é cheio de ruídos os mais irreverentes, que vão desde o bate-papo usual até os grunhidos de animais e histeria coletiva. O ambiente que se adora é um ambiente onde se vai julgar o sermão do pregador, a voz desafinada do cantor e a temperatura “espiritual” do grupo de louvor. A adoração do século XXI passa pelo “arrepio”, sensações comuns de um público envolvido pela imaginação lucrativa de seu liturgos. Para que tantos cantores, para que púlpitos abarrotados de homens e mulheres mais “ungidos” do que os que estão na platéia?

A palavra Liturgia é termo grego e significa “serviço público.” Na terminologia da Igreja, significa o Serviço Divino. Mas de fato a igreja evangélica perdeu esta noção. Quando ouvimos perguntas como “quem é que vai pregar hoje?”, retrata a idéia que culto é uma prática teatral, isto é, não se vai a um culto para servir mas para ser servido. O culto que se pratica revela o cristianismo de consumo que aí está instalado nas veias e na alma do povo evangélico. E “ai” se o pregador não corresponder? Liturgia é serviço que se oferece a Deus, muito além de uma pregação bem elaborada segundo as melhores aulas de homilética.

O termo “Eucaristia” em grego, significa “agradecimento.” Na Eucaristia encontramos o sacramento do Novo Testamento instituído por Jesus Cristo, nosso Salvador, antes de Sua paixão e morte. Mas o que se faz? Primeiro a própria igreja extirpou a ceia do Senhor todos os domingos, deixando apenas um domingo, e quando o pregador está mais “ungido” e passa do horário abdicamos do sacramento e adiamos para o outro domingo. A igreja rebaixou o sacramento a uma simples ordenança. Não existe mais fé no sacramento, pois a fé que a igreja evangélica adota é uma fé racional, explicativa e quando muito margeia o divino, é para responder aos anseios assim ditos “neo-pentecostais”. Os apóstolos seguiram fielmente este mandamento de Jesus e celebravam constantemente este sacramento. Assim faziam também todos os Bispos e Sacerdotes ordenados pelos apóstolos na Igreja por eles fundada, seguindo fielmente esta prática até o século IV. Basílio, o Grande, João Chrysóstomo desenvolveram uma liturgia que foi banida do meio da igreja há muito tempo.

Ou renunciamos esta prática herética de nosso meio voltando nosso olhar para Cristo como centro de uma adoração verdadeira, buscando a oração como fonte original da devoção, ou estaremos fadados a nos perdermos de vez de acentuando sempre uma igreja que abandonou o primeiro amor e adorou mais a criatura do que seu Criador.

Kyrie Eleisón

Um comentário:

Millena disse...

É preciso enxergar a Igreja no seu verdadeiro sentido. As pessoas de fato procuram a Igreja pensando em quem estará ali, digo isso pq já fiz isso várias vezes.
O padre da Igreja que participo é abençoado mas demora em suas práticas, por esse motivo muitos estão passando a frequentar outra Igreja pq lá o padre "tal" é mais rápido. Esquecem que o padre está para pregar a palavra de Deus e que a ida a Igreja deve ser unicamente para que cada um tenha seu momento com Deus, é Deus que está ali, vivo, querendo nos ouvir, querendo que pratiquemos a união e o "viver em comunidade".
A emoção do cristão não deveria acontecer com músicas lindas, com uma super banda cantando hinos, mas sim com a presença de Deus e para isso acontecer o coração tem que estar aberto. Deus está em todos os momentos, em todos os lugares. Deus quer a nossa dedicação, o nosso agradecimento, a nossa sinceridade.
Paz e Bem!