sexta-feira, 17 de setembro de 2010

“A criação do homem e o modelo para a missão da igreja”

“Tudo o que Deus tem criado pertence a Ele e para Ele somente. E ele tem o poder e o controle da História” (Dietrich Bonhöffer). Ele tem a jurisdição sobre tudo e tudo está submetido a Ele.
A maneira como Deus em Sua soberania criou o universo e a humanidade deve servir de modelo para direcionar a missão da igreja. A ação de Deus na criação deve também nortear os relacionamentos e as motivações quando nos relacionamos.
A história da Criação é o primeiro elemento do evangelho cristão. Ao criar o homem e a mulher, Deus nos ensina a reconhecer no ser humano características e naturezas que não devem ser desprezadas em qualquer tipo de relacionamento especialmente dentro da missão e na evangelização (Gn 1.26-31; 2.7-9; 15-25).
As pessoas são seres humanos complexos físico-psíquicos (corpo e mente) e não almas encarnadas em corpos, como bem ensina o Espiritismo. O que a teologia sistemática ensina quanto a maneira que devemos distinguir o homem, seja corpo e alma ou corpo, alma e espírito, pode nos ajudar, porém, o ser humano é muito mais complexo que essa idéia. Portanto, devemos compreender que ao criar o ser humano o Senhor Deus o cria de maneira integral.
Primeira verdade: “O corpo e alma tem a mesma importância para Deus”. O ser humano é um ser integral (alma, mente, corpo, espírito, sentimento, emoção, temperamento, caráter, personalidade). Jamais podemos entender alguém que consiga separar algo que Deus criou como um todo muito bem arregimentado e articulado. São muitos os textos que nos ajudam a entender a importância do ser humano para Deus (Salmo 8:4, 144:3, Heb2:6).
Segunda verdade: “O homem é um ser discursivo”. As pessoas necessitam compreenderem o evangelho de Cristo através de uma linguagem acessível e inteligível. O homem foi criado por Deus possuindo uma linguagem própria. E não somente isso, as pessoas necessitam usar a razão para entenderem o amor de Deus. Embora que a fé suplementa a razão, mas não há como negar, o homem é um ser racional.
Terceira verdade: “O homem é um ser estético-tecnológico”. Isto é utilizamo-nos de ferramentas e instrumentos em nosso dia-a-dia para nosso bem estar. Assim entendemos que a busca pelo bem estar e qualidade de vida são inerentes ao ser humano. Quando o homem foi criado Deus o fez com capacidade de desenvolver equipamentos e condições aprazíveis a sua vida. Portanto o evangelho, ao resgatar a pessoa, também deve estar comprometido com seu bem estar e com o avanço da tecnologia. Além disso é natural do homem criar e desenvolver meios utilitários de conforto.
Quarta verdade: “O homem foi criado um ser social”. O ser humano é um “ser-em relação”. Não somente foi criado para se relacionar com o mundo invisível, mas também com o mundo visível. Foi criado para viver em relacionamento com tudo que o envolve e que se corresponde a ele. O evangelho então não pode separá-lo de pessoas, animais, vegetais e do meio ambiente em que vive. Além disso, o ser humano estabelece-se por meio de associações e comunidades. Jamais poderá existir um evangelho “virtual”.
Quinta verdade: “O homem é um ser histórico”. Não se pode negar a necessidade das tradições. O passado tem grande influência no seu tempo presente. Negar a tradição histórica das pessoas é “castrar” parte da vida delas . Quando o homem foi criado, Deus o fez com um passado familiar. As tabelas genealógicas no Genesis não são para apenas ilustrar mas revelar a importância da ação de Deus em uma linhagem familiar e tradicional.
Sexta verdade: “O homem é um ser ético”. Quando criado o ser humano tornou-se sensível aos valores morais. Ele possui regras para a vida mas a vida também possui valores morais que o direcionam e determina as razões e motivações para viver e existir, porque tomar tal e tal atitude. Não vive apenas pela legalidade mas sobretudo pela moral. Bom é lembrar que o desvio da moralidade é o moralismo.
Sétima verdade: “O homem é um ser religioso”. Tudo que o homem faz projeta-se para um mundo não-visível. O homem foi criado para manter uma relação íntima com o Transcendente. Não há homem que não se relacione ou que não deixe de buscar um ser que entenda maior que ele.
Portanto, a pergunta que devemos fazer é: Como devemos exercer a missão e a evangelização neste mundo? Devemos pensar nas pessoas à nossa volta como possuidoras de características singulares e únicas, a fim de que nossa missão seja de fato, uma missão integral, que responda ao homem integralmente. Eis nosso desafio!

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