quarta-feira, 22 de setembro de 2010

“A MISSÃO DE DEUS A PARTIR DE ABRAÃO”

A histórica canônica, isto é bíblica, relatada nas Sagradas Escrituras possui 3 grandes períodos históricos, como já vimos anteriormente. O primeiro período da relação de Deus com a humanidade de modo geral encerra-se na história da Torre de Babel (Gn 11.1-9). Ali mais uma vez a humanidade rejeita a possibilidade de buscar em Deus a razão da vida e revelam-se mais uma vez inescrupulosos, cheios de vaidade e egoístas. Os seus projetos visavam a si mesmos como autores e consumadores da vida.

1) Babel é o fim de um longo período turbulento e egocêntrico (Gn 3-11.).
Na história de Babel a humanidade toma a firme resolução de “construir uma cidade” (11.4a). Vemos que toda a motivação deste empreendimento tem sua origem no homem, isto é na sua intenção de conquista, domínio e opressão sobre outros. Babel é o retrato da busca incessante pelo poder. Este projeto nasce no coração pervertido dos homens. Eles tomam iniciativas individualistas e egoístas, enquanto os mandatos de Deus na Criação não eram estes. Além disso, os habitantes da planície de Sinear enfatizavam: “edifiquemos para nós” e mais: “para que não sejamos espalhados”(11.4c).
Estes homens estavam preocupados com sua estabilidade, estavam preocupados com a formação de uma classe exclusivista. Diziam uns para os outros: “tornemos famoso o nosso nome” (11.4b). Estas pessoas desejavam a “celebridade”, a “fama” e a “proeminência”. Queriam ser conquistadores, e como conquistadores, Deus não fazia parte de seus planos. O homem tornara-se o fim último de tudo que poderia existir. Devemos nos preocupar não apenas com o fim de nossos projetos, mas também com a motivação dos mesmos. Quais as reais motivações de nossos planos pessoais?

2) Abraão é o início de um novo período de altruísmo (Gn 12.1-4)
Enquanto em Babel os homens decidiram ser o alvo e a razão de sua existência, tomando a decisão de rejeitarem a Deus e por isso recebendo as conseqüências desta iniqüidade, em sua misericórdia, Deus por graça, resolve escolher um povo para que a humanidade que havia rejeitado ao mesmo Deus, pudessem ser reconciliados com Ele. Por isso Deus mantém os mesmos propósitos da criação.
Lembrando do mandato cultural, quando Deus, o criador, falara ao homem e à mulher para serem fecundos e se multiplicarem, estava implícito a resolução divina de encher a terra com Seu conhecimento.
Enquanto Babel rejeitara este mandato buscando a segregação e a centralização, ao chamar Abraão, Deus reafirma a ordem: “Sai da tua terra” (12.1). O seu plano não poderia ser frustrado. O Deus que cria e ordena tudo para o bem estar da humanidade chama um homem para que continuasse seu plano de misericórdia e amor.
Deus é o chefe dos planos de Abraão. Além disso, se contrapondo aos desejos carnais de Babel, Deus diz a Abraão: “Eu farei famoso o teu nome” (12.2). É Deus que trata de tornar Abrão famoso. É Deus que engrandece seu nome. É Deus que abençoa. O homem não tem nem este poder, nem esta vontade.
Então, ao ordenar a Abraão: “Sai da tua terra”, “seja tu uma bênção” e “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (12.3), Deus (Elohim) lembra ao homem que o cabeça de todo Seu plano de relacionamento com toda sua criação vem dEle próprio.
O projeto de Deus é um projeto abrangente que envolve a todos. Deus é um Deus “liberal”, pois está objetivando não somente um homem (Abraão) ou um povo (Israel), mas a todo o mundo, toda a humanidade.
Conclusão:
Portanto, enquanto o homem pensa em si mesmo, em seus projetos pessoais, Deus nos ensina a pensar como Ele, altruisticamente. Enquanto o homem pensa em armazenar, poupar, guardar, Deus pensa em dar abnegadamente. Enquanto o homem pensa em tornar-se seu próprio deus, Deus pensa em ser o Deus de todos.
Fundamentados neste estudo, somos levados a refletir e buscar mudanças em nós mesmos. Quais são os nossos planos? Eles são personalistas? Quem são o sujeito e o objeto de nossos planos? Se Deus for o dono de seu projeto siga o que Moody disse: "Se Deus é seu parceiro, então faça os seus planos bem grandes." Para quem você vive? Para quem você existe? Para que você faz seus planos? Onde você investe seu dinheiro? Quais as suas reais motivações? Nunca se esqueça: “Deus não está preocupado o quanto você dá, mas o quanto você acumula”.

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