terça-feira, 22 de junho de 2010

O que penso da formação teológica.

Nunca foi tão fácil pregar o evangelho e ao mesmo tempo nunca foi tão difícil encarná-lo como nos dias de hoje. Vive-se um evangelho tão confuso e sincretista que é complicado pensar em formação teológica. Antes, porém, se deveria questionar a que tipo de teologia nos propomos quando falamos em formação teológica.

O evangelho tornou-se sinônimo de qualquer idéia onde o nome “Jesus Cristo” esteja presente e seja o assunto a ser comunicado. Para alguns, pregar o evangelho é difícil quando este traz em seu conteúdo as máximas do Evangelho do Reino evidenciado pelos evangelistas do primeiro século. Para outros é até muito fácil, pois a pluralidade religiosa e a teologia da prosperidade são primas e tem andado juntas na maioria dos púlpitos de paróquias e igrejas.

A formação teológica que de início nada mais era do que a comunhão com o Deus-Encarnado como foi com o Colégio Apostólico, aprimorou-se e tomou forma de fato com a visão da transmissão da tradição na época dos Pais Apostólicos. Entendia-se que o pregador do evangelho deveria ser um “orante” antes de ser um “falante” do mesmo e este era conhecido como “teólogo”, não porque possuía formação acadêmica, mas porque conhecia a Deus.

Mas a partir do Escolasticismo a visão de formação teológica começou a tomar rumos que culminou no Academicismo e sedimentou a mesma como Ciência após a influência do Iluminismo. Agora que se “entendia” Deus pela razão e se podia então falar do evangelho com a força de um “Cartesianismo religioso”.

Contudo, nos dias atuais a formação teológica passa pela crise da ideologia de cada denominação ao mesmo tempo em que tanto conservadores como progressistas teológicos tentam levantar suas bandeiras na ânsia de se tornarem detentores da verdade.

Levando em consideração o exposto necessitamos fazer o resgate da formação teológica de modo a não abrir mão da piedade e formação espiritual e juntamente com esta desenvolver uma teologia que possua tanto um viés acadêmico como encarnacional ou contextual.

Neste sentido necessitamos resgatar a formação teológica como formação ministerial. Ao se falar em formação ministerial, resgatamos o excelente ensino do Dr. Martinho Lutero quanto ao “Sacerdócio Universal de todos os Santos”. A formação teológica não deve ser privilégio de alguns poucos, mas de todos os cristãos. Então entendemos que esta formação não envolveria apenas áreas da teologia sistemática, mas, sobretudo somente poderia subsistir de forma interdiciplinar envolvendo todas as áreas do conhecimento científico para a formação de todos os ministros.

Se assim conseguíssemos, o déficit ministerial na Cristandade seria minimizado. Os missionários e pregadores teriam motivação não apenas para crerem num evangelho integral e livraríamos o mesmo do fracasso no qual o encerramos.

A vida ministerial e a espiritualidade atingiriam o púlpito e a visão ministerial deixaria de ser privilégio apenas de um clero “laicizado”. A visão consumista de expandir ministérios personificados em mega-projetos seria reduzida. A concorrência denominacional não somente entre igrejas, mas também entre pregadores diminuiria.

Quão bom seria que conseguíssemos aliar de fato a formação teológica ecumênica com uma formação espiritual equilibrada. Na verdade, estas proposições são a verdadeira resposta para o tempo do século XXI, onde os pregadores deveriam aprender a contextualizar o evangelho do Reino e ao mesmo tempo desenvolver uma nova visão da pregação para com as mais variadas religiões.

Eis a realidade, eis o desafio.

Humildade: o princípio do discipulado de Jesus

Jesus nos chama a um relacionamento que se desenvolve nos trilhos do que chamamos de discipulado. Porém uma das fortes marcas do discipulado de Jesus é a humildade. É importante que neste processo, onde todos nós estamos inseridos, possamos compreender o que é a humildade como virtude.

Se discipulado envolve a humildade logo de início devemos lembrar que o discípulo é um “seguidor”. Sim, o seguidor é aquele que anda “após”. Se não é seguidor então somente pode ser um “batedor”. O batedor nunca anda “após”, mas vai sempre à frente. Se é seguidor não pode ser um descobridor, nem um pesquisador autônomo. Ele é apenas um aprendiz. A virtude da humildade é que seja onde for o discípulo sempre se considera um aluno, um aprendiz, nunca uma pessoa completa e madura. Ele está sempre aprendendo.

Assim podemos nos perguntar: “E como é viver com humildade?” Para viver neste espaço, o discípulo tem que aprender a aceitar a disciplina. Nesse andar “após Jesus”, o discípulo precisa aceitar até mesmo fortes repreensões sem se escandalizar e sem abandonar a caminhada (Mateus 16:21-24). O discípulo não pode ter melindres. Não pode ser um “não-me-toques”. No discipulado a “ordem natural das coisas” é subvertida. Aprende-se que a ética do reino de Jesus é a contracultura da presente ordem de coisas (Mateus 20:25-28). Deve-se ficar claro que o lugar do discípulo é após Jesus como humilde aprendiz.

Mas também nesta caminhada devemos pensar no que evitar. Quando não tornamos nosso discipulado uma caminhada de humildade, podemos acabar por absorver a idéia de que somos melhores que outros e estarmos a um passo de sermos vistos como sectaristas e legalistas. Muito facilmente o discípulo pode confundir zelo com fanatismo, fidelidade com legalismo, paixão com revanchismo e coragem com ódio (Lc 9:55-56).

Hoje em dia não temos muitos discípulos na plenitude do termo. Temos sim, muitos disci-dentes. Gente que morde e que se morde apenas por receberem instruções, repreensões e questionamentos. O aprendizado para a obra de Deus dispensa os critérios de eliminação por erros. As instruções já estão dadas. Os perigos já estão apontados. Os métodos já estão definidos. (Mateus 10:5-42).

Freqüentemente nós precisamos sempre olhar para dentro e para fora de nós. A humildade deve ser nossa “pedra-de-toque”. Onde falta humildade, o Espírito Santo não está. Porém onde vemo-la presente em nós ou em outros, com toda certeza o discipulado de Jesus está se concretizando a cada dia, mesmo quando não esteja com o “jeito” e a “cara” que gostaríamos que tivesse. Isso não importa. O que importa é se este discipulado está sendo regado pela graça e pela humildade divinas. Muitos que acham que estão dentro estão fora e muitos que pensam estarem fora, estão dentro.