sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O “quando” e o “como” da missão de Deus

É muito importante compreendermos que nossa vida tem um objetivo que é viver e se dedicar totalmente a Deus. Mas essa dedicação não se dá num vazio e sim quando vivemos para cumprir nossa missão na vida de nossos semelhantes. O estudo da missão é, portanto algo imprescindível para o cristão. Sem uma real concepção de nosso serviço, podemos viver uma vida religiosa sem consciência de nossa verdadeira razão de ser. Por isso, continuaremos a estudar com mais profundidade esse assunto, que neste estudo de hoje tem a ver com as perguntas “quando” se inicia a missão e “como” a história bíblica se divide.
1. O PONTO DE PARTIDA
O povo de Israel sempre criou muitos nomes para Deus. Cada nome tem um significado relacionando sempre um determinado feito ou milagre de Deus na Antiguidade. No caso de Gênesis 1.1. a palavra Deus (Elohim), é apresentada aqui como o Deus de todos os povos, o Deus criador, o Deus Universal. Já o termo Senhor (Jaweh) significa o “Deus da Aliança” que expressava a relação do povo de Israel com Deus (Ex 20.2; 20.11; Sl 124.8; Sl 42.5; Jr 10.16). No Antigo Testamento encontramos vários nomes para cada atividade específica de Deus: El, Eliom, El Shadday, Jeovah Nissi, entre outros. Em Gênesis 1.1 encontramos o termo Elohim que nos dá o sentido não apenas de pluralismo, de plenitude, mas também sobretudo o Deus Todo-Poderoso que criou todas as coisas e todos os povos.
O termo “El” é encontrado na maioria das línguas semíticas. No passado estas línguas possuíam em comum este nome para Deus. Para eles não era apenas o deus mais alto, mas o único Deus. Isso não impedia de que estes povos fossem politeístas, isto é tivessem mais de um deus, mas o termo aqui era usado para reconhecer o Elohim como o Deus maior, de todas as nações.
Portanto, Deus ao se revelar no Gênesis não se revelou a um só povo como muitos pensam, mas sim a todos os povos. Ele deseja, ainda hoje, ser reconhecido por todas as nações (etnias) como seu Deus. Deus não é exclusivista ou nacionalista, pelo contrário, Ele é o Deus soberano sobre todos os povos, línguas e nações (Apocalipse 5.7 e 7.9).

2. OUTRA VISÃO DE VER A HISTÓRIA HUMANA
Se Deus é o Senhor de todos e de tudo, é pertinente que possamos entender como Ele trabalhou na história da humanidade. Deus é um “ser-em-relação” que sempre amou o homem. Desde os primórdios ele escolheu se relacionar com toda a humanidade, muito embora nem sempre o homem quisesse este relacionamento. Portanto, para uma melhor apreensão desta visão é necessário que compreendamos a Missão de Deus em três grandes períodos da humanidade:
a) O primeiro período: Um relacionamento direto com a humanidade. (Gn 1-11): Teve seu início na Criação, relatando as suas origens, e genealogias. A ênfase da ação divina estava em se relacionar com todos os povos, exercer sobre eles sua soberania e juízo, sempre revelando seu amor, dando oportunidade para a humanidade se redimir, seja após a Queda (Gn 3), ou após o Dilúvio (Gn 6-9) ou mesmo após Babel (Gn 11). Em cada ação humana de se separar de Deus, Deus por misericórdia sempre buscou ao homem (Gn 3.9).
b) O segundo período: Um relacionamento mais particular. (Gn 12 até At 1): Após a terceira queda em Babel, Deus escolhe um povo a fim de se revelar nele. Embora Deus em sua soberania tenha escolhido Israel, não abandonou os outros povos que foram sempre seu objetivo principal. Deus não rejeitou os povos em detrimento de Israel, mas queria usar Israel para ser um reflexo dEle para as nações. Esse período tem seu início na chamada de Abraão, desenvolve-se no surgimento da nação de Israel, continua com a sua libertação do cativeiro Egípcio, a transformação de seu governo em monarquia, e conclui na apostasia de Judá e Israel e as conseqüências do julgamento de Deus através do cativeiro babilônico. Setenta anos mais tarde Israel é libertado e então retorna à sua terra para a restauração física e espiritual. Seguem-se aproximadamente 400 anos de silêncio profético, e atinge seu clímax com a vinda do Messias (Jesus Cristo), descrito nos evangelhos, concluindo com seu sofrimento, morte, ressurreição e ascensão.
c) O terceiro período: Um relacionamento com sua Igreja (At 2 a Apoc 22). O terceiro período de relacionamento envolve agora Sua igreja. A ascensão de Cristo e a vinda do Espírito Santo permitem que judeus e gentios sejam alvos do Seu derramamento num ambiente onde estão vários representantes de vários povos e idiomas. No passado as línguas que em Babel, tornaram-se maldição, agora com a vinda do Espírito Santo tornam bênção. O Espírito de Deus batiza a igreja composta de homens e mulheres sem distinção de língua, raça e cor. (Gal 3.28). Este período inaugura o chamado “últimos dias” até a volta do Senhor. O relato enfatiza mais uma vez os povos e retorna a primeira etapa da história humana, é a promessa do evangelho a todos os povos. A missão de Deus está diretamente ligada ao relacionamento com todos os povos (At 2.39).
Portanto, quando analisamos a história, não podemos pensar que Deus é exclusivista, porque todos nós somos alvo e objeto de seu grande amor que é eterno. Ao vermos a ação de relacionamento de Deus na história, vemos também que o ser humano nem sempre compreendeu o Seu amor e procurou seguir seus próprios passos. Mas a misericórdia de Deus é tão grande que Ele não levou em conta os atos da humanidade que sempre procurou o homem a fim de retornar ao seu projeto inicial como revela o Apocalipse.

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