sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Família Cristã é maior do que você pensa!

“Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos...” Marcos 10:29,30
Quando experimentei minha primeira grande perda na vida, a de minha mãe, tinha apenas 10 anos, e meu tio, sob iluminação do Espírito Santo, me afirmava no dia do funeral dela: “você terá muitas mães!”. De fato, naquela época eu não possuía noção do que isso significaria para mim no futuro.
Hoje, ao olhar para trás, fundamentado no texto do Santo Evangelho, sabemos que a experiência do amor de Cristo através da fé, nos faz entender que o Seu Reino neste mundo extrapola a idéia natural de família baseada na consangüinidade. Por isso a família cristã é maior do que podemos imaginar.
Viver ao lado de Cristo, também é um convite para vivermos ao lado dos que amam a Cristo. E a família de Cristo é imensa, porque ela não se reproduz pela “carne e o sangue”, mas se reproduz pelo amor, porque os que pertencem a esta família “... não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13). Ela não se baseia em transmissão de regras e normas para um “bem-morrer”, mas se reproduz de acordo com a lei do amor para um “bem-viver”. Amor que é fé, e fé que é amor ao mesmo tempo. Somente podemos entender o amor de Deus quando entendemos que somos amados e acolhidos pelos outros. Quando amamos a Deus e buscamos vivenciar este amor com nosso semelhante, aí de fato se revela a família cristã.
Por isso a família cristã é maior do que imaginamos. Nela somos filhos, filhas, irmãos, irmãs, pais e mães, avôs e avós, ligados não por vínculos sociais, culturais, lingüísticos, políticos, geográficos, temporais, denominacionais, religiosos, mas pelo vínculo do amor: renúncia-doação em todo tempo.
O que de fato faz esta família ser cristã e ser grande, não é um estereótipo religioso, palavras previamente decoradas, chavões de tratamento pessoal da religiosidade popular, mas a prática da doação, das boas obras, das ações cativantes, das atitudes de respeito e dos gestos cordiais. Por isso Jesus nos ensinava já: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (Jo 15.13). Por isso a família cristã é maior do que pensamos.
Minha família “de carne e sangue” é muito pequena, mas hoje vejo quantos pais e quantas mães, irmãos e irmãs, avôs e avós recebi por causa da graça de Cristo. Não porque merecia, mas pelo livre ato do amor: “favor imerecido”. Nesta família não precisamos “pagar para entrar”, nem dar “oferta” para sermos recebidos ou pagarmos uma “taxa de manutenção” dos elos que nos ligam. Amamos de graça e somos amados de graça.
Temos um vazio dentro de nós, porque fomos criados para amar e sermos amados. O que carregamos em nossa história de vida são exemplos múltiplos do que seja sermos “mal-amados e bem-usados”. Geralmente, a nossa doação está proporcionalmente ligada a um ambiente que se alimenta da equação “causa-efeito”. Mas ao olharmos para a Família Eterna esta lei não é levada em conta.
Assim, a Santíssima Trindade é o modelo para o aprendizado do amor. Se há um ambiente mais cheio de amor esse é o ambiente da Trindade, porque Deus é amor! Deus alimenta seu relacionamento por meio de três pessoas em nível eterno e transcendente. Tudo o Pai faz para o bem do Filho e do Espírito Santo e Estes o fazem para o bem do Pai. Entendo agora, porque Jesus orava por mim e por você, para que fôssemos “um” (Jo 17.21). Por que esse é o mesmo ambiente da Trindade. Jesus deseja que nós alimentemos o mesmo ambiente de onde Ele aprendeu o amor. É um ambiente de doação recíproca. Esse foi o projeto inicial da criação. Esse é o projeto final na consumação eterna. Por isso a família cristã é maior do que pensamos. Ela nasce na Trindade e invade o coração e a alma de tantos homens e mulheres que se deixam acolher em cada ato, em cada gesto de amor que está em cada ser humano que se doa pelo outro. Por isso a família cristã é tão grande!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Missão, Evangelização e Proselitismo

Evangelização, dentro do uso do termo (em inglês), significa dizer ou espalhar a Boa-nova. Os quatro Evangelhos falam das boas novas sobre Jesus Cristo. Quando nós, como cristãos, dizemos aos outros o que Deus fez em Jesus Cristo, nós estamos evangelizando.
Proselitismo, de outro lado, significa "trazer pessoas para dentro", fazendo-as mudar suas convicções, seu partido, suas opiniões ou sua religião. No proselitismo há uma forte tendência de dizer às pessoas o quão ruim ou erradas são suas crenças atuais. Dizer às pessoas que suas crenças são más ou erradas não parece ser "Boa-nova". Se nós evangelizamos, não estamos dizendo "nossa religião é melhor que a sua religião". Não estamos nos colocando como seres moralmente ou espiritualmente superiores, e tentando conquistar pessoas para deixar sua religião juntando-se a nós, de forma que se sintam tão superiores como nós. Quando evangelizamos, dizemos, de fato, que Deus fez grandes coisas. Alguém descreveu uma vez a evangelização como "um mendigo dizendo a outro mendigo aonde conseguir pão". Para um mendigo faminto, esta é uma "boa-nova". E um mendigo transmitindo a outro mendigo tais "boas notícias" não pode se sentir vangloriado ou superior por este motivo.
Se as pessoas que ouvem a Sagrada Escritura dizem que querem seguir Cristo e ser batizados, então, é claro, haverá mais o que aprender. Se eles quiserem realmente seguir Cristo, então vão querer também aprender mais a respeito da fé cristã e sua aplicação em suas próprias vidas e comportamento. Às vezes eles surpreendem os missionários com seu fervor. Quando o Príncipe Vladimir de Ruskiev se tornou cristão em 988, ele surpreendeu os missionários ao buscar abolir a principal punição em seu reino. Houve uma mudança radical em seu estilo de vida.
Necessariamente, as pessoas não se tornam cristãs simplesmente mudando seu estilo de vida, especialmente se elas mudaram através da força ou fraude. Forçar tais mudanças nas pessoas é proselitismo e não evangelização. Evangelização é feita com espírito de humildade e amor, enquanto o proselitismo é caracterizado pela arrogância e orgulho. É muito mais fácil fazer proselitismo do que evangelizar; entretanto, somos chamados a evangelizar.
Tentei, neste artigo, indicar onde, segundo penso, residem as principais diferenças entre evangelização e proselitismo. A diferença é importante e acredito que é uma das mais sérias questões que os estudiosos de missiologia enfrentam nos dias de hoje.
(ADAPTADO DE Steven Hayes, Revista da OCMC - Outubro 2002)