sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Dia do Mestre - Minha aula, meu culto

Hoje faço um tributo a Deus, pela minha vocação. Lembro-me de minha mãe e de meu pai. Não apenas me geraram, mas me repassaram o DNA de minha vocação. Recordo-me das tantas vezes que minha mãe Marly, Mestra do Ensino Fundamental, me ensinava a ler pela cartilha "caminho suave". Com ela aprendi as primeiras letras, com ela aprendi a amar como ela amava tão sinceramente, tão profundamente. Recordo-me de meu pai Raul, Mestre e Instrutor do SENAI. Com ele aprendi os primeiros passos da Eletricidade Básica. Com ele aprendi a seriedade e a honestidade. Lembro-me de meu pastor Rev. Dirceu, Mestre da alma que me ensinou os primeiros passos da fé e me incentivou ao ministério pastoral, jamais esquecerei de seus sermões e homilias que enchiam a minha alma ainda quando jovem na igreja de Rio Claro. Recordo-me sim, de todos os meus mestres, de todos e de todas.

Hoje, ensino aos meus alunos não apenas os valores que aprendi deles, mas faço de minhas aulas o meu verdadeiro culto a Deus. Ser Mestre é mais do que ensinar teorias e fórmulas. Ser Mestre é doar-se pela alma e pelo aprendizado de tantos que desejam crescer e se libertar, não somente na alma mas também no intelecto.

Hoje, quando estou ensinando, não sei se estou servindo ao meus alunos ou se estou adorando a Deus. A verdade é que "ensinar" é um mistério que vai além das regras básicas da comunicação, da didática, da pedagogia e da metodologia. O ensino é um encontro de almas que se interagem e se integralizam. Ali não sabemos quem ensina e quem aprende.

Hoje, lembro-me de meu país, meu Brasil, tão vasto, tão rico, tão verdadeiro, tão pluralista, mas também tão pobre, tão analfabeto, tão inculto, tão mísero, tão manipulado, tão explorado por que faltam Mestres Verdadeiros que façam de sua vocação o seu culto a Deus. Que façam de sua Maestria não apenas um meio de vida, mas que façam de suas vidas um meio para a libertação de nosso país. Nestes últimos anos, nosso país pode até ter dado melhores chances às camadas mais baixas da sociedade, mas está embrutecendo, emburrecendo, e diluindo os valores que recheiam o intelecto de qualquer ser humano.

Precisamos de Mestres que possam conduzir seus alunos a uma libertação social, espiritual, cultural e intelectual, que abram caminhos e iluminem os passos para uma sociedade melhor e mais justa.

Cada vez mais lhe falta educação, alfabetização cultural, libertação intelectual e valorização da vida. Não basta que os políticos se comprometam com um Brasil mais forte economicamente. É necessário enriquecer a mente de cada cidadão, levá-lo nos dizeres de Paulo Freire a uma verdadeira libertação.

Neste dia, aos meus pais e mestres, queridos e amados, rememorados por meio de toques, gestos, palavras e semblantes, ergo diante de meu Cristo, meu tributo e agradeço pelas mãos que me conduziram.

Nenhum comentário: