terça-feira, 19 de outubro de 2010

A missão de Deus nos Profetas

Não há entre os livros proféticos, nenhum que relatou mais claramente a visão missionária de Israel do que Isaias. Devemos fazer algumas considerações sobre alguns trechos dos profetas para que nos convençamos que a visão da missão de Deus pervade todo o cânon sagrado.

Em Isaias 6:1-8 encontramos todas as condições do chamado do profeta. Isaias tem a visão da glória de Deus, ao mesmo tempo que relata a experiência do perdão e após isso a comissão para profetizar entre o povo de Israel.

Há relatos notáveis a respeito da vinda do Messias (Is 9:1-7; Is 11:1-10), a ênfase no encorajamento dado a Israel para ser o mediador entre os povos (Is 41:8-10) e a profecia a respeito do Servo do Senhor como luz para os gentios (42:1-9; 49:1-7; Is 52:7). O profeta registra uma proclamação profética para os pagãos (Is 2.1-4). Os povos são levados a Israel (Is 5.24). As ilhas são convidadas a louvar a Deus (Is 24.14-16). A ordem para que todos os povos se congreguem ao redor do Deus eterno (Is 43.6-9). Deve ser ressaltada a abrangência da obra do Servo do Senhor (Is 49.1-7). Em Is 56.1-8 os estrangeiros são tratados como filhos e em Is 66.18-21, os que jamais ouviram falar de Javé (Senhor) também são alvo de Sua graça.

Outro profeta que devemos fazer menção é Jonas. Ele é chamado por Deus para ir a Nínive, cidade ímpia e idólatra, capital do Império Assírio. Seu objetivo é converter os inimigos de Israel. Mas o que se vê é um tratamento de Deus para com Jonas, um dos profetas do povo de Deus. O livro relata claramente o amor gracioso de Deus e a amargura de um profeta que deveria ser uma luz entre os pagãos. Deus não permite que Seu plano fosse frustrado, pelas palavras e atos do profeta. No caso, o livro de Jonas além de ser o registro de que Deus deseja ser conhecido pelos que não pertencem a Israel, como também o meio canônico de mostrar que Israel jamais poderia se envaidecer de sua eleição. O amor de Deus rompe barreiras para alcançar quem ele deseja salvar.

A) O Conceito de Reino: Juntamente com o movimento profético, o conceito de Reino vai sendo desenvolvido e amadurecido desde o início da revelação. Tal conceito se torna importante porque Jesus irá utilizar freqüentemente desse termo para fazer alusão ao Domínio eterno de Deus sobre o universo. Embora a idéia de Reino para Israel tenha sido usada desde o livro de Deuteronômio (Dt 17.14-20), o tempo dos Juízes trouxe a Israel uma motivação errada, o desejo de se tornar reino, isto é uma monarquia veio motivado pela inveja às nações circunvizinhas (1 Sm 8.6-9).

A monarquia durante o reinado de Davi tem a sua maior expressão. Ela é vista positivamente em contraste com o reinado de Saul, pois Davi encarna de fato o homem segundo o coração de Deus e adiciona a essa característica seu carisma como líder da nação. Assim encontramos um rico vocabulário que descrevia o rei como “filho de Deus” (Sl 2.7), “sacerdote de uma ordem única” (Sl 110.4) e até o próprio “fôlego que dava vida ao povo” (Lm 4.20). O rei se permanecesse obediente a vontade divina poderia ser uma fonte de vida, salvação e bênção para o povo de Javé (1 Sm 12.14; Sl 132.12).

É bom lembrar que é na eleição de Israel, muito tempo antes da monarquia que o conceito de reino começa a germinar. A eleição conscientizava a Israel que era o povo chamado para viver sob o governo de Deus e é aí que o conceito de reino se instala. O rei não governava de forma autônoma, mas ele deveria ser o delegado de Deus, responsável pela sua conduta diante de elohim, como também diante do povo. A época de Salomão trouxe um tempo de estabilidade e paz. “Na pessoa de Salomão, a liderança passou de carisma para dinastia”. Contudo com Salomão o povo intensificou o politeísmo e a idolatria.

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