sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Os Salmos e a Missão de Deus

Desde a tomada da Terra Prometida até a instauração da Monarquia em Israel, Javé traçou uma linha de responsabilidade para Seu povo chamando-o sempre a manter a Aliança que fora feita no Sinai. Esta visão de Deus não se revelou apenas nos livros da lei e nos livros históricos, mas também entre os chamados “Escritos” ou Livros Poéticos.

Tomaremos o livro dos Salmos para compreender a visão da missão de Deus. Os Salmos não eram apenas o Hinário Nacional de Israel, mas, sobretudo, ensinavam e rememoravam ao povo que sua “Liturgia” deveria exaltar o “Deus de todos os povos” e suas ações na terra por meio da nação eleita que era Israel.
Portanto, há uma estreita ligação entre o binômio: Adoração e Missão. Estes termos sempre andam juntos e um depende do outro. Como afirma Dr. Timóteo Carriker: “A missão do povo escolhido encontra sua relação eficaz com o mundo à medida que responda sincera e pessoalmente a Deus”. Assim, o caráter do povo de Deus se mostra através de sua relação com Ele.

Portanto a Finalidade dos Salmos eram: Reproduzir a visão missionária ao povo que cantava; Estar em harmonia com o propósito e a mensagem de Israel; Chamar as nações a um culto ao Deus Universal; Glorificar ao Deus que reina sobre as nações; Revelar o domínio de Deus sobre o universo; Reafirmar a esperança messiânica; Revelar o juízo e a misericórdia de Deus sobre a terra;

Cumprir a missão de Deus tem uma profunda e forte ligação com a adoração. A missão é impulsionada e motivada pela relação que o povo tem com Deus.
No Antigo Testamento. Deus (Javé) estava determinando a Israel que adorasse ao Seu Criador, mas também estivesse olhando os povos ao seu redor. O povo que falava e cantava a Deus por meio dos Salmos, não somente enaltecia a Deus e as suas obras, como também recebia forte impressão acerca do Domínio Universal de Deus. Além disso, Israel como povo escolhido e nação sacerdotal (Ex 19.3-6) deveria responder a Deus sinceramente tanto quanto mais conhecesse a abrangência de sua Soberania.

A adoração e missão andam juntas. Orlando Costas afirma: “Missão é a comunicação e a antecipação da adoração. Liturgia sem missão é como um rio sem uma fonte. Missão sem adoração é como um rio sem o mar. Sem um, o outro perde sua vitalidade e seu significado”. E o pastor João Piper complementa: “Adoração é o combustível e o alvo na missão. Ela é o alvo da missão, porque na missão, nós tentamos trazer as nações para dentro do gozo supremo da glória de Deus. O alvo da missão é a alegria dos povos diante da grandeza de Deus. Mas adoração também é o combustível da missão. Paixão por Deus na adoração precede o que Deus oferece na pregação. Você não pode recomendar o que não é valorizado”. Portanto, a missão começa e termina em adoração.

A pobreza na vida devocional da igreja produz a pobreza na dedicação ao mundo. Quanto mais intensamente se relaciona com Deus, tanto mais haverá compromisso na missão ao mundo a fim de que todos ofereçam sua oferta, uma vez santificada pelo Espírito Santo (Rm 15.16-18). João Piper mais uma vez reafirma: "Quando a chama do culto queima com o calor da verdadeira dignidade de Deus, a luz da missão brilhará até os povos mais distantes da terra". E Carriker acentua: “Quando a paixão por Deus está fraca, o zelo pela missão certamente será fraco. As igrejas que não vivem a exaltar a majestade e a beleza de Deus dificilmente poderão acender uma luz forte para "anunciar entre as nações a sua glória" (Sl 96.3).

Os nossos cultos fervem com a exaltação da glória de Deus? O zelo pela glória de Deus no culto motiva a obra missionária? Os Salmos mostram o homem falando a Deus de maneira pessoal. Israel deveria ser assim. A Igreja deve ser assim também. É no conteúdo dos salmos que vemos a forma didática de Deus para ensinar seu povo (7.7,8; 10.16; 19.1-4; 22.27-28; 47.1-9; 50.1; 59.5; 64.9; 66.1,8; 67.1-8; 68.28-32; 72.8-11; 72.17; 86.9; 96.1-3; 98.2; 99.1; 100.1-5; 108.3; 105.1,44,45; 117.1-3).

A comunicação litúrgica mantinha sempre dois canais abertos. Um era o canal horizontal, onde o salmista falava a Deus, o segundo era o ensino que invadia o canal vertical, isto é, não havia somente louvor, mas também instrução e memorização das verdades ali registradas. Ao analisar os Salmos vemos quão importante é falar ao coração das pessoas. Quanto mais intensamente houver uma relação de intimidade em oração e adoração a Deus por meio do orar e cantar os salmos, mais conheceremos a Sua vontade, o Seu coração e assim também nos moveremos dentro de Sua missão. Você conhece a vontade, o coração e a missão de Deus? Desenvolva um caminho de adoração. Esse é o segredo.

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